{"id":13508,"date":"2021-05-24T14:08:42","date_gmt":"2021-05-24T17:08:42","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/24\/divida-das-empresas-abertas-cresce-50-em-dez-anos-e-chega-a-r-1213-trilhoes\/"},"modified":"2021-05-24T14:08:42","modified_gmt":"2021-05-24T17:08:42","slug":"divida-das-empresas-abertas-cresce-50-em-dez-anos-e-chega-a-r-1213-trilhoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/24\/divida-das-empresas-abertas-cresce-50-em-dez-anos-e-chega-a-r-1213-trilhoes\/","title":{"rendered":"D\u00edvida das empresas abertas cresce 50% em dez anos e chega a R$ 1,213 trilh\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Entre empres\u00e1rios, executivos e economistas, j\u00e1 virou lugar comum dizer que as empresas brasileiras t\u00eam vantagem competitiva no mercado global por atuar em meio a turbul\u00eancias constantes e estar melhor preparadas para enfrentar as adversidades. Mas, mesmo acostumadas a navegar em mar revolto, elas tiveram de se desdobrar para se manter \u00e0 superf\u00edcie nos \u00faltimos anos, com a economia em marcha \u00e0 r\u00e9, o d\u00f3lar nas nuvens, o desemprego batendo recordes hist\u00f3ricos e a renda da popula\u00e7\u00e3o em queda livre. Para completar, ainda tiveram de lidar com as incertezas e as mudan\u00e7as trazidas pela pandemia.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Muitas empresas, incluindo as de grande porte, precisaram recorrer aos bancos e ao mercado de capitais para refor\u00e7ar o caixa e honrar os seus compromissos. O endividamento deu um salto. Ao contr\u00e1rio do que se poderia imaginar, por\u00e9m, os n\u00fameros mostram que o aumento do endividamento n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno de curto prazo, decorrente da pandemia, mas um movimento que vem se acentuando desde o in\u00edcio da d\u00e9cada passada.<\/p>\n<p>Segundo um estudo feito para o <em>Estad\u00e3o<\/em> pela Economatica, uma empresa de dados de mercado, a d\u00edvida bruta das companhias de capital aberto mais que dobrou em dez anos. De dezembro de 2011 a mar\u00e7o de 2021, o total dos &#8220;papagaios&#8221; na pra\u00e7a passou de R$ 486 bilh\u00f5es para R$ 1,213 trilh\u00e3o &#8211; um aumento de 149,6%. Em termos reais (descontada a infla\u00e7\u00e3o acumulada, de 66,7%), o crescimentos chegou a quase 50%. Em rela\u00e7\u00e3o ao patrim\u00f4nio l\u00edquido, a d\u00edvida chegou a 115,4% em mar\u00e7o &#8211; eram 75,9% em 2011.<\/p>\n<p>Mesmo levando em conta que parte do resultado est\u00e1 inflada pela alta do d\u00f3lar, j\u00e1 que muitas empresas de capital aberto t\u00eam d\u00edvidas em moeda forte e elas s\u00e3o obrigadas a convert\u00ea-las em reais nos balan\u00e7os pela cota\u00e7\u00e3o atualizada, o quadro n\u00e3o se altera de forma significativa.<\/p>\n<p>&#8220;Teve muito solavanco no meio do caminho&#8221;, afirma o economista Adriano Pitoli, ex-diretor de an\u00e1lise setorial e regional da Tend\u00eancias Consultoria e ex-chefe do n\u00facleo da Secretaria de Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio do Minist\u00e9rio da Economia em S\u00e3o Paulo. &#8220;Muitas empresas n\u00e3o tinham alternativa e tomaram cr\u00e9dito para sobreviver.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Falta de liquidez<\/strong><\/p>\n<p>O levantamento incluiu 239 empresas n\u00e3o financeiras, de diferentes ramos de atividade, que divulgaram os balan\u00e7os do 1.\u00ba trimestre de 2021 at\u00e9 10 de maio. Como as d\u00edvidas da Petrobras e da Vale &#8211; de R$ 404,3 bilh\u00f5es e de R$ 78,7 bilh\u00f5es, respectivamente, no fim de mar\u00e7o &#8211; provocariam uma forte distor\u00e7\u00e3o, as duas companhias foram exclu\u00eddas da amostra. Se fossem inclu\u00eddas, a d\u00edvida bruta total alcan\u00e7aria R$ 1,7 trilh\u00e3o, 40% a mais.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio ganha contornos mais claros quando se observam tamb\u00e9m outros indicadores relacionados \u00e0 situa\u00e7\u00e3o financeira das empresas. Desde 2011, o caixa das companhias, ou seja, o dinheiro dispon\u00edvel para o pagamento de gastos correntes, teve uma redu\u00e7\u00e3o de 44,1% &#8211; o equivalente a 13,6%, em termos reais. Com isso, a d\u00edvida l\u00edquida (d\u00edvida bruta menos caixa), cresceu 325% desde 2011 &#8211; 155,4% em termos reais.<\/p>\n<p>S\u00f3 nos \u00faltimos 15 meses, do fim de 2019 a mar\u00e7o de 2021, em meio \u00e0 pandemia, a d\u00edvida l\u00edquida das empresas listadas em Bolsa chegou a 15,1% &#8211; 8,4% reais (ver gr\u00e1fico). &#8220;D\u00e1 para perceber uma inten\u00e7\u00e3o das empresas de fortalecer os seus balan\u00e7os para enfrentar a crise. O pior de tudo seria morrer por falta de liquidez&#8221;, diz o economista Evandro Buccini, diretor de gest\u00e3o de fundos de renda fixa e multimercado da Rio Bravo, empresa de investimentos da qual o economista Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, foi um dos fundadores.<\/p>\n<p><strong>Endividamento saud\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p>Embora o aumento progressivo do endividamento das empresas nos \u00faltimos dez anos tenha a ver, em boa medida, com a busca de recursos para atravessar a pasmaceira e as incertezas da economia, isso n\u00e3o explica tudo, de acordo com os economistas ouvidos pelo <em>Estad\u00e3o<\/em>. &#8220;No Brasil, a gente tem o cacoete de ver sempre d\u00edvida como algo negativo&#8221;, afirma Pitoli. &#8220;Mas n\u00e3o necessariamente o aumento do endividamento acende uma luz amarela.&#8221;<\/p>\n<p>Em sua vis\u00e3o, houve uma transforma\u00e7\u00e3o estrutural na economia na \u00faltima d\u00e9cada com a redu\u00e7\u00e3o dos juros, principalmente depois de 2016, que tamb\u00e9m levou muitas empresas a aumentar o endividamento. Ele diz que a mudan\u00e7a se iniciou no fim dos anos 1990, com a libera\u00e7\u00e3o cambial, foi interrompida no governo Dilma, em especial no segundo mandato, retomada com o ex-presidente Michel Temer e se mant\u00e9m at\u00e9 hoje, apesar da alta recente da taxa b\u00e1sica de juros (Selic). &#8220;Uma empresa toma cr\u00e9dito quando acredita que tem oportunidades de investimento que v\u00e3o trazer um retorno maior do que o custo do endividamento&#8221;, diz. &#8220;Sob essa \u00f3tica, \u00e9 natural e at\u00e9 saud\u00e1vel as empresas ficarem mais endividadas.&#8221;<\/p>\n<p>Ao destrinchar os dados da pesquisa, ele observou que os setores que tiveram os maiores aumentos de endividamento, como petr\u00f3leo e g\u00e1s, papel e celulose, software e dados, minerais n\u00e3o met\u00e1licos, agroneg\u00f3cio e assist\u00eancia m\u00e9dica, v\u00eam realizando investimentos vultosos e crescendo mais do que a m\u00e9dia da economia.<\/p>\n<p><strong>Apostas<\/strong><\/p>\n<p>A exce\u00e7\u00e3o do grupo, segundo ele, \u00e9 a \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o, que enfrenta dificuldades, em raz\u00e3o da digitaliza\u00e7\u00e3o crescente e da dissemina\u00e7\u00e3o do ensino a dist\u00e2ncia, e est\u00e1 tendo de repensar o seu modelo de neg\u00f3cio. &#8220;As empresas que mais tomaram recursos de terceiros, para n\u00e3o depender s\u00f3 de capital pr\u00f3prio, foram as que fizeram as maiores apostas em rela\u00e7\u00e3o ao futuro.&#8221;<\/p>\n<p>Buccini, da Rio Bravo, vai na mesma linha. Para ele, o aumento do endividamento revela &#8220;uma inten\u00e7\u00e3o do empreendedor de se alavancar mais&#8221;. &#8220;Com a queda dos juros, muitos projetos que antes eram invi\u00e1veis se tornam mais vi\u00e1veis&#8221;, afirma. &#8220;Como a gente fala, a queda dos juros aproxima o futuro do presente e \u00e9 poss\u00edvel vislumbrar um pouco melhor o sucesso dos projetos de investimento que a empresa tem.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Produtividade<\/strong><\/p>\n<p>Por ora, o alegado interesse pela realiza\u00e7\u00e3o de novos projetos e pela moderniza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, que explicaria o aumento do endividamento das empresas, ainda n\u00e3o se refletiu na taxa de investimento do Pa\u00eds. No per\u00edodo da pesquisa, entre 2011 e 2020, o \u00edndice foi, em m\u00e9dia, de 17,9% do PIB (Produto Interno Bruto), abaixo da m\u00e9dia de 18,8% registrada de 1980 a 2018, de acordo com dados do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), ligado \u00e0 FGV (Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas).<\/p>\n<p>Em 2020, com a pandemia, a taxa de investimento teve at\u00e9 uma queda de 0,8%, depois de ter subido 2,2% em 2019, e ficou em 16,4% do PIB, inferior \u00e0 m\u00e9dia da d\u00e9cada. &#8220;Esse quadro aparentemente paradoxal, que contrap\u00f5e o aumento da d\u00edvida das companhias de capital aberto e o n\u00e3o crescimento da taxa de investimento se deve ao fato de que a gente est\u00e1 falando de grandes empresas, campe\u00f5es nacionais, que n\u00e3o s\u00e3o uma amostra do Brasil&#8221;, diz Buccini. &#8220;Quando elas crescem, n\u00e3o necessariamente o Brasil cresce tamb\u00e9m. Em per\u00edodos de volatilidade, as grande empresas podem at\u00e9 ganhar participa\u00e7\u00e3o de mercado, enquanto a maior parte dos neg\u00f3cios \u00e9 afetada de forma negativa.&#8221;<\/p>\n<p>Outro ponto que parece estranho \u00e9 que o alegado crescimento dos investimentos tamb\u00e9m n\u00e3o resultou em aumentos de produtividade. Para o economista Adriano Pitoli, isso n\u00e3o se refletiu ainda nas estat\u00edsticas do PIB, porque nesse per\u00edodo o Brasil viveu &#8220;uma recess\u00e3o atr\u00e1s da outra&#8221; e os ganhos de produtividade s\u00f3 aparecem em per\u00edodos de retomada e n\u00e3o de baixa no n\u00edvel de atividade.<\/p>\n<p>Ele discorda de muitos de seus pares, para quem uma recess\u00e3o t\u00e3o longa quanto a que o Brasil enfrentou compromete estruturalmente o aumento da produtividade. &#8220;H\u00e1 muito ganho de produtividade estocado&#8221;, diz. &#8220;N\u00e3o tem como segurar ganho de produtividade. A pandemia, por exemplo, travou a economia, mas acelerou uma s\u00e9rie de transforma\u00e7\u00f5es digitais que representam ganhos de produtividade ainda n\u00e3o refletidos nas estat\u00edsticas.&#8221; As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal O Estado de S. Paulo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/economia\/1807031\/divida-das-empresas-abertas-cresce-50-em-dez-anos-e-chega-a-r-1-213-trilhoes?utm_source=rss-economia&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><br \/>\nNot\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre empres\u00e1rios, executivos e economistas, j\u00e1 virou lugar comum dizer que as empresas brasileiras t\u00eam<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":13509,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-13508","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13508","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13508"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13508\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13509"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13508"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13508"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13508"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}