{"id":116363,"date":"2023-03-25T15:08:47","date_gmt":"2023-03-25T18:08:47","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/03\/25\/reporter-que-enganou-new-york-times-elogia-imprensa-e-se-diz-arrependido\/"},"modified":"2023-03-25T15:08:47","modified_gmt":"2023-03-25T18:08:47","slug":"reporter-que-enganou-new-york-times-elogia-imprensa-e-se-diz-arrependido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/03\/25\/reporter-que-enganou-new-york-times-elogia-imprensa-e-se-diz-arrependido\/","title":{"rendered":"Rep\u00f3rter que enganou New York Times elogia imprensa e se diz arrependido"},"content":{"rendered":"<p>THIAGO AM\u00c2NCIO<br \/>WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) &#8211; Jayson Blair, 47, ainda acredita nos jornais. O americano que trabalha como &#8220;coach de vida&#8221; assina as vers\u00f5es digitais de New York Times, Washington Post, Boston Globe e Atlanta-Journal Constitution e diz que, ao l\u00ea-los, sabe &#8220;que os rep\u00f3rteres fizeram o melhor que podiam para chegar \u00e0 verdade&#8221;.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Ao contr\u00e1rio dele pr\u00f3prio h\u00e1 20 anos, quando apareceu na capa do New York Times, onde trabalhava \u00e0 \u00e9poca, n\u00e3o por uma reportagem, mas por ter plagiado e fabricado trechos de uma s\u00e9rie de textos.<\/p>\n<p>A primeira p\u00e1gina da edi\u00e7\u00e3o de 11 de maio de 2003 do jornal dizia: &#8220;A fabrica\u00e7\u00e3o e o pl\u00e1gio generalizados representam uma profunda trai\u00e7\u00e3o \u00e0 confian\u00e7a e um ponto baixo nos 152 anos de hist\u00f3ria do jornal&#8221;.<\/p>\n<p>Uma investiga\u00e7\u00e3o interna apontou problemas em 36 dos 73 artigos que Blair escreveu nos oito meses anteriores. Havia c\u00f3pias de trechos de jornais concorrentes, descri\u00e7\u00e3o de cenas que nunca ocorreram e at\u00e9 mat\u00e9rias assinadas de locais para os quais ele n\u00e3o havia viajado.<\/p>\n<p>Duas d\u00e9cadas depois, Blair diz que mudou sua vis\u00e3o sobre o que ocorreu. Na \u00e9poca, abriu fogo. Afirmou que o caso ganhou tamanha propor\u00e7\u00e3o porque ele era negro e creditou o que fez ao transtorno bipolar, que tamb\u00e9m o teria levado a um v\u00edcio em drogas.<\/p>\n<p>Em 2004, menos de um ano depois do esc\u00e2ndalo -palavra que agora ele se diz confort\u00e1vel em usar para se referir ao epis\u00f3dio\u2013, publicou &#8220;Burning Down My Masters&#8217; House &#8211; My Life at the New York Times&#8221; (queimando a casa de meus senhores &#8211; minha vida no New York Times).<\/p>\n<p>Hoje, diz que n\u00e3o v\u00ea &#8220;como o caso seria diferente por causa da ra\u00e7a&#8221; e afirma que quem deu mais peso a isso foi o restante da imprensa, n\u00e3o o New York Times -ele foi contratado, ali\u00e1s, em meio a um esfor\u00e7o para aumentar a diversidade na Reda\u00e7\u00e3o. &#8220;Parte disso foi por minha culpa, eu tinha tanta raiva que joguei a quest\u00e3o da ra\u00e7a na hist\u00f3ria.&#8221;<\/p>\n<p>Em conversa com a Folha por telefone, Blair afirma que o epis\u00f3dio ocorreu &#8220;na alvorada da era da internet&#8221;, per\u00edodo em que a chefia do jornal queria borrar as linhas que separavam impresso do digital. &#8220;Foi uma terr\u00edvel colis\u00e3o de eventos, muita gente era contra, a ponto de alguns editores seniores nem se falarem.&#8221;<br \/>Essa, diz, \u00e9 uma das justificativas para o que fez. &#8220;Tinha medo de pedir ajuda porque achava que nunca teria uma segunda chance e estava apenas tentando ser funcional quando n\u00e3o estava bem mentalmente.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que Blair n\u00e3o chama o que fez de fake news, express\u00e3o que n\u00e3o tinha o mesmo significado \u00e0 \u00e9poca do que o que tem na era p\u00f3s-Donald Trump. &#8220;N\u00e3o fabriquei not\u00edcias para gerar desinforma\u00e7\u00e3o. Nunca quis deliberadamente enganar ningu\u00e9m. Tamb\u00e9m n\u00e3o fiz isso para alavancar minha carreira ou avan\u00e7ar em alguma agenda espec\u00edfica, como me acusaram. Eu s\u00f3 tentava fazer meu trabalho enquanto estava muito doente e n\u00e3o deveria tentar fazer isso.&#8221;<\/p>\n<p>Blair fala quase com ternura do per\u00edodo em que &#8220;editores, advogados do Times, o sindicato, o RH, pessoas realmente boas&#8221; o procuraram durante a investiga\u00e7\u00e3o para ajud\u00e1-lo a explicar o que havia acontecido.<\/p>\n<p>&#8220;Mas eu mentia e mentia.&#8221; Ele afirma que decidiu assumir o esc\u00e2ndalo e se demitir do jornal durante uma noite em que, pela primeira vez, teve pensamentos suicidas, antes que o caso viesse \u00e0 tona.<\/p>\n<p>&#8220;Quando entreguei minha carta de demiss\u00e3o, sumi. E a Reda\u00e7\u00e3o, enquanto tinha que lidar com um esc\u00e2ndalo gigante, colocou dez pessoas atr\u00e1s de mim em Nova York, rep\u00f3rteres e editores \u00e0 minha procura, e me ajudaram a me tratar&#8221;, diz, lembrando que o jornal estendeu o conv\u00eanio m\u00e9dico ap\u00f3s a demiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele tentou ficar em Nova York por mais um ano ap\u00f3s deixar o jornal, mas, sentindo-se isolado, voltou \u00e0 cidade dos pais, Leesburg, na Virg\u00ednia, a menos de uma hora do centro de Washington, onde vive hoje.<\/p>\n<p>Foi s\u00f3 em 2007, quatro anos ap\u00f3s o esc\u00e2ndalo, que come\u00e7ou a lidar melhor com o caso, afirma Blair. \u00c0 \u00e9poca, ele encontrou o tratamento adequado para sua bipolaridade, depois de passar por 60 combina\u00e7\u00f5es diferentes de medicamentos.<\/p>\n<p>Ele define o esc\u00e2ndalo como &#8220;uma experi\u00eancia de humildade&#8221;. &#8220;Voc\u00ea est\u00e1 no topo da carreira, acredita que est\u00e1 conquistando tudo, e isso acontece. N\u00e3o quero nunca passar por algo como aquilo de novo, mas muita coisa boa veio a partir desse caso. N\u00e3o acho que gostaria da pessoa que eu me tornaria se isso n\u00e3o tivesse acontecido.&#8221;<\/p>\n<p>Ele come\u00e7ou a trabalhar com iniciativas sobre a import\u00e2ncia de cuidar da sa\u00fade mental, at\u00e9 que um psic\u00f3logo sugeriu que aprendesse sobre coaching. &#8220;Eu ri na cara dele. Voc\u00ea sabe o que eu j\u00e1 fiz na vida? Como vou ser coach? Mas ele insistiu e assim cheguei aonde estou agora&#8221;, conta Blair, que abriu uma empresa de coach de sa\u00fade mental, vida e carreira em 2010.<\/p>\n<p>Hoje, tem ainda um podcast, o Silver Linings Handbook, em que trata do assunto. \u00c9 por isso que aceitou falar com a reportagem, embora diga estar &#8220;um pouco cansado&#8221; de remoer o erro que cometeu aos 27 anos.<\/p>\n<p>Newsletter Colunas e Blogs Receba no seu email uma sele\u00e7\u00e3o de colunas e blogs da Folha; exclusiva para assinantes. <strong>*<\/strong> Blair diz que, em uma era em que os sal\u00e1rios s\u00e3o muito mais baixos, a cobran\u00e7a muito maior, com concorr\u00eancia da internet, e os ataques mais frequentes, jornalistas precisam focar a sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>&#8220;O jornalismo \u00e9 essencial em uma democracia. Mas voc\u00ea precisa colocar a m\u00e1scara de oxig\u00eanio em si pr\u00f3prio antes de ajudar os outros.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma profiss\u00e3o poderosa para ajudar as pessoas. Mas \u00e9 uma ind\u00fastria. O jornal n\u00e3o vai te abra\u00e7ar \u00e0 noite quando voc\u00ea chega em casa. Ent\u00e3o, tome conta de voc\u00ea e da sua sa\u00fade.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/2003284\/reporter-que-enganou-new-york-times-elogia-imprensa-e-se-diz-arrependido?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>THIAGO AM\u00c2NCIOWASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) &#8211; Jayson Blair, 47, ainda acredita nos jornais. 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