{"id":123206,"date":"2023-05-05T21:08:52","date_gmt":"2023-05-06T00:08:52","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/05\/05\/pandemia-de-covid-foi-marcada-por-erros-em-serie-e-mortes-que-poderiam-ter-sido-evitadas\/"},"modified":"2023-05-05T21:08:52","modified_gmt":"2023-05-06T00:08:52","slug":"pandemia-de-covid-foi-marcada-por-erros-em-serie-e-mortes-que-poderiam-ter-sido-evitadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/05\/05\/pandemia-de-covid-foi-marcada-por-erros-em-serie-e-mortes-que-poderiam-ter-sido-evitadas\/","title":{"rendered":"Pandemia de Covid foi marcada por erros em s\u00e9rie e mortes que poderiam ter sido evitadas"},"content":{"rendered":"<p>BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) &#8211; Era 30 de janeiro de 2020. A OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade) declarava o novo coronav\u00edrus como emerg\u00eancia de sa\u00fade de import\u00e2ncia internacional. No Brasil, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade fazia uma coletiva de imprensa para informar sobre poss\u00edveis casos em investiga\u00e7\u00e3o e medidas como a amplia\u00e7\u00e3o de leitos de UTI no SUS.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>O que parecia indicar um cen\u00e1rio de prepara\u00e7\u00e3o pr\u00e9via contra a Covid, por\u00e9m, acabou por se transformar ao longo dos \u00faltimos tr\u00eas anos em uma sequ\u00eancia de erros que incluem aus\u00eancia de uma pol\u00edtica organizada de controle da doen\u00e7a, aposta em rem\u00e9dios sem efic\u00e1cia, apag\u00e3o de dados e atrasos na compra de vacinas.<\/p>\n<p>O resultado foram mortes que poderiam ter sido evitadas, apontam especialistas, secret\u00e1rios de sa\u00fade e ex-gestores ouvidos pela reportagem.<\/p>\n<p>Nesta sexta (5), ap\u00f3s quase 7 milh\u00f5es de mortes, a OMS declarou que a Covid-19 n\u00e3o \u00e9 mais uma Emerg\u00eancia de Sa\u00fade P\u00fablica de Import\u00e2ncia Internacional (Espii).<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o elimine os desafios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a, a mudan\u00e7a na classifica\u00e7\u00e3o acaba por dar um novo marco a um dos per\u00edodos de maior impacto na sa\u00fade p\u00fablica do pa\u00eds e do mundo.<\/p>\n<p>Atualmente, o Brasil \u00e9 o segundo pa\u00eds em n\u00famero acumulado de mortes pela Covid, atr\u00e1s apenas dos Estados Unidos. Desde o in\u00edcio da pandemia, s\u00e3o 701 mil mortes. Na pr\u00e1tica, \u00e9 como varrer do mapa uma capital inteira, como Cuiab\u00e1 ou Aracaju, ou at\u00e9 336 cidades de menor porte.<\/p>\n<p>O caminho que levou a esses n\u00fameros foi marcado por trocas de ministros, diverg\u00eancias entre discursos de autoridades sanit\u00e1rias e do ent\u00e3o presidente da Rep\u00fablica e momentos de colapso no sistema de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Ao longo dos \u00faltimos tr\u00eas anos, foram cinco ministros da Sa\u00fade. Os dois primeiros, Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, deixaram o cargo em meio a atritos e diverg\u00eancias com o ent\u00e3o presidente Jair Bolsonaro (PL). No caso de Mandetta, pesou a defesa por medidas como o uso de m\u00e1scaras e isolamento social, o que Bolsonaro era contra. Com Teich, o rev\u00e9s ocorreu com a press\u00e3o do Planalto para a amplia\u00e7\u00e3o da oferta da cloroquina, j\u00e1 na \u00e9poca sem evid\u00eancias contra a Covid.<\/p>\n<p>&#8220;Ele [Bolsonaro] queria que a Sa\u00fade n\u00e3o fizesse regras b\u00e1sicas&#8221;, afirma Mandetta \u00e0 Folha de S.Paulo. &#8220;Depois entraram numa de desfazer a credibilidade do minist\u00e9rio e ridicularizar tudo.&#8221;<\/p>\n<p>Para especialistas, o apagamento do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade -que chegou a ficar quatro meses sem titular oficial- e a aus\u00eancia de um discurso comum a favor de medidas de preven\u00e7\u00e3o foram alguns dos primeiros erros da gest\u00e3o da crise gerada pela Covid no Brasil.<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m consta de dossi\u00ea da Abrasco (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva), que aponta entre as &#8220;falhas graves&#8221; na condu\u00e7\u00e3o da epidemia fatores como baixa testagem e isolamento de casos, desest\u00edmulo ao uso de m\u00e1scaras, promo\u00e7\u00e3o de tratamentos ineficazes, atraso na compra de vacinas e falta de comunica\u00e7\u00e3o unificada.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da omiss\u00e3o, a resposta brasileira foi marcada pela tentativa do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade de deixar de divulgar dados completos do total de casos e mortes pela doen\u00e7a, o que levou \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de um cons\u00f3rcio de ve\u00edculos de imprensa para noticiar os n\u00fameros.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil perdeu a chance de ser um pa\u00eds exemplar no combate ao coronav\u00edrus&#8221;, afirma a pneumologista Margareth Dalcolmo, uma das profissionais de sa\u00fade mais atuantes na pandemia. &#8220;E a raz\u00e3o para isso foi por uma decis\u00e3o pol\u00edtica de ignorar o conhecimento cient\u00edfico.&#8221;<\/p>\n<p>Para ela, houve uma &#8220;tens\u00e3o desnecess\u00e1ria entre a ret\u00f3rica governamental e o papel dos cientistas e da comunidade m\u00e9dica e acad\u00eamica&#8221;.<\/p>\n<p>Frases do ex-presidente se tornaram marcantes nesse contexto. Na pr\u00e1tica, ao mesmo tempo em que estados adotavam diretrizes de isolamento e uso de m\u00e1scaras e hospitais sentiam a press\u00e3o na busca por leitos, Bolsonaro dizia que o poder do coronav\u00edrus estava &#8220;superdimensionado&#8221; e que havia uma &#8220;histeria&#8221; em torno de uma &#8220;gripezinha&#8221;.<\/p>\n<p>Secret\u00e1rio de Sa\u00fade do Rio Grande do Norte desde 2019 e hoje presidente do Conass, que re\u00fane gestores estaduais de sa\u00fade, Cipriano Maia lembra dos impasses do in\u00edcio da pandemia. &#8220;Era um contexto de extrema dificuldade&#8221;, afirma. &#8220;Principalmente por falta de uma coordena\u00e7\u00e3o nacional, negacionismo e confronta\u00e7\u00e3o \u00e0s medidas adotadas pelos estados.&#8221;<\/p>\n<p>Ele cita como exemplo a defesa feita por membros do governo de rem\u00e9dios que faziam parte do chamado &#8220;kit Covid&#8221;, mas que n\u00e3o tinham indica\u00e7\u00e3o para a doen\u00e7a. Exemplo disso \u00e9 que, em junho de 2020, na gest\u00e3o interina do general Eduardo Pazuello, a Sa\u00fade elaborou um protocolo que ampliava a oferta de cloroquina para casos leves da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Uma medida que, embora recha\u00e7ada pela comunidade cient\u00edfica, encontrou eco em uma parte da classe m\u00e9dica e alguns prefeitos. &#8220;Virou uma quest\u00e3o de disputa pol\u00edtica&#8221;, lembra Lorena Barberia, professora de ci\u00eancia pol\u00edtica da USP e membro do Observat\u00f3rio Covid BR.<\/p>\n<p>Ela resume a resposta brasileira \u00e0 emerg\u00eancia da Covid como uma busca por &#8220;solu\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas&#8221; em detrimento de a\u00e7\u00f5es articuladas e que pudessem ser mantidas a longo prazo.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 o fato de que, enquanto insistia na oferta desses medicamentos, o Brasil deixou de aplicar testes capazes de ajudar no rastreio e monitoramento da doen\u00e7a. Metas para amplia\u00e7\u00e3o da testagem, anunciadas ao longo de 2020 e 2021, nunca foram atingidas. Na contram\u00e3o, a pasta chegou a acumular estoque de 1,1 milh\u00e3o de testes prestes a vencer.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 gritante ver que discutimos mais tratamento precoce do que testagem no primeiro ano. Muitas pessoas politizaram muito a resposta, o que inclui hospitais, e houve pr\u00e1ticas criminosas que custaram vidas&#8221;, afirma Barberia, em refer\u00eancia a casos investigados em CPIs.<\/p>\n<p>Para Rosana Onocko, da Abrasco, a aus\u00eancia de uma coordena\u00e7\u00e3o nacional impactou no desempenho da rede de sa\u00fade. &#8220;O SUS foi heroico no sentido de dar respostas, mas poderia ter se sa\u00eddo melhor se tivesse tido um bom comando&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>Maia, do Conass, concorda e v\u00ea na descontinuidade de pol\u00edticas um dos erros mais marcantes no per\u00edodo. &#8220;Isso se agravou com a crise em Manaus, em que v\u00e1rios estados tiveram que acudir, mostrando o descalabro.&#8221;<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, a cidade teve colapso da oferta de oxig\u00eanio, e relatos apontam que os leitos viraram c\u00e2maras de asfixia. Em tentativa de contornar a crise, pacientes foram transferidos para outros estados.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o minist\u00e9rio divulgava um aplicativo que recomendava cloroquina at\u00e9 para beb\u00eas.<\/p>\n<p>O tema foi alvo de questionamentos da CPI da Covid, cujo relat\u00f3rio apontou neglig\u00eancia para evitar o colapso no Amazonas e outros problemas em s\u00e9rie, como irregularidades em negocia\u00e7\u00f5es de vacinas e demora para comprar imunizantes.<\/p>\n<p>Atualmente, a vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 apontada como o principal fator para a redu\u00e7\u00e3o de interna\u00e7\u00f5es e mortes pela Covid.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia, por\u00e9m, come\u00e7ou de forma lenta e restrita. Dados divulgados pela Folha de S.Paulo em 2021 mostram que a gest\u00e3o de Pazuello negou seguidas ofertas de doses de vacinas da Pfizer que poderiam ter iniciado a campanha mais cedo.<\/p>\n<p>Com a sa\u00edda do general em mar\u00e7o de 2021, coube ao sucessor, o cardiologista Marcelo Queiroga, a tarefa de ampliar a vacina\u00e7\u00e3o. Estados, por\u00e9m, ainda reclamam da distribui\u00e7\u00e3o irregular de doses e do impacto de fake news, parte delas estimuladas em falas do ex-presidente, na campanha de imuniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Dalcolmo, o caso \u00e9 um dos paradoxos que marcam a gest\u00e3o da crise da Covid no Brasil. &#8220;Fomos come\u00e7ar a vacina\u00e7\u00e3o em janeiro de 2021, quando, por ter feito estudos de fase 3, poder\u00edamos ter feito precocemente, como em pa\u00edses europeus. E come\u00e7amos num ritmo muito aqu\u00e9m do desej\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n<p>Em 2022, estudo publicado na revista Lancet Regional Health Americas mostrou que 47 mil mortes de idosos por Covid seriam evitadas se a vacina\u00e7\u00e3o come\u00e7asse acelerada.<\/p>\n<p>Avan\u00e7ar em campanhas para recuperar n\u00e3o vacinados \u00e9 um dos desafios que devem persistir independentemente da classifica\u00e7\u00e3o da emerg\u00eancia, segundo especialistas e gestores.<\/p>\n<p>&#8220;O papel da ret\u00f3rica governamental foi extremamente nocivo. Precisaremos de campanhas esclarecedoras&#8221;, afirma Dalcolmo.<\/p>\n<p>Maia, do Conass, concorda. &#8220;No in\u00edcio, vivemos quase uma guerra da vacina, com grupos disputando quem ia vacinar primeiro. Depois, fomos tendo mais vacinas, mas faltou discurso firme e motiva\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o para melhorar a cobertura. \u00c9 um desafio que ainda vai permanecer&#8221;, diz ele, que aponta outros, como o pr\u00f3prio monitoramento da epidemia e a recupera\u00e7\u00e3o de atendimentos represados.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade anunciou para fevereiro uma campanha com a vacina bivalente (que protege contra a variante \u00f4micron) para grupos priorit\u00e1rios, como idosos -em alguns locais, o p\u00fablico apto ao imunizante j\u00e1 foi ampliado. A pasta informou ainda sobre uma campanha publicit\u00e1ria para aumentar a confian\u00e7a na vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/2017028\/pandemia-de-covid-foi-marcada-por-erros-em-serie-e-mortes-que-poderiam-ter-sido-evitadas?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) &#8211; Era 30 de janeiro de 2020. 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