{"id":11794,"date":"2021-05-15T13:09:28","date_gmt":"2021-05-15T16:09:28","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/15\/covid-explode-no-paraguai-e-sistema-de-saude-entra-em-colapso\/"},"modified":"2021-05-15T13:09:28","modified_gmt":"2021-05-15T16:09:28","slug":"covid-explode-no-paraguai-e-sistema-de-saude-entra-em-colapso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/15\/covid-explode-no-paraguai-e-sistema-de-saude-entra-em-colapso\/","title":{"rendered":"Covid explode no Paraguai e sistema de sa\u00fade entra em colapso"},"content":{"rendered":"<p>Com o pai e a m\u00e3e precisando ser internados por um agravamento da Covid-19, Wilson Campusano e sua irm\u00e3 conseguiram, com muito custo, uma vaga para o casal em um hospital do conv\u00eanio. Mas todo o resto teve que vir da renda da fam\u00edlia: a maca em que eles est\u00e3o deitados, medicamentos, \u00e1lcool para desinfetar as m\u00e3os, m\u00e1scaras, refei\u00e7\u00f5es e at\u00e9 um aparelho usado com o cilindro de oxig\u00eanio para ajud\u00e1-los a respirar.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Quem instalou esse dispositivo, ali\u00e1s, foi uma amiga da fam\u00edlia, que \u00e9 dentista, com a ajuda de um v\u00eddeo enviado por outra amiga, m\u00e9dica. Um dos m\u00e9dicos do hospital aproveitou para ver tamb\u00e9m a grava\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que ele precisava instalar em outro paciente e n\u00e3o sabia como faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Juan e Nilda, pais de Wilson, moram em Encarnaci\u00f3n, no sul do Paraguai. O aut\u00f4nomo de 37 anos vive em S\u00e3o Paulo, mas teve que ir para sua terra natal \u00e0s pressas depois que os dois adoeceram. &#8220;O brasileiro se queixa da medicina no Brasil, mas aqui \u00e9 bem pior&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Assim como outros familiares de doentes, ele e a irm\u00e3 fazem as vezes de enfermeiros, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 profissionais suficientes para atender \u00e0 demanda. &#8220;Tem que correr para avisar quando o oxig\u00eanio acaba, quando precisam de algum medicamento&#8221;, diz. Em corredores lotados de pessoas contaminadas, se exp\u00f5em a tamb\u00e9m contrair o pat\u00f3geno, simplesmente porque n\u00e3o h\u00e1 alternativa.<\/p>\n<p>Exemplo positivo na Am\u00e9rica do Sul nos primeiros meses da pandemia, por manter a doen\u00e7a sob controle com regras estritas de isolamento social e fechamento de fronteiras, o Paraguai agora vive seu pior momento da crise sanit\u00e1ria, com r\u00e1pido aumento no n\u00famero de casos e mortes, colapso hospitalar, UTIs com ocupa\u00e7\u00e3o total e fila de pacientes aguardando por leitos.<\/p>\n<p>Nas palavras do diretor de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria local, Guillermo Sequera, o pa\u00eds &#8220;samba no ritmo do Brasil&#8221;. Um dos fatores que agravaram a crise veio justamente daqui: em meados de mar\u00e7o, a variante P.1, identificada em Manaus, j\u00e1 era respons\u00e1vel por mais de 50% dos casos detectados no Paraguai, segundo um estudo.<\/p>\n<p>Nos primeiros meses deste ano, o total de mortes por Covid-19, que supera 5.000, \u00e9 mais do que o dobro das 2.262 mortes de todo o ano passado.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros absolutos podem parecer baixos, mas proporcionalmente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, de 7 milh\u00f5es de pessoas, s\u00e3o preocupantes. O pa\u00eds tem, por exemplo, o segundo maior \u00edndice mundial de mortes di\u00e1rias por milh\u00e3o de habitantes: 11,22, perdendo apenas para o Uruguai.<\/p>\n<p>A m\u00e9dia estava em 80 por dia em 12 de maio -na mesma data do ano passado, era zero, e n\u00e3o passou de 23 ao longo de todo 2020.<\/p>\n<p>&#8220;T\u00ednhamos a pandemia controlada porque nos mantivemos encerrados por sete meses: as atividades n\u00e3o essenciais fecharam, as escolas foram suspensas, diminuiu muito a intera\u00e7\u00e3o entre as pessoas. Nesta quarentena estrita, aproveitamos para melhorar o sistema de sa\u00fade&#8221;, diz Elena Candia, presidente da Sociedade Paraguaia de Infectologia.<br \/>Aos poucos, e pressionado pela crise econ\u00f4mica, o governo relaxou as restri\u00e7\u00f5es at\u00e9 suspend\u00ea-las, em outubro. &#8220;Mas a\u00ed a popula\u00e7\u00e3o entendeu que acabou tamb\u00e9m a pandemia. Abandonaram as medidas de prote\u00e7\u00e3o, foram promovidos encontros de mais de cem pessoas em lugares fechados, atividades n\u00e3o essenciais foram retomadas&#8221;, diz Candia.<\/p>\n<p>Segundo ela, em janeiro e fevereiro, mais de 10 mil paraguaios passaram f\u00e9rias no Brasil. Acredita-se que desta forma a variante P.1 entrou e se espalhou pelo pa\u00eds. Na Semana Santa, v\u00e1rios moradores da capital visitaram familiares no interior, levando o v\u00edrus para cidades que antes tinham poucos casos -e que t\u00eam car\u00eancia de m\u00e9dicos e hospitais. &#8220;E chegamos ao dia de hoje, com o sistema de sa\u00fade totalmente em colapso.&#8221;<\/p>\n<p>No dia da entrevista, quinta-feira (13), Candia informou que havia 150 pacientes esperando por um leito de UTI. Muita gente j\u00e1 morre em casa, sem atendimento. Ainda que o n\u00famero de leitos de terapia intensiva tenha duplicado desde o in\u00edcio da pandemia (de 300 para 630), \u00e9 pouco para dar conta da alta demanda.<\/p>\n<p>Mesmo que mais leitos fossem abertos, n\u00e3o h\u00e1 profissionais suficientes para prestar atendimento. S\u00e3o apenas cem m\u00e9dicos intensivistas no pa\u00eds, a maioria concentrados em Assun\u00e7\u00e3o. Muitos leitos do interior s\u00e3o manejados por m\u00e9dicos que n\u00e3o t\u00eam experi\u00eancia com esse tipo de paciente.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a entrada da variante P1 no pa\u00eds, o perfil dos pacientes cr\u00edticos mudou. Agora, quase 70% dos que ingressam na UTI t\u00eam menos de 60 anos.<\/p>\n<p>&#8220;Seguimos o padr\u00e3o do Brasil. As curvas s\u00e3o similares, o n\u00famero de casos e mortos proporcionalmente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. E n\u00e3o podemos esquecer que temos fronteiras terrestres abertas, o que dificulta ainda mais o controle&#8221;, diz Candia.<\/p>\n<p>As fronteiras com Brasil e Argentina ficaram fechadas por sete meses no ano passado e reabriram em outubro.<\/p>\n<p>Segundo a m\u00e9dica, atualmente o Paraguai n\u00e3o tem um plano de controle da pandemia. Em mar\u00e7o, a situa\u00e7\u00e3o levou a popula\u00e7\u00e3o \u00e0s ruas para protestar contra o presidente Mario Abdo Ben\u00edtez e sua condu\u00e7\u00e3o da crise. O governo chegou a tentar uma quarentena de oito dias durante a Semana Santa, mas n\u00e3o teve efeito no controle da transmiss\u00e3o, afirma a infectologista. A expectativa \u00e9 que, com os encontros familiares no Dia das M\u00e3es local neste s\u00e1bado (15), a situa\u00e7\u00e3o piore.<\/p>\n<p>A vacina\u00e7\u00e3o, que poderia aliviar a crise sanit\u00e1ria, tem ocorrido em um ritmo muito lento. At\u00e9 agora, menos de 1% da popula\u00e7\u00e3o tomou as duas doses.<\/p>\n<p>O pa\u00eds comprou ou recebeu como doa\u00e7\u00e3o imunizantes de v\u00e1rios laborat\u00f3rios, incluindo doses da vacina russa Sputnik V, da indiana Covaxin e as produzidas pela chinesa Sinopharm e pela brit\u00e2nica AstraZeneca. Mas s\u00e3o pouqu\u00edssimas as doses que t\u00eam chegado.<\/p>\n<p>Aliado de Jair Bolsonaro, Abdo Ben\u00edtez reclamou em mar\u00e7o da demora no envio das vacinas pelo cons\u00f3rcio Covax -iniciativa global promovida pela OMS para facilitar o acesso a imunizantes- e pediu ajuda aos pa\u00edses da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O chanceler paraguaio, Euclides Acevedo, chegou a vir ao Brasil para pedir aux\u00edlio ao governo. &#8220;Temos dinheiro, mas n\u00e3o sabemos onde comprar as vacinas. Parece que elas se escondem de n\u00f3s&#8221;, disse Acevedo na ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse contexto, o apoio de Abdo Ben\u00edtez a Taiwan, vista pela China como uma prov\u00edncia rebelde, chegou a ser questionado, por abalar as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com Pequim. Taiwan acusou o governo chin\u00eas de chantagear seu aliado sul-americano com o oferecimento de vacinas em troca do rompimento dessas rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas e, em 22 de abril, doou US$ 16,5 milh\u00f5es a Abdo Ben\u00edtez para financiar a compra de doses da Covaxin.<\/p>\n<p>Enquanto isso, sem acesso a um aux\u00edlio financeiro suficiente que lhes permita ficar em casa e sem vacinas para proteg\u00ea-los, os paraguaios ficam expostos \u00e0 doen\u00e7a. Segundo a previs\u00e3o do Instituto de M\u00e9tricas e Avalia\u00e7\u00e3o de Sa\u00fade (IHME, na sigla em ingl\u00eas) da Universidade de Washington, se nada for feito, o n\u00famero de mortes di\u00e1rias deve dobrar at\u00e9 o fim de maio e chegar a 200 por dia em 12 de junho.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos verdadeiramente esgotados porque n\u00e3o vemos solu\u00e7\u00e3o em curto prazo. Vemos pacientes com muitas necessidades e nos encontramos de m\u00e3os atadas porque muitas vezes n\u00e3o podemos ajudar. \u00c9 muito estressante&#8221;, diz Elena Candia.<\/p>\n<p>Em Encarnaci\u00f3n, Juan e Nilda, pais de Wilson Campusano, lutam para sobreviver. N\u00e3o h\u00e1 vaga de UTI, e as enfermarias tamb\u00e9m est\u00e3o cheias. Alguns hospitais privados cobram o equivalente a R$ 18 mil apenas para internar o paciente, fora di\u00e1rias de R$ 3.000. Mesmo assim est\u00e3o lotados. &#8220;S\u00f3 por milagre de Deus a gente conseguiu essa vaga&#8221;, diz ele.<br \/>Ele est\u00e1 aliviado porque a m\u00e3e conseguir ir para um quarto. J\u00e1 seu pai ainda est\u00e1 no corredor. Perto deles, quem n\u00e3o tem recursos para comprar a pr\u00f3pria maca precisa passar o dia e a noite em cadeiras que trazem de casa.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/1804411\/covid-explode-no-paraguai-e-sistema-de-saude-entra-em-colapso?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o pai e a m\u00e3e precisando ser internados por um agravamento da Covid-19, Wilson<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":11795,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-11794","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11794","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11794"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11794\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11795"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11794"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11794"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11794"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}