{"id":13578,"date":"2021-05-24T19:11:40","date_gmt":"2021-05-24T22:11:40","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/24\/brasil-deixa-de-cumprir-compromisso-de-reducao-de-50-das-mortes-no-transito-2\/"},"modified":"2021-05-24T19:11:40","modified_gmt":"2021-05-24T22:11:40","slug":"brasil-deixa-de-cumprir-compromisso-de-reducao-de-50-das-mortes-no-transito-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/24\/brasil-deixa-de-cumprir-compromisso-de-reducao-de-50-das-mortes-no-transito-2\/","title":{"rendered":"Brasil deixa de cumprir compromisso de redu\u00e7\u00e3o de 50% das mortes no tr\u00e2nsito"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil ficou longe de cumprir a meta da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) de reduzir em 50% o n\u00famero de mortes em acidentes de tr\u00e2nsito de 2009 a 2019, destaca o <em>Estad\u00e3o<\/em>. Considerando apenas as rodovias, o Pa\u00eds teve diminui\u00e7\u00e3o nos \u00f3bitos de pouco mais da metade desse objetivo, apesar da queda acentuada sobretudo depois da promulga\u00e7\u00e3o da Lei Seca e da obrigatoriedade do uso de cadeirinha para as crian\u00e7as.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Um novo mapeamento feito pela ag\u00eancia 360\u00ba CI para a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Medicina de Tr\u00e1fego (Abramet), com base em dados da Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal (PRF) e da ag\u00eancia 360, revela que entre 2009 e 2019 foram relatados nas estradas federais 1.507.645 de acidentes e 79.085 mortes. Dados preliminares de 2020 indicam pelo menos 5,3 mil mortos, apesar da redu\u00e7\u00e3o de tr\u00e1fego causada pela pandemia. &#8220;Embora o n\u00famero de acidentes tenha ca\u00eddo significativamente, se pud\u00e9ssemos aplicar a meta da ONU s\u00f3 \u00e0s estradas, ainda assim o Brasil estaria em desvantagem. Conseguimos baixar apenas 26% das mortes nas rodovias&#8221;, afirmou o diretor cient\u00edfico da Abramet, Fl\u00e1vio Adura. &#8220;Projetando a expectativa da ONU, era de se esperar que o n\u00famero de v\u00edtimas n\u00e3o ultrapassasse 3,6 mil.&#8221;<\/p>\n<p>As principais causas de fatalidades s\u00e3o evit\u00e1veis. &#8220;Observamos redu\u00e7\u00e3o consistente do n\u00famero de mortos&#8221;, admite Adura. &#8220;Mas o Brasil continua sendo o quarto pa\u00eds do mundo com o maior n\u00famero absoluto de mortes, atr\u00e1s s\u00f3 de China, \u00cdndia e Nig\u00e9ria. Nos chamados pa\u00edses em desenvolvimento os acidentes com mortes s\u00e3o muito mais prevalentes. Isso ocorre porque pelo menos metade da mortalidade vem dos chamados &#8216;vulner\u00e1veis do tr\u00e2nsito&#8217;: pedestres, motociclistas e ciclistas.&#8221;<\/p>\n<p>Entre as maiores v\u00edtimas est\u00e3o as crian\u00e7as. Os acidentes de tr\u00e2nsito s\u00e3o a principal causa de morte de 0 a 14 anos. A obrigatoriedade da cadeirinha e do cinto no banco de tr\u00e1s at\u00e9 melhorou a perspectiva &#8211; segundo a OMS, isso reduz em at\u00e9 60% a chance de \u00f3bito. Mas, segundo os especialistas, \u00e9 poss\u00edvel fazer mais. &#8220;Ainda nos preocupa muito o uso crescente de patinetes, que s\u00e3o muito perigosos&#8221;, afirma o pediatra Abelardo Bastos Pinto Junior, presidente do Departamento Cient\u00edfico de Sa\u00fade Escolar da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio. &#8220;E h\u00e1 a forma irreverente com a qual muitos costumam dirigir. Acho que seria importante ter campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o dentro das escolas, ao longo da forma\u00e7\u00e3o do estudante.&#8221;<\/p>\n<p>O mapeamento se divide em dois momentos. Entre 2009 e 2014, houve, em m\u00e9dia, 180 mil acidentes por ano. Entre 2015 e 2019, ficou em torno de 86 mil casos anuais, em m\u00e9dia. No topo da lista das causas de acidentes aparece a falta de aten\u00e7\u00e3o, anotada como causa prov\u00e1vel em 38,5% dos acidentes. Na segunda posi\u00e7\u00e3o est\u00e1 a velocidade excessiva para determinados trechos, com 9,4% dos registros. Destaca-se, ainda, o fato de que em 24,7% dos casos as causas permanecem indefinidas. &#8220;Um ter\u00e7o dos motoristas dirige distra\u00eddo, conversando, vendo a paisagem e, muitas vezes, falando no celular e mandando mensagens. Mas a falta de aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode estar relacionada a doen\u00e7as e ao uso de medicamentos que podem causar seda\u00e7\u00e3o ou sonol\u00eancia. Problemas cognitivos, como o Alzheimer, tamb\u00e9m podem provocar falta de aten\u00e7\u00e3o. Sem falar no uso de drogas para viagens mais longas (sobretudo entre motoristas profissionais)&#8221;, pontua Adura.<\/p>\n<p>Outro problema frequente \u00e9 o excesso de velocidade. &#8220;Trabalhos cient\u00edficos sobre a toler\u00e2ncia humana a impactos mostram que em um acidente envolvendo um ve\u00edculo viajando a at\u00e9 30 km\/h a chance de sobreviv\u00eancia dos envolvidos em atropelamento ou colis\u00e3o \u00e9 de praticamente 100%&#8221;, explica o presidente da Abramet, Antonio Meira Jr. &#8220;Mas a partir de 50 km\/h, a chance de um vulner\u00e1vel (pedestre, motociclista ou ciclista) morrer \u00e9 de 100%.&#8221;<\/p>\n<p>O \u00e1lcool surge numa categoria \u00e0 parte &#8211; sua ingest\u00e3o, conforme a OMS, \u00e9 causa de at\u00e9 35% dos acidentes mais graves. S\u00e3o as ocorr\u00eancias que deixam mais mortos e mais pessoas com sequelas graves. &#8220;N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de perder os reflexos, o que j\u00e1 seria grave&#8221;, explica Adura. &#8220;O \u00e1lcool interfere na dire\u00e7\u00e3o, na perda da no\u00e7\u00e3o de velocidade, na perda da vis\u00e3o lateral. Al\u00e9m disso, torna a pessoa mais agressiva. Em um acidente, aqueles que est\u00e3o alcoolizados s\u00e3o sempre os que t\u00eam mais chances de morrer, seja pela pr\u00f3pria rea\u00e7\u00e3o no momento do acidente, seja depois, no hospital, pelas condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas.&#8221;<\/p>\n<p>Presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psicologia de Tr\u00e1fego, Patr\u00edcia Sandri complementa, ressaltando que &#8220;at\u00e9 90% dos acidentes s\u00e3o causados por falhas humanas&#8221;, diz. Uma forma complementar de evitar os efeitos mais graves dessas falhas, segundo o presidente da Abramet, seria ter estradas inteligentes, como algumas da Europa. &#8220;J\u00e1 sabemos que todo ser humano comete erros. Ent\u00e3o dever\u00edamos projetar as vias pensando nessa possibilidade, como na Su\u00e9cia&#8221;, diz Meira Jr. &#8220;As estradas brasileiras s\u00e3o p\u00e9ssimas, mal planejadas, t\u00eam sinaliza\u00e7\u00e3o inadequada, ilumina\u00e7\u00e3o insuficiente e s\u00e3o mal conservadas.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Pontos cr\u00edticos<\/strong><\/p>\n<p>Outro achado relevante da investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica foi o delineamento de uma lista de rodovias com maior concentra\u00e7\u00e3o de acidentes e a defini\u00e7\u00e3o de pontos cr\u00edticos em termos de seguran\u00e7a para motoristas, passageiros e pedestres. Em n\u00fameros absolutos, as dez rodovias com mais acidentes foram: BR-101,BR-116, BR-381, BR-040, BR-153, BR-364, BR-262, BR-316, BR-163 e BR-230. Nessas, houve 926.676 incidentes.<\/p>\n<p>&#8220;Existem problemas que v\u00e3o da pr\u00f3pria via (como uma curva mal projetada), da densidade de ve\u00edculos, do tipo de carro que circula em maior n\u00famero, se cruza \u00e1reas urbanas&#8221;, enumera Fl\u00e1vio Adura. &#8220;Nos Estados do Nordeste, por exemplo, temos mais acidentes com v\u00edtimas porque a frota de motociclistas por l\u00e1 j\u00e1 supera a de outros ve\u00edculos &#8211; e a moto \u00e9 muito vulner\u00e1vel. O Estado que mais registra fatalidades \u00e9 Minas, por causa da alta densidade de caminh\u00f5es circulando. J\u00e1 no Sul do Pa\u00eds h\u00e1 muitos registros de acidentes graves porque as vias atravessam cidades.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Meta retomada<\/strong><\/p>\n<p>Ciente de que a maioria dos pa\u00edses n\u00e3o conseguiu alcan\u00e7ar a meta de redu\u00e7\u00e3o de mortes no tr\u00e2nsito estabelecida pela OMS para a d\u00e9cada passada, a \u00faltima Confer\u00eancia Global da ONU sobre Seguran\u00e7a no Tr\u00e2nsito, realizada em fevereiro, definiu os anos de 2021 a 2030 como a segunda d\u00e9cada de a\u00e7\u00e3o pela seguran\u00e7a no tr\u00e2nsito. E manteve a meta de redu\u00e7\u00e3o de 50% das fatalidades.<\/p>\n<p><strong>Pandemia<\/strong><\/p>\n<p>Dados do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) indicam o oposto do que se esperava com a pandemia de 2020: uma redu\u00e7\u00e3o m\u00ednima da viol\u00eancia no tr\u00e2nsito. Em 2019, o n\u00famero de pessoas que sofreu acidente de carro e foi levado a hospital foi de 219.449. Em 2020, foram 212.058, retra\u00e7\u00e3o de 3%. A tend\u00eancia se confirma nos gastos do SUS com o atendimento a acidentados. Foi de R$ 313.445.848 em 2019 para R$ 311.936.574 no ano passado.<\/p>\n<p>&#8220;No primeiro momento da pandemia, houve uma redu\u00e7\u00e3o dos acidentes&#8221;, avalia Fl\u00e1vio Adura da Abramet. &#8220;Mas logo depois come\u00e7ou a aumentar novamente, sobretudo com a grande circula\u00e7\u00e3o de motocicletas de entrega, mais sujeitas a acidentes.&#8221; \/ R.J.<\/p>\n<p><strong>Nova legisla\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A nova legisla\u00e7\u00e3o que entrou em vigor em 12 de abril n\u00e3o \u00e9 exatamente a que os defensores de um tr\u00e2nsito mais seguro esperavam. &#8220;Foi a lei poss\u00edvel de ser aprovada no Congresso&#8221;, diz Armando de Souza, presidente da Comiss\u00e3o Especial de Direito do Tr\u00e2nsito da Ordem dos Advogados do Brasil.<\/p>\n<p>Especialistas criticam v\u00e1rios pontos. Agora, todos os documentos emitidos passam a valer por 10 anos para condutores de at\u00e9 50 anos &#8211; e n\u00e3o mais por 5 anos. Pela lei anterior, o motorista podia acumular at\u00e9 20 pontos na CNH para n\u00e3o ter a carteira suspensa. A partir de agora, contudo, h\u00e1 uma grada\u00e7\u00e3o e a perda ocorre com 20, 30 ou 40 pontos. E com a nova lei quem for flagrado dirigindo em uma velocidade acima de 50% do limite permitido pela via n\u00e3o ter\u00e1 mais a suspens\u00e3o e a apreens\u00e3o imediata da CNH. Haver\u00e1 processo administrativo.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m houve avan\u00e7os. Antes de o texto chegar \u00e0 C\u00e2mara, o presidente Bolsonaro queria desobrigar o uso da cadeirinha ou assento de eleva\u00e7\u00e3o para beb\u00eas e crian\u00e7as. Contudo, a obrigatoriedade foi mantida. O que mudou \u00e9 o limite de altura para utiliza\u00e7\u00e3o dos dispositivos de seguran\u00e7a. Crian\u00e7as de 1,45 metro de at\u00e9 10 anos devem usar o dispositivo de reten\u00e7\u00e3o por lei. Pela lei anterior n\u00e3o havia limite de altura.<\/p>\n<p>Outro avan\u00e7o \u00e9 a determina\u00e7\u00e3o de que motos, ciclomotores e motonetas s\u00f3 podem transportar crian\u00e7as com mais de 10 anos. Pela lei anterior, eram 6 anos. &#8220;No que diz respeito \u00e0 seguran\u00e7a das crian\u00e7as, a nova lei foi positiva&#8221;, diz o pediatra Abelardo Bastos Pinto Junior.<\/p>\n<p>Ultrapassar ciclistas agora \u00e9 um ato pass\u00edvel de multa grav\u00edssima. Tamb\u00e9m pode ser multado quem usar as ciclovias como lugar de embarque ou desembarque. E a nova norma impede que ocorra uma substitui\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o por penas alternativas aos condutores que, sob efeito de \u00e1lcool ou subst\u00e2ncias psicoativas, causarem morte ou les\u00e3o corporal. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal O Estado de S. Paulo.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1807026\/brasil-deixa-de-cumprir-compromisso-de-reducao-de-50-das-mortes-no-transito?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil ficou longe de cumprir a meta da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS) de<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":13579,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-13578","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13578","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13578"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13578\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13579"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13578"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13578"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13578"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}