{"id":129471,"date":"2023-06-14T16:08:21","date_gmt":"2023-06-14T19:08:21","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/06\/14\/total-de-deslocados-no-mundo-e-recorde-e-supera-110-milhoes-de-pessoas\/"},"modified":"2023-06-14T16:08:21","modified_gmt":"2023-06-14T19:08:21","slug":"total-de-deslocados-no-mundo-e-recorde-e-supera-110-milhoes-de-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/06\/14\/total-de-deslocados-no-mundo-e-recorde-e-supera-110-milhoes-de-pessoas\/","title":{"rendered":"Total de deslocados no mundo \u00e9 recorde e supera 110 milh\u00f5es de pessoas"},"content":{"rendered":"<p>O total de pessoas em todo o mundo que tiveram que fazer deslocamentos for\u00e7ados \u2013 seja por guerras, persegui\u00e7\u00f5es ou para fugir de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos \u2013 era de 108,4 milh\u00f5es ao final de 2022. Hoje, o n\u00famero recorde supera os 110 milh\u00f5es. Proporcionalmente, 1 em cada 74 pessoas foi obrigada a deixar seu lar, pelas raz\u00f5es como as citadas.<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o do relat\u00f3rio Tend\u00eancias Globais, divulgado hoje (14) pelo Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados (Acnur) e indicam que o n\u00famero mais que dobrou na compara\u00e7\u00e3o com o cen\u00e1rio de 2013, quando 51 milh\u00f5es de pessoas se encontravam nessa condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Da parcela registrada ao final do ano passado, a maioria era de deslocados internos (dentro do pr\u00f3prio pa\u00eds), 62,5 milh\u00f5es. O relat\u00f3rio indica ainda que 5,7 milh\u00f5es de pessoas nessa situa\u00e7\u00e3o conseguiram retornar a suas casas, em 2022. O deslocamento interno \u00e9 um fen\u00f4meno que ocorre em pa\u00edses como o Congo, por exemplo.\u00a0<\/p>\n<p>Outros agrupamentos que compuseram a conta do Acnur eram os\u00a035,3 milh\u00f5es de refugiados, os 5,4 milh\u00f5es de solicitantes de asilo e, ainda, os 5,2 milh\u00f5es de pessoas com necessidade de prote\u00e7\u00e3o internacional. Um conjunto de apenas tr\u00eas pa\u00edses concentra 67% dos refugiados: a S\u00edria (6,5 milh\u00f5es), o Afeganist\u00e3o e a Venezuela (5,2 milh\u00f5es cada).<\/p>\n<p>Outro dado diz respeito \u00e0 vulnerabilidade de crian\u00e7as no contexto do deslocamento for\u00e7ado. Elas representam 40% dos deslocados, embora sejam somente 30% da popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio colabora para derrubar parte importante do imagin\u00e1rio sobre as v\u00edtimas de deslocamento for\u00e7ado que, supostamente, iriam para pa\u00edses mais ricos. Conforme o levantamento, o que se constata \u00e9 que 70% deixam suas caras e v\u00e3o viver em pa\u00edses vizinhos ao de origem, sendo a Turquia, o Ir\u00e3, a Col\u00f4mbia e a Alemanha os principais pa\u00edses de destino. A maioria fixa resid\u00eancia em pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um pouco um mito que a maioria dos refugiados vai para ocidente ou para o norte. A maioria fica na regi\u00e3o de origem ou em pa\u00edses vizinhos&#8221;, observa o representante do Acnur no Brasil, Davide Torzilli.<\/p>\n<p>O Acnur destaca nesta edi\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio que o ano passado teve alta de 35% na quantidade de refugiados, na compara\u00e7\u00e3o com 2021. Cerca de 5 milh\u00f5es de pessoas conseguiram <em>status<\/em> de refugiadas, em 2022, e, atualmente, 5,4 milh\u00f5es ainda aguardam a decis\u00e3o sobre o pedido de reconhecimento dessa condi\u00e7\u00e3o. No ano passado, o n\u00famero de pedidos do tipo aumentou 35% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior (2021), passando de 1,7 milh\u00f5es para 2,6 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>O representante da ag\u00eancia no Brasil atribui o crescimento a conflitos e guerras, al\u00e9m do impacto da abertura das fronteiras, depois da pandemia de covid-19, diz Torzilli, para quem \u00e9 necess\u00e1rio que se pense em pol\u00edticas p\u00fablicas para os pa\u00edses que fazem as acolhidas.<\/p>\n<p>O Acnur calcula ainda que 339,3 mil pessoas voltaram a seus pa\u00edses de origem em 2022 e, para cada pessoa que voltou, outras 22 se tornaram refugiadas. Atualmente, 1,5 milh\u00e3o de pessoas refugiadas precisam ser reassentadas, o que indica que esse tipo de demanda sofreu um incremento de 99%, em rela\u00e7\u00e3o a 2021.<\/p>\n<p>A presidenta do Comit\u00ea Nacional para os Refugiados (Conare), Sheila de Carvalho, defende que pol\u00edticas p\u00fablicas devem ser formuladas combinando fatores como acesso humanit\u00e1rio, seguran\u00e7a dos deslocados e a\u00e7\u00f5es de integra\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica.<\/p>\n<p>Segundo ela, o Brasil tem, atualmente, a maior fila da hist\u00f3ria de pedidos de reconhecimento da condi\u00e7\u00e3o de refugiado. &#8220;Quase 100 mil j\u00e1 foram analisados, mas, a cada m\u00eas, ingressam outros 5 mil.&#8221;<\/p>\n<p>Um dos aspectos que devem ser levados em conta, para Sheila, \u00e9 a multiplicidade de perfis das pessoas em deslocamento for\u00e7ado:<\/p>\n<p>&#8220;A gente est\u00e1 falando de diferentes trajet\u00f3rias, que podem, sim, contribuir para a forma\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento desse pa\u00eds. E a gente, ao n\u00e3o possibilitar esse acesso, est\u00e1 limitando nosso crescimento enquanto na\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Para a presidenta do Conare, os n\u00fameros em todo o mundo devem subir: &#8220;os n\u00fameros n\u00e3o v\u00e3o se reduzir. A tend\u00eancia \u00e9 de que esses deslocamentos aumentem, de que os conflitos aumentem. Eu costumo brincar que a gente n\u00e3o sabe de onde vai vir esse fluxo, mas sabe que vai vir.&#8221;.<\/p>\n<p>Dados do Perfil Socioecon\u00f4mico dos Refugiados no Brasil, divulgado em 2019, pelo Acnur, em conjunto com a Universidade de Bras\u00edlia e a C\u00e1tedra S\u00e9rgio Vieira de Mello mostram que a maioria dos refugiados tem n\u00edvel superior ou at\u00e9 chegou a cursar uma p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Contudo, a dificuldade para revalidar seus diplomas universit\u00e1rios no pa\u00eds continua sendo um obst\u00e1culo para arranjar um emprego alinhado \u00e0 sua \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o e, consequentemente, ter um sal\u00e1rio mais alto.<\/p>\n<p>A mo\u00e7ambicana e ativista de direitos humanos Lara Lopes foi v\u00edtima desse gargalo que ainda exige aten\u00e7\u00e3o e provid\u00eancias do poder p\u00fablico. Ela chegou h\u00e1 20 anos ao Brasil, em 2003, destino que escolhido depois de assistir a uma novela. Lara conta que enfrentou dificuldades para validar seu diploma de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o e teve que desistir disso, precisando completar um novo ciclo de forma\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s ter sua trajet\u00f3ria da universidade descartada, chegou a trabalhar como camareira, fun\u00e7\u00e3o abaixo de seu n\u00edvel de ensino: &#8220;percebi que precisava estudar de novo. E estudei.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Infelizmente, n\u00f3s refugiados encontramos certas dificuldades, por conta do estigma dessa palavra. As pessoas t\u00eam uma percep\u00e7\u00e3o bastante complexa em rela\u00e7\u00e3o a isso, aos motivos que fazem com que as pessoas se tornem refugiadas. Nunca sofri preconceito pela minha orienta\u00e7\u00e3o sexual, mas sim pelo motivo que me trouxe ao Brasil, por essa palavra. Por mais que voc\u00ea tente explicar, a pessoa se recusa a aceitar.&#8221;<\/p>\n<p>Apesar de tudo, Lara comemora o fato de poder exercer livremente sua orienta\u00e7\u00e3o sexual no Brasil, juntamente com outros conterr\u00e2neos do continente africano presentes na Parada do Orgulho LGBT, em S\u00e3o Paulo, no final de semana passado. &#8220;Mo\u00e7ambique n\u00e3o tem uma lei que criminalize, mas tamb\u00e9m n\u00e3o tem pol\u00edticas que protejam.&#8221;<\/p>\n<p>Com a venezuelana Francis Salazar aconteceu praticamente o mesmo. Formada em direito e administra\u00e7\u00e3o de empresas, ela trabalhou, inicialmente, como dom\u00e9stica e em restaurantes no Brasil, onde chegou h\u00e1 cinco anos. Ela conta que assumiu o cargo de vigia e, ap\u00f3s seis meses, foi promovida para secret\u00e1ria. Teve o desempenho reconhecido novamente, tornou-se a profissional respons\u00e1vel pela gest\u00e3o de um pr\u00e9dio e hoje trabalha com <em>accountability<\/em>.\u00a0<\/p>\n<p>M\u00e3e solo, Francis deixou dois filhos para tr\u00e1s, que agora est\u00e3o aqui. Ela faz um apelo aos cidad\u00e3os de pa\u00edses que costumam receber refugiados para melhorarem sua percep\u00e7\u00e3o sobre eles, porque quem est\u00e1 nessa condi\u00e7\u00e3o geralmente trabalha com uma disposi\u00e7\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o fora do comum: &#8220;somos o suporte da casa, completo.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 Omid Ahmad Khalid \u00e9 exce\u00e7\u00e3o, quando se pensa em aproveitamento de habilidades. Ele \u00e9 refugiado do Afeganist\u00e3o e buscou acolhimento no Brasil com sua esposa e seu filho h\u00e1 cerca de nove meses. O casal atua, hoje, como mediador cultural do Acnur. Omid \u00e9 formado em administra\u00e7\u00e3o de empresas e poliglota, dominando sete idiomas.\u00a0<\/p>\n<p>Essa n\u00e3o foi a primeira vez que Khalid teve que deixar seu pa\u00eds, por causa da guerra. Ele se recorda de que, quando era crian\u00e7a, teve que se mudar, com familiares, para o Ir\u00e3. &#8220;A gente teve bastante problemas l\u00e1. Mas, aqui no Brasil, agora, n\u00e3o tem nenhum&#8221;, diz.\u00a0<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/2030802\/total-de-deslocados-no-mundo-e-recorde-e-supera-110-milhoes-de-pessoas?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O total de pessoas em todo o mundo que tiveram que fazer deslocamentos for\u00e7ados \u2013<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":129472,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-129471","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129471","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=129471"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/129471\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/129472"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=129471"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=129471"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=129471"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}