{"id":136200,"date":"2023-08-02T06:15:40","date_gmt":"2023-08-02T09:15:40","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/?p=136200"},"modified":"2023-08-02T06:15:41","modified_gmt":"2023-08-02T09:15:41","slug":"especialistas-da-rede-ebserh-e-pessoas-que-convivem-com-a-doenca-desmistificam-o-vitiligo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/08\/02\/especialistas-da-rede-ebserh-e-pessoas-que-convivem-com-a-doenca-desmistificam-o-vitiligo\/","title":{"rendered":"Especialistas da Rede Ebserh e pessoas que convivem com a doen\u00e7a desmistificam o vitiligo"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Neste dia especialmente dedicado ao assunto, refor\u00e7am-se o diagn\u00f3stico, o tratamento e o combate \u00e0 desinforma\u00e7\u00e3o e ao preconceito&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O vitiligo \u00e9 uma doen\u00e7a que revela desafios para al\u00e9m da pele. S\u00e3o pelo menos 0,5% dos brasileiros (cerca de 1 milh\u00e3o de pessoas), segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia, com a enfermidade que reflete diretamente na autoestima e na intera\u00e7\u00e3o social. Por isso, neste Dia Nacional do Vitiligo (1\u00ba de agosto), institu\u00eddo pela Lei N\u00ba 12.627, de 11 de maio de 2012, especialistas e pessoas que convivem com a doen\u00e7a, ligados aos hospitais vinculados \u00e0 Empresa Brasileira de Servi\u00e7os Hospitalares (Ebserh), evidenciam a import\u00e2ncia da rede de acolhimento, assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade e informa\u00e7\u00e3o para combater preconceitos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O&nbsp;vitiligo acomete a pele e as mucosas. As c\u00e9lulas respons\u00e1veis pela pigmenta\u00e7\u00e3o da cor da pele e dos cabelos (melan\u00f3citos) s\u00e3o destru\u00eddas ou passam a produzir menos melanina (pigmento respons\u00e1vel pela cor) fazendo surgir manchas brancas. Isso ocorre por mecanismo autoimune, ou seja, o pr\u00f3prio corpo as ataca, possuindo uma forte tend\u00eancia gen\u00e9tica. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Existem diferentes tipos de apresenta\u00e7\u00e3o do vitiligo, podendo ser segmentar ou unilateral, quando apenas uma parte do corpo, da face, ou de um membro \u00e9 acometido; de les\u00e3o \u00fanica, onde somente um local espec\u00edfico \u00e9 atingido, geralmente desencadeado por um trauma (ferimento, pancada); e o universal ou generalizado, quando todo o corpo e at\u00e9 o cabelo podem sofrer a despigmenta\u00e7\u00e3o.&nbsp;O vitiligo n\u00e3o se trata de uma infec\u00e7\u00e3o causada por v\u00edrus, fungos ou bact\u00e9rias, portanto, n\u00e3o \u00e9 transmiss\u00edvel. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um tipo de c\u00e2ncer e nem compromete a sa\u00fade f\u00edsica do indiv\u00edduo. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O diagn\u00f3stico \u00e9 essencialmente cl\u00ednico, com a observa\u00e7\u00e3o da equipe m\u00e9dica, esclarece a dermatologista Ivana Garcia, do Hospital Universit\u00e1rio J\u00falio M\u00fcller, da Universidade Federal do Mato Grosso (HUJM-UFMT), mas tamb\u00e9m existem exames adicionais feitos em casos de d\u00favida, como a \u201cluz de Wood\u201d (aparelho capaz de acentuar as les\u00f5es de vitiligo durante o exame) ou a bi\u00f3psia da regi\u00e3o afetada. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o existe uma forma de preven\u00e7\u00e3o para quem n\u00e3o sabe que tem uma pr\u00e9-disposi\u00e7\u00e3o ao vitiligo. O que pode ser feito, ressalta Ivana, \u00e9 que, quando a pessoa j\u00e1 apresentou um quadro de vitiligo em algum momento, passe a evitar crises de aumento e surgimento de novas manchas. E isso tem rela\u00e7\u00e3o com estresse e estilo de vida (alimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o adequada, sedentarismo). \u201cEu sempre falo para as pacientes que \u00e9 muito dif\u00edcil evitarmos completamente passar por um per\u00edodo de estresse emocional porque isso faz parte da vida. No entanto, \u00e9 muito importante, principalmente para quem tem uma condi\u00e7\u00e3o de base autoimune, cuidar da sa\u00fade mental buscando ajuda psicol\u00f3gica tamb\u00e9m, porque isso vai ajudar no controle dos gatilhos\u201d, destaca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tratamento para controle<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A dermatologista L\u00edvia Caetano, respons\u00e1vel pelo Ambulat\u00f3rio de Fototerapia do Hospital das Cl\u00ednicas da Universidade Federal de Goi\u00e1s (HC-UFG), relata que o primeiro passo para iniciar o tratamento \u00e9 definir se o vitiligo est\u00e1 est\u00e1vel ou em progress\u00e3o, al\u00e9m de observar a extens\u00e3o da pele acometida. Ap\u00f3s a avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, \u00e9 pensada a melhor forma terap\u00eautica que, segundo a especialista, pode ser direcionada para paralisar a progress\u00e3o (corticoides ou imunomoduladores de uso t\u00f3pico ou sist\u00eamico, a depender de cada caso) ou para estimular a repigmenta\u00e7\u00e3o. Nos dois casos, a fototerapia pode auxiliar por ter a\u00e7\u00e3o \u201cimunossupressora sobre a pele e estimular a migra\u00e7\u00e3o dos melan\u00f3citos vizinhos para a regi\u00e3o do vitiligo\u201d, informa. A dermatologista enfatiza a import\u00e2ncia de buscar atendimento m\u00e9dico: \u201cQuanto mais precoce o diagn\u00f3stico e o tratamento, maior a chance de resposta. Falamos em controle e n\u00e3o em cura. A repigmenta\u00e7\u00e3o da pele pode ser total ou parcial, mas h\u00e1 chance de reaparecimento e de novas les\u00f5es ao longo da vida\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A paciente do HC-UFG Elma Pinheiro, de 56 anos, percebeu as primeiras manchas aos 15 anos no quadril e nos p\u00e9s, mas estas n\u00e3o evolu\u00edram. Por\u00e9m, em 30 de outubro de 2015, ela passou pelo grande trauma de ter a casa invadida por assaltantes e esse estresse provocou, meses depois, o surgimento de mais manchas espalhadas pelo corpo, exceto o rosto. Foi, ent\u00e3o, que buscou encaminhamento para o HC-UFG e, em agosto 2018, come\u00e7ou seu tratamento com fototerapia duas vezes por semana, que continua at\u00e9 hoje. \u201cO Hospital me acolheu em todos os sentidos. J\u00e1 melhorei bastante e tem \u00e1reas do meu corpo em repigmenta\u00e7\u00e3o\u201d. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nem sempre foi f\u00e1cil, explica Elma, pelo preconceito sofrido, mas ela superou as opini\u00f5es: \u201cEu me amo muito. Eu me acho bonita, eu tenho autoestima muito tranquila\u201d. Ela tamb\u00e9m fez duas cirurgias no HC-UFG de transplante de melan\u00f3citos, outra op\u00e7\u00e3o de tratamento que permite transferir as c\u00e9lulas de um local saud\u00e1vel para o espa\u00e7o onde h\u00e1 vitiligo. A primeira foi feita em abril de 2021, e a segunda, em setembro do mesmo ano, na m\u00e3o esquerda, percebendo uma melhora significativa. Este procedimento \u00e9 bem indicado para casos est\u00e1veis e principalmente de vitiligo segmentar n\u00e3o responsivo a outros tratamentos, explica a dermatologista L\u00edvia Caetano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A conviv\u00eancia com vitiligo &nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A t\u00e9cnica de enfermagem L\u00edvia Batista, de 40 anos, do Hospital de Cl\u00ednicas da Universidade Federal do Tri\u00e2ngulo Mineiro (HC-UFTM), conta que aos seis anos as primeiras manchas de vitiligo come\u00e7aram a aparecer em suas pernas e calcanhares. Al\u00e9m dela, sua m\u00e3e, sua irm\u00e3, tio e tia tamb\u00e9m t\u00eam vitiligo. Pela condi\u00e7\u00e3o, L\u00edvia diz ter enfrentado muito preconceito, especialmente durante a inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia. \u201cEu tinha muita vergonha. Uma vez, at\u00e9 pintei as manchas com tinta marrom quando era crian\u00e7a\u201d, contou.&nbsp;&nbsp;Com o passar do tempo, especialmente a partir dos 18 anos, quando buscou aux\u00edlio m\u00e9dico e foi se descobrindo como mulher, L\u00edvia refletiu que a doen\u00e7a n\u00e3o era maior que ela. \u201cHoje minha autoestima melhorou bastante. Convivo bem, visto shorts e isso n\u00e3o me abala mais. Eu me aceitei no vitiligo\u201d. Ela tamb\u00e9m percebeu que, al\u00e9m do fator heredit\u00e1rio, os momentos de estresse favoreciam o aparecimento de novas manchas e come\u00e7ou a cuidar tamb\u00e9m das emo\u00e7\u00f5es, valorizando a sua sa\u00fade mental e f\u00edsica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Outra hist\u00f3ria de supera\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a \u00e9 da enfermeira obst\u00e9trica Evalnize Vargens, de 57 anos. Quando tinha 32 anos, ap\u00f3s passar por estresses emocionais, come\u00e7ou a perceber manchas brancas nos dedos da m\u00e3o esquerda e depois na m\u00e3o direita, quando, ent\u00e3o, buscou atendimento e teve o diagn\u00f3stico. Al\u00e9m das m\u00e3os, as manchas tamb\u00e9m acometeram p\u00e9s, cotovelos e l\u00e1bio. Ela realizou tratamento de fototerapia e uso de medicamentos que reduziram a apar\u00eancia e surgimento de novos focos do vitiligo e hoje se sente melhor consigo mesma. \u201cNo in\u00edcio fiquei muito abalada. Quanto mais surgiam manchas, mais minha autoestima era afetada, me sentia mal e ansiosa. Mas com o tempo, fui me tranquilizando e hoje nem lembro mais que tenho vitiligo\u201d, disse. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>No SUS&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O diagn\u00f3stico e tratamento para vitiligo s\u00e3o garantidos pelo SUS nos servi\u00e7os de dermatologia. Nos Hospitais da Rede Ebserh, s\u00e3o recebidos os pacientes encaminhados pela regula\u00e7\u00e3o via Prefeituras.<strong>&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre a Ebserh<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Vinculada ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universit\u00e1rios federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gest\u00e3o de excel\u00eancia. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades t\u00eam caracter\u00edsticas espec\u00edficas: atendem pacientes do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a forma\u00e7\u00e3o de profissionais de sa\u00fade e o desenvolvimento de pesquisas e inova\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><strong><em>Por Rafael Tadashi Abe de Lima<\/em><\/strong><\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste dia especialmente dedicado ao assunto, refor\u00e7am-se o diagn\u00f3stico, o tratamento e o combate \u00e0<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":136201,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32],"tags":[],"class_list":["post-136200","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136200","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=136200"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136200\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":136202,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136200\/revisions\/136202"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/136201"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=136200"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=136200"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=136200"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}