{"id":132524,"date":"2023-07-06T20:11:13","date_gmt":"2023-07-06T23:11:13","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/07\/06\/desmatamento-na-amazonia-em-junho-volta-a-niveis-pre-bolsonaro-enquanto-queimadas-preocupam\/"},"modified":"2023-07-06T20:11:13","modified_gmt":"2023-07-06T23:11:13","slug":"desmatamento-na-amazonia-em-junho-volta-a-niveis-pre-bolsonaro-enquanto-queimadas-preocupam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/07\/06\/desmatamento-na-amazonia-em-junho-volta-a-niveis-pre-bolsonaro-enquanto-queimadas-preocupam\/","title":{"rendered":"Desmatamento na Amaz\u00f4nia em junho volta a n\u00edveis pr\u00e9-Bolsonaro enquanto queimadas preocupam"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP E BRAS\u00cdLIA, DF (FOLHAPRESS) &#8211; O desmatamento na Amaz\u00f4nia registrado em junho foi o mais baixo dos \u00faltimos cinco anos, com 663 km\u00b2. Este \u00e9 o registro mais baixo desde 2018 (488,1 km\u00b2), antes de Jair Bolsonaro (PL) assumir a presid\u00eancia. Na compara\u00e7\u00e3o com 2022, houve redu\u00e7\u00e3o de 41% na \u00e1rea desmatada para o bioma.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>No cerrado, a queda foi de 14,6% em rela\u00e7\u00e3o ao junho do ano passado, com 867 km\u00b2 desmatados. O n\u00famero positivo vem depois de uma alta de 83% registrada em maio.<\/p>\n<p>Os dados do Deter, sistema do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que re\u00fane informa\u00e7\u00f5es para o combate ao desmate quase em tempo real, foram divulgados nesta quinta-feira (6) pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e das Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O acumulado no primeiro semestre do ano nos dois biomas chega a mais de 7.000 km\u00b2, equivalente a cerca de 4,5 vezes a \u00e1rea da cidade de S\u00e3o Paulo (1.521 km\u00b2). Enquanto na Amaz\u00f4nia, foram destru\u00eddos 2.649 km\u00b2 de floresta, taxa mais baixa desde 2020 (3.081 km\u00b2), o cerrado perdeu 4.408 km\u00b2 de vegeta\u00e7\u00e3o -o \u00edndice mais alto j\u00e1 registrado pelo Deter.<\/p>\n<p>O n\u00famero ficou cerca de 20% acima do recorde anterior, de 2018, quando o desmate no bioma passou de 3.774 km\u00b2.<\/p>\n<p>&#8220;Quando chegamos aqui sab\u00edamos do desafio de fazer esse esfor\u00e7o considerando a complexidade e a diferen\u00e7a de 2003 para 2023, e que t\u00ednhamos que dar respostas&#8221;, afirmou a ministra Marina Silva sobre a diferen\u00e7a do cen\u00e1rio encontrado em sua primeira passagem pela pasta, dez anos atr\u00e1s, em compara\u00e7\u00e3o com a gest\u00e3o atual.<\/p>\n<p>Marina ressaltou que a queda no desmatamento \u00e9, na sua vis\u00e3o, resultado da uni\u00e3o entre a capacidade da equipe do minist\u00e9rio junto com uma decis\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>&#8220;A decis\u00e3o do presidente Lula de assumir como pol\u00edtica de governo a continuidade da ideia de que a politica ambienta brasileira ser\u00e1 uma politica transversal&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;O que n\u00f3s temos aqui \u00e9 o resultado dessa a\u00e7\u00e3o emergencial&#8221;, completou.<\/p>\n<p>Mato Grosso ultrapassou o Par\u00e1 como l\u00edder de desmatamento da Amaz\u00f4nia, no primeiro semestre, com 905 km\u00b2 contra 746 km\u00b2 de \u00e1rea derrubada -34% e 28% do total, respectivamente. O estado do Amazonas vem na sequ\u00eancia, com 553 km\u00b2 e 21%.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio-executivo da pasta, Jo\u00e3o Paulo Capobianco, afirma que a queda no desmatamento s\u00f3 n\u00e3o foi maior em raz\u00e3o da &#8220;heran\u00e7a&#8221; do governo de Jair Bolsonaro (PL), uma vez que durante sua gest\u00e3o houve uma explos\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o da floresta.<\/p>\n<p>&#8220;Recebemos a Amaz\u00f4nia em tend\u00eancia de alta acelerada de 54%&#8221;, afirmou Capobianco sobre o cen\u00e1rio encontrado quando o governo Lula (PT) assumiu o poder. &#8220;O esfor\u00e7o de reverter a curva de crescimento foi atingido&#8221;, completou, diante disso.<\/p>\n<p>Os registros do Deter para o cerrado come\u00e7aram em maio de 2018 e em agosto de 2015 para a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>O Deter mapeia e emite alertas de desmate com o objetivo de orientar a\u00e7\u00f5es do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis) e outros \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o. Os resultados representam um alerta precoce, mas n\u00e3o s\u00e3o o dado fechado do desmatamento.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros oficiais s\u00e3o de outro sistema do Inpe, o Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal por Sat\u00e9lite), e s\u00e3o divulgados duas vezes ao ano.<\/p>\n<p>Marcio Astrini, secret\u00e1rio-executivo do Observat\u00f3rio do Clima, rede que re\u00fane mais de 90 organiza\u00e7\u00f5es socioambientais, avalia que a redu\u00e7\u00e3o do desmatamento na Amaz\u00f4nia \u00e9 um sinal de compromisso governamental com a \u00e1rea ambiental.<\/p>\n<p>&#8220;Existem opera\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas e planejadas sendo feitas em \u00e1reas sens\u00edveis, em terras ind\u00edgenas, unidades de conserva\u00e7\u00e3o, no arco do desmatamento&#8221;, afirma ele, destacando o uso da intelig\u00eancia para aumentar a efici\u00eancia na aplica\u00e7\u00e3o destas a\u00e7\u00f5es. &#8220;Isso \u00e9 important\u00edssimo, porque para essa \u00e1rea de fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental o governo ainda tem um d\u00e9ficit muito grande de fiscais de campo e de capacidade operacional.&#8221;<\/p>\n<p>Para Yuri Salmona, diretor-executivo do Instituto Cerrados, o recorde registrado no bioma no primeiro semestre pode estar associado a uma soma de fatores.<\/p>\n<p>O primeiro seria a sinaliza\u00e7\u00e3o dada pelo governo Lula, especialmente pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, de que a fiscaliza\u00e7\u00e3o seria intensificada. Ele diz acreditar que isso pode ter incentivado uma corrida para desmatar.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 poss\u00edvel que as a\u00e7\u00f5es de endurecimento do controle do desmatamento na Amaz\u00f4nia estejam empurrando desmatadores para o cerrado&#8221;, avalia. Ele acrescenta que pode haver, ainda, um crescimento motivado pelo temor de um eventual endurecimento na concess\u00e3o das autoriza\u00e7\u00f5es de supress\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No cerrado, \u00e9 poss\u00edvel desmatar at\u00e9 80% de propriedades privadas (ou at\u00e9 65% em \u00e1reas de transi\u00e7\u00e3o para floresta amaz\u00f4nica), enquanto na Amaz\u00f4nia o limite \u00e9 de 20%. Essa quest\u00e3o \u00e9 vista por ele como central para o avan\u00e7o do desmate na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s precisamos que o mesmo rigor aplicado para a Amaz\u00f4nia seja aplicado para o cerrado. Caso contr\u00e1rio, a mensagem \u00e9 que o cerrado \u00e9 um bioma de sacrif\u00edcio&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que o desmatamento caiu, as queimadas dispararam em junho no Brasil.<\/p>\n<p>Na Amaz\u00f4nia, foram registrados 3.075 focos de inc\u00eandio -maior \u00edndice desde 2007, quando a marca chegou a 3.519. No cerrado, o m\u00eas teve 4.472 focos, o mais alto n\u00famero desde 2010, em que o \u00edndice registrado foi de 6.443 focos.<\/p>\n<p>O crescimento na Amaz\u00f4nia para o m\u00eas chegou a 20% em rela\u00e7\u00e3o a 2022 e no cerrado a alta foi de 5,4%.<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o de outro sistema do Inpe, o BDQueimadas, que usa imagens de sat\u00e9lite para detectar ocorr\u00eancias de fogo com mais de 30 m\u00b2.<\/p>\n<p>&#8220;Ou seja, n\u00e3o \u00e9 porque algu\u00e9m acendeu uma fogueirinha de S\u00e3o Jo\u00e3o ou uma churrasqueira no fundo do quintal que o sat\u00e9lite vai detectar&#8221;, diz o pesquisador do Inpe Alberto Setzer, que atua no projeto, citando exemplos que normalmente s\u00e3o usados para tentar desacreditar esse tipo de dado. &#8220;Ningu\u00e9m est\u00e1 detectando coisas que n\u00e3o s\u00e3o queimadas.&#8221;<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, a ferramenta funciona com o Deter, emitindo alertas que podem ser usados por equipes de fiscaliza\u00e7\u00e3o e controle do fogo.<\/p>\n<p>O clima \u00e9 um fator que colabora para que grandes inc\u00eandios florestais aconte\u00e7am, j\u00e1 que o fogo depende de condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para se espalhar com maior facilidade: tempo seco, altas temperaturas e vento. Em ambos os biomas, esse cen\u00e1rio \u00e9 mais comum no segundo semestre -o pico costuma se concentrar nos meses de agosto, setembro e outubro.<\/p>\n<p>O pesquisador avalia que o cen\u00e1rio de junho \u00e9 preocupante e aponta que a chegada do El Ni\u00f1o indica que 2023 ser\u00e1 um ano complicado. &#8220;Quando ele ocorre de forma intensa, n\u00f3s temos muito mais chuva no sul do pa\u00eds e na Amaz\u00f4nia acontece o contr\u00e1rio, com uma estiagem mais prolongada e com temperaturas mais altas. Ent\u00e3o, o El Ni\u00f1o favorece uma temporada cr\u00edtica de queimadas.&#8221;<\/p>\n<p>O cientista aponta que uma explica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para esses n\u00fameros pode estar em legisla\u00e7\u00f5es estaduais. &#8220;O Mato Grosso, por exemplo, baixou decreto proibindo as queimas a partir de 1o de julho. Ent\u00e3o, o pessoal tentou queimar em junho o que podia&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Outro ponto que tamb\u00e9m tem fundamento \u00e9 que no ano passado houve muito desmatamento, tanto no Cerrado quanto na Amaz\u00f4nia, [com os desmatadores] j\u00e1 prevendo essas mudan\u00e7as na fiscaliza\u00e7\u00e3o e no controle ambiental. Ent\u00e3o, essas queimadas agora de junho seriam o reflexo do desmatamento mais intenso de 2022&#8221;, explica.<\/p>\n<p>O Mato Grosso foi respons\u00e1vel por 28,4% de todos os focos de inc\u00eandio registrados no Brasil em junho, com 2.447 ocorr\u00eancias.<\/p>\n<p>No dia 8 de maio, foi publicado um decreto estadual limitando o per\u00edodo de autoriza\u00e7\u00e3o para queimadas at\u00e9 1\u00b0 de julho -naquele m\u00eas, o n\u00famero de focos mais do que dobrou, chegando a 1.666, ap\u00f3s 644 terem sido registrados em abril. A alta foi de 158%.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/2038790\/desmatamento-na-amazonia-em-junho-volta-a-niveis-pre-bolsonaro-enquanto-queimadas-preocupam?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP E BRAS\u00cdLIA, DF (FOLHAPRESS) &#8211; O desmatamento na Amaz\u00f4nia registrado em junho<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":132525,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-132524","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132524","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=132524"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/132524\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/132525"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=132524"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=132524"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=132524"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}