{"id":12661,"date":"2021-05-20T06:10:25","date_gmt":"2021-05-20T09:10:25","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/20\/por-que-uma-animacao-que-resgata-a-primavera-arabe-viralizou-no-youtube\/"},"modified":"2021-05-20T06:10:25","modified_gmt":"2021-05-20T09:10:25","slug":"por-que-uma-animacao-que-resgata-a-primavera-arabe-viralizou-no-youtube","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/20\/por-que-uma-animacao-que-resgata-a-primavera-arabe-viralizou-no-youtube\/","title":{"rendered":"Por que uma anima\u00e7\u00e3o que resgata a Primavera \u00c1rabe viralizou no YouTube"},"content":{"rendered":"<p>WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) &#8211; A popula\u00e7\u00e3o de Alephia se cansou de seu ditador. Depois de d\u00e9cadas de opress\u00e3o, decidiu ir \u00e0s ruas e exigir uma mudan\u00e7a. Em \u00e1rabe, eles gritam coisas como &#8220;o povo quer derrubar o regime&#8221;.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o se parece tanto com aquela vista h\u00e1 dez anos em alguns pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio, na apelidada Primavera \u00c1rabe, que \u00e9 f\u00e1cil se esquecer de que Alephia nem existe. \u00c9 a na\u00e7\u00e3o fict\u00edcia retratada pelo filme de anima\u00e7\u00e3o liban\u00eas &#8220;Alephia 2053&#8221;, que se passa num futuro dist\u00f3pico.<\/p>\n<p>O desenho estreou h\u00e1 dois meses no YouTube. Visto mais de 8 milh\u00f5es de vezes desde ent\u00e3o, se tornou um desses cl\u00e1ssicos instant\u00e2neos. N\u00e3o s\u00f3 pelo assunto urgente, mas tamb\u00e9m por seu ineditismo. H\u00e1 raras anima\u00e7\u00f5es em \u00e1rabe, da mesma forma que h\u00e1 poucos filmes de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica nessa l\u00edngua -e menos ainda retratando distopias.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea olhar para a ind\u00fastria do entretenimento na regi\u00e3o, ver\u00e1 que temos centenas de horas de filmes falando sobre o nosso passado glorioso, sobre como as coisas eram&#8221;, afirma o produtor-executivo Rabi&#8217; Sweidan.<\/p>\n<p>Um exemplo desse cinema de vi\u00e9s hist\u00f3rico \u00e9 o franco-eg\u00edpcio &#8220;O Destino&#8221;, de Youssef Chahine, filme de 1997 ambientado no s\u00e9culo 12. H\u00e1 tamb\u00e9m longas de sucesso sobre o presente, como o liban\u00eas &#8220;Caramelo&#8221;, de 2007, obra de Nadine Labaki. &#8220;Mas n\u00e3o temos nada sobre o futuro. Isso ainda n\u00e3o tinha sido feito, e decidimos tentar&#8221;, diz Sweidan.<\/p>\n<p>O cineasta e seus colegas -entre eles o diretor Jorj Abou Mhaya, o produtor Marwan Harb e o roteirista Bassem Breish- criaram dessa maneira a tenebrosa Alephia. Constru\u00edram um mundo de cores amareladas, soturno, de becos vazios e com c\u00e2meras impass\u00edveis a tudo vigiar. Sentaram um ditador voluntarioso no trono, protegido por todo um aparato de seguran\u00e7a violento e corrupto.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria que eles contam \u00e9 a de um grupo de rebeldes que tentam derrubar o ditador de Alephia do poder. Sabotando a infraestrutura da na\u00e7\u00e3o, por exemplo, e tamb\u00e9m instigando o povo a protestar nas ruas, mesmo exposto \u00e0 viol\u00eancia das for\u00e7as de seguran\u00e7a. \u00c9 numa dessas cenas de protesto que &#8220;Alephia 2053&#8221; resgata um dos grandes lemas da Primavera \u00c1rabe, o brado &#8220;o povo quer derrubar o regime&#8221;.<\/p>\n<p>O filme, segundo o produtor-executivo, toca em quest\u00f5es universais. &#8220;Alephia 2053&#8221; explora, por exemplo, como ditadores usam o sistema de ensino e os ve\u00edculos de imprensa para doutrinar a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A anima\u00e7\u00e3o debate, tamb\u00e9m, a coopta\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o para fins de estado, o papel das mulheres na sociedade e o empoderamento dos indiv\u00edduos-al\u00e9m de temas caros \u00e0 literatura, como a jornada dos her\u00f3is inesperados, aos quais cabe a tarefa de lutar contra for\u00e7as maiores.<\/p>\n<p>Nenhuma dessas quest\u00f5es diz respeito apenas ao Oriente M\u00e9dio, mas o fato de que &#8220;Alephia 2053&#8221; \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o falada em l\u00edngua \u00e1rabe -e o uso de slogans da Primavera \u00c1rabe- faz com que parte do p\u00fablico associe a trama \u00e0quela regi\u00e3o. Em parte, porque est\u00e1 acostumado a ver pa\u00edses de cultura \u00e1rabe no notici\u00e1rio sempre sob essa lente de epis\u00f3dios de viol\u00eancia, terrorismo e intoler\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Mas &#8220;Alephia 2053&#8221; n\u00e3o \u00e9 um filme sobre o Oriente M\u00e9dio, Sweidan insiste. H\u00e1, afinal, exemplos de l\u00edderes autorit\u00e1rios se afastando de institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas em todo o mundo -na Am\u00e9rica do Sul, inclusive. O longa de anima\u00e7\u00e3o, diz, &#8220;\u00e9 sobre todos e sobre ningu\u00e9m ao mesmo tempo&#8221;.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o de n\u00e3o atrelar o filme a um lugar espec\u00edfico explica a l\u00edngua que os personagens falam em &#8220;Alephia 2053&#8221;. Ao contr\u00e1rio do portugu\u00eas ou do ingl\u00eas, existem diversos idiomas \u00e1rabes no mundo. As pessoas costumam falar mais de um deles. O \u00e1rabe formal da literatura e do jornalismo convive lado a lado com dialetos, como o levantino, falado na S\u00edria e no L\u00edbano.<\/p>\n<p>Todos os habitantes da fict\u00edcia Alephia falam uma vers\u00e3o formal do \u00e1rabe, que soa pouco natural a algu\u00e9m habituado \u00e0 vida cotidiana. Isso faz com que pessoas ao redor da regi\u00e3o -do Marrocos ao Iraque- possam entender tudo com mais facilidade. A neutralidade da fala tamb\u00e9m refor\u00e7a a vontade de Sweidan de que o p\u00fablico n\u00e3o associe aquela distopia a nenhum pa\u00eds em especial. Que entenda que a mensagem \u00e9 universal.<\/p>\n<p>Embora a distopia de &#8220;Alephia 2053&#8221; seja uma exce\u00e7\u00e3o no cinema do mundo \u00e1rabe, a literatura j\u00e1 trata desse tema h\u00e1 alguns anos, em especial no Egito. \u00c9 o caso dos romances &#8220;Otared&#8221;, de Mohammed Rabie, e &#8220;Usando a Vida&#8221;, de Ahmed Naji, ambos lan\u00e7ados em 2014. Qui\u00e7\u00e1 o fen\u00f4meno se explique, ali, pela profunda decep\u00e7\u00e3o vivida pela popula\u00e7\u00e3o depois de ter derrubado um regime h\u00e1 uma d\u00e9cada e visto o pa\u00eds rumar de volta ao autoritarismo com o golpe militar de oito anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas est\u00e3o ansiosas no mundo todo&#8221;, diz Sweidan, o produtor. &#8220;E \u00e9 nesse momento que a distopia aparece.&#8221;<\/p>\n<p>O g\u00eanero permite, ele afirma, imaginar o pior que pode acontecer -com a esperan\u00e7a de que nunca aconte\u00e7a. Talvez venha da\u00ed a imagem das pris\u00f5es de Alephia, feitas de vidro para que a popula\u00e7\u00e3o testemunhe a puni\u00e7\u00e3o dos rebeldes.<\/p>\n<p>&#8220;Quisemos retratar o extremo, a banalidade da viol\u00eancia, da tortura, mas esperamos nunca chegar a essa brutalidade transparente.&#8221;<\/p>\n<p>Na superf\u00edcie, o futuro imaginado por Sweidan n\u00e3o parece esperan\u00e7oso. Alephia \u00e9 um lugar horr\u00edvel, empobrecido, autorit\u00e1rio, amarelado. O produtor, no entanto, discorda. H\u00e1 esperan\u00e7a no filme. Porque, apesar de tudo, o povo ainda assim vai \u00e0s ruas. Quer derrubar o regime.<\/p>\n<p>ALEPHIA 2053<br \/>Quando Dispon\u00edvel<br \/>Onde youtu.be\/3IFUBbti4us<br \/>Pre\u00e7o Gratuito<br \/>Produ\u00e7\u00e3o L\u00edbano, 2021<br \/>Dire\u00e7\u00e3o Jorj Abou Mhaya<br \/>Legendas em ingl\u00eas, franc\u00eas, italiano, alem\u00e3o e \u00e1rabe<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1805746\/por-que-uma-animacao-que-resgata-a-primavera-arabe-viralizou-no-youtube?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) &#8211; A popula\u00e7\u00e3o de Alephia se cansou de seu ditador. 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