{"id":13350,"date":"2021-05-23T14:10:18","date_gmt":"2021-05-23T17:10:18","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/23\/feministas-venezuelanas-sacodem-redes-sociais-e-pedem-mudancas-reais\/"},"modified":"2021-05-23T14:10:18","modified_gmt":"2021-05-23T17:10:18","slug":"feministas-venezuelanas-sacodem-redes-sociais-e-pedem-mudancas-reais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/23\/feministas-venezuelanas-sacodem-redes-sociais-e-pedem-mudancas-reais\/","title":{"rendered":"Feministas venezuelanas sacodem redes sociais e pedem mudan\u00e7as reais"},"content":{"rendered":"<p>Com alguns anos de atraso, um movimento feminista organizado e robusto surgiu na Venezuela. Depois do #MeToo norte-americano, do #NiUnaMenos e tantos outros na Am\u00e9rica Latina. E, como toda organiza\u00e7\u00e3o que defende, em meio \u00e0 ditadura de Nicol\u00e1s Maduro, direitos civis e humanos, enfrenta imensas dificuldades.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Uma delas vem de parte da pr\u00f3pria oposi\u00e7\u00e3o ao regime. H\u00e1, entre os mais engajados, os que questionam como \u00e9 poss\u00edvel que, ante a tamanha crise humanit\u00e1ria, fome, escassez de rem\u00e9dios e pandemia, as feministas agora queiram levantar a voz e pedir respeito a seus direitos como uma prioridade? Pois \u00e9, d\u00e1 at\u00e9 pregui\u00e7a de explicar. Mas, por fim, a uni\u00e3o de v\u00e1rias delas tem falado mais alto, mostrando que, especialmente por conta da crise humanit\u00e1ria, lutar pelas causas de g\u00eanero \u00e9 t\u00e3o necess\u00e1rio como pedir elei\u00e7\u00f5es livres.<\/p>\n<p>O movimento venezuelano se chama &#8220;YoTeCreo&#8221; e, ainda que tenha realizado alguns eventos presenciais, ganhou sua principal for\u00e7a nas redes sociais. Primeiro, porque estamos numa pandemia. Segundo, porque os abusos contra as mulheres venezuelanas agora ocorrem em v\u00e1rios pa\u00edses, desde que a di\u00e1spora come\u00e7ou. Hoje s\u00e3o quase 6 milh\u00f5es de venezuelanos (ONU) que migraram, e muitos deles est\u00e3o vivendo em pa\u00edses da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Em alguns casos, tanto predador como v\u00edtima s\u00e3o imigrantes, e o abuso ocorre fora da Venezuela. Como ocorreu com o escritor venezuelano Willy McKey, acusado de abuso por v\u00e1rias mulheres. Depois de admitir a veracidade das acusa\u00e7\u00f5es contra ele, McKey acabou matando-se, saltando do nono andar de um pr\u00e9dio em Buenos Aires. O caso levantou pol\u00eamica dentro e fora da Venezuela, com acusa\u00e7\u00f5es de seus amigos de que as mulheres o haviam levado a suicidar-se.<\/p>\n<p>O &#8220;YoTeCreo&#8221; surgiu com for\u00e7a na Venezuela em 19 de abril, quando um grupo de mulheres come\u00e7ou a postar experi\u00eancias de abusos sexuais por parte de amigos, familiares ou figuras p\u00fablicas. Foi como uma avalanche, e logo as den\u00fancias j\u00e1 eram milhares. As principais plataformas s\u00e3o o Instagram e o Twitter.<\/p>\n<p>Assim como no tr\u00e1gico caso de McKey, h\u00e1 v\u00e1rias den\u00fancias contra artistas, como o m\u00fasico Alejandro Soto, da banda Los Colores, ou Tony Maestracci, da Tomates Fritos. A maioria dos casos, por\u00e9m, indica abusos vindos de distintos lados, e centenas apontam a companheiros, familiares ou amigos pr\u00f3ximos.<\/p>\n<p>H\u00e1 l\u00edderes do movimento em Caracas e na Cidade do M\u00e9xico que agora enfrentam o desafio. Deixar que as redes sejam o tribunal das den\u00fancias? N\u00e3o parece ser uma boa ideia. E o caso de McKey \u00e9 exemplar. Se em vez de ser torpedeado pela internet, fosse levado \u00e0 Justi\u00e7a, n\u00e3o estaria morto, mas pagando por seus crimes como se deve, enfrentando um tribunal e, eventualmente, sendo condenado.<\/p>\n<p>O dilema \u00e9, a que institui\u00e7\u00e3o levar as den\u00fancias? As feministas do &#8220;YoTeCreo&#8221; baseadas em Caracas t\u00eam vis\u00f5es contradit\u00f3rias. H\u00e1 as que acreditam que vale levar os casos para a Justi\u00e7a do regime chavista, mesmo sabendo de sua inoper\u00e2ncia, da falta de credibilidade desta institui\u00e7\u00e3o e do fato de que muitas delegacias tratam mal as mulheres e menosprezam casos de viol\u00eancia de g\u00eanero. Outras, creem que os casos devem ser ecoados na internet apenas, exercendo press\u00e3o pelo &#8220;cancelamento&#8221; do agressor.<\/p>\n<p>A atriz Grecia Augusta Rodr\u00edguez, por exemplo, levou uma acusa\u00e7\u00e3o ao Minist\u00e9rio P\u00fablico, e instou, vias redes sociais, que as demais fa\u00e7am o mesmo e que pressionem as autoridades. H\u00e1 as que creem que \u00e9 a estrat\u00e9gia correta, outras que j\u00e1 n\u00e3o creem na possibilidade de ter uma resposta de um Estado falido, que sequer tem dado aten\u00e7\u00e3o ao colapso sanit\u00e1rio do pa\u00eds ante a pandemia do coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Das pr\u00f3prias redes, surgiram outras propostas. Por exemplo, um grupo de venezuelanas que est\u00e1 no M\u00e9xico vem recopilando casos, por ora locais, ocorridos com v\u00edtimas venezuelanas, para levar a autoridades mexicanas, e estimulando que isso tamb\u00e9m seja feito nos outros pa\u00edses em que as venezuelanas estejam. \u00c9 um paliativo, n\u00e3o resolve a quest\u00e3o de g\u00eanero na Venezuela, mas come\u00e7a a mover as pe\u00e7as do jogo e a dar for\u00e7a a essas vozes.<\/p>\n<p>Levantamentos de ONGs locais venezuelanas d\u00e3o conta de que de cada 10 delitos contra mulheres denunciados \u00e0s autoridades, nove ficam impunes. Desde 2015, o regime deixou de publicar cifras oficiais sobre a viol\u00eancia contra a mulher no pa\u00eds. Segundo ONGs, em 2019, houve 167 feminic\u00eddios. Em 2020, 256. O salto entre um ano e outro \u00e9 de mais de 50%, e mostra como as medidas de quarentena incrementaram os casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>Entre as agress\u00f5es contra as mulheres venezuelanas est\u00e3o, tamb\u00e9m, a falta de acesso \u00e0 sa\u00fade e ao acompanhamento da gravidez. Uma legisla\u00e7\u00e3o sobre o aborto sequer \u00e9 pauta de debate na nova Assembleia Nacional, controlada pelo chavismo.<\/p>\n<p>A oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura abra\u00e7a as causas feministas. Por\u00e9m, se mal tem conseguido jogar nesse campo inclinado com a ditadura pela realiza\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es livres, os opositores acabam deixando as causas de g\u00eanero num perigoso limbo, onde as mulheres continuam sendo v\u00edtimas de mais abusos.<\/p>\n<p>As mulheres se cansaram, e a hashtag #YoTeCreo est\u00e1 no ar. As mulheres est\u00e3o saindo da letargia causada pela grave crise do pa\u00eds e organizando-se em torno de suas bandeiras. Porque, ainda que outros digam que n\u00e3o s\u00e3o a prioridade neste momento, elas sabem que sim, o s\u00e3o.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/1806737\/feministas-venezuelanas-sacodem-redes-sociais-e-pedem-mudancas-reais?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com alguns anos de atraso, um movimento feminista organizado e robusto surgiu na Venezuela. 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