{"id":115055,"date":"2023-03-17T07:08:33","date_gmt":"2023-03-17T10:08:33","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/03\/17\/numero-de-angolanos-em-abrigos-dispara-em-sao-paulo\/"},"modified":"2023-03-17T07:08:33","modified_gmt":"2023-03-17T10:08:33","slug":"numero-de-angolanos-em-abrigos-dispara-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/03\/17\/numero-de-angolanos-em-abrigos-dispara-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"N\u00famero de angolanos em abrigos dispara em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; O n\u00famero de imigrantes em situa\u00e7\u00e3o de rua atendidos pela Prefeitura de S\u00e3o Paulo bateu a maior marca dos \u00faltimos quatro anos em 2022. Foram 6.387 pessoas de 93 nacionalidades no ano passado. Atualmente h\u00e1 1.875 imigrantes acolhidos, segundo a pasta de Assist\u00eancia e Desenvolvimento Social.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Desse contingente, chama a aten\u00e7\u00e3o o r\u00e1pido crescimento do n\u00famero de pessoas de Angola, que quase quadruplicou de 2020 para 2021, saltando de 267 para 1.208 pessoas, dobrando no ano seguinte para 2.486 acolhidos. Desde 2019, disparou 757%.<\/p>\n<p>Os principais motivos para essa alta s\u00e3o a proximidade lingu\u00edstica e cultural dos pa\u00edses, que falam portugu\u00eas, a busca por servi\u00e7os brasileiros como o SUS e o autoritarismo em Angola. Al\u00e9m disso, angolanos t\u00eam uma situa\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica fr\u00e1gil, com a demora na an\u00e1lise dos pedidos de asilo, o que tamb\u00e9m dificulta a obten\u00e7\u00e3o de trabalho e aumenta a demanda por assist\u00eancia.<\/p>\n<p>Para Caio Serra, assistente de gest\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o do Crai (Centro de Refer\u00eancia e Atendimento para Imigrantes), um exemplo dessa migra\u00e7\u00e3o \u00e9 a vinda de mulheres no fim da gesta\u00e7\u00e3o, que buscam servi\u00e7os do SUS. Outros fatores s\u00e3o a viol\u00eancia e a persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Ainda, o Brasil \u00e9 um pa\u00eds de tr\u00e2nsito para quem tenta chegar a Estados Unidos e Canad\u00e1.<\/p>\n<p>Com menos restri\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 pandemia de Covid-19, cresceu o n\u00famero de pessoas que procuram o Brasil, mas j\u00e1 em uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica fragilizada.<\/p>\n<p>A chegada de afeg\u00e3os \u00e0s tr\u00eas principais nacionalidades atendidas pode estar relacionada \u00e0 crise com a retomada do Talib\u00e3 e \u00e0 facilidade na obten\u00e7\u00e3o do visto de acolhida humanit\u00e1ria, que pode ser solicitado em pa\u00edses como Ir\u00e3 e Paquist\u00e3o, antes de chegar ao Brasil.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 que o pa\u00eds n\u00e3o possui um centro de refugiados como na Uni\u00e3o Europeia, e quem faz o acolhimento de pessoas com mais vulnerabilidade econ\u00f4mica \u00e9 a rede de atendimento de quem vai para a rua.<\/p>\n<p>Imigrantes da Bol\u00edvia, por sua vez, podem ter acessado equipamentos para a popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua ap\u00f3s a queda abrupta na atividade t\u00eaxtil na cidade. O fechamento de estabelecimentos, aliado a condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de trabalho, fez cair a renda de fam\u00edlias inteiras, como mostrou reportagem da Folha de S.Paulo em 2020.<\/p>\n<p>A reportagem esteve nas imedia\u00e7\u00f5es do Centro de Acolhida ao Imigrante-Casa de Assis, na rua Japur\u00e1, na Bela Vista, e conversou com um grupo de Angola.<\/p>\n<p>Os jovens t\u00eam menos de 30 anos, e a maioria pediu para n\u00e3o ser identificada. Eles buscam trabalho para melhorar a vida, mas revelam tristeza e sensa\u00e7\u00e3o de incapacidade. A Angola, segundo eles, \u00e9 uma ditadura onde que n\u00e3o existe liberdade de express\u00e3o. Dizem que as penas para protestos chegam a cinco anos, sem visita da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Um dos jovens diz que chegou a S\u00e3o Paulo em 20 de janeiro, no aeroporto de Guarulhos, e gastou o dinheiro que tinha com um t\u00e1xi at\u00e9 centro da cidade. Como n\u00e3o conseguiu vaga em centros de acolhimento, circulou por servi\u00e7os de igreja at\u00e9 conseguir uma vaga na Casa de Assis.<\/p>\n<p>Ele diz que seus conterr\u00e2neos buscam o Brasil por causa da facilidade da l\u00edngua, e que o pa\u00eds \u00e9 mais bem visto em Angola do que o colonizador Portugal. O jovem deixou mulher e um filho pequeno para tr\u00e1s, para traz\u00ea-los quando melhorar de vida.<\/p>\n<p>Mesmo longe de casa, ele n\u00e3o mostra o rosto por temer que a fam\u00edlia seja presa e torturada para obrigar o seu retorno.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Jos\u00e9 Finda, 25, tamb\u00e9m acolhido no centro assistencial \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o, tanto por mostrar o rosto quanto pelos motivos da vinda. Ele frequentou a Universidade de Belas e se formou em rela\u00e7\u00f5es internacionais e ci\u00eancias pol\u00edticas. Trabalhava como organizador de festas de casamentos.<\/p>\n<p>&#8220;Angola carece de quest\u00f5es muito b\u00e1sicas como alimenta\u00e7\u00e3o, moradia e assist\u00eancia m\u00e9dica. Crian\u00e7as sofrem sem hospitais, mulheres t\u00eam os beb\u00eas no ch\u00e3o por falta de cama, pessoas morrem por paludismo [mal\u00e1ria]. Os casos l\u00e1 s\u00e3o muito muito elevados porque o saneamento b\u00e1sico n\u00e3o \u00e9 bom. O Brasil n\u00e3o \u00e9 o c\u00e9u, o mar de rosas, mas acaba por ter mais oportunidades para os jovens&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Finda diz que seus compatriotas veem o Brasil como a terra das oportunidades.<\/p>\n<p>&#8220;No meu caso eu vim para o Brasil n\u00e3o por sede, fome, mas para expandir o n\u00edvel profissional. Pensei: j\u00e1 que fa\u00e7o muito aqui, l\u00e1 posso fazer mais ainda. A gente v\u00ea o Brasil como a terra das oportunidades&#8221;, conta.<\/p>\n<p>&#8220;Mas, chegando aqui n\u00e3o \u00e9 como as coisas s\u00e3o ditas pela televis\u00e3o. \u00c9 uma realidade totalmente diferente&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Finda divide um quarto com outros oito angolanos. Assim como os demais, tem de sair do abrigo \u00e0s 8h30, depois do caf\u00e9 da manh\u00e3, volta \u00e0s 11h30 para o almo\u00e7o, sai novamente \u00e0s 12h30. O jantar \u00e9 servido das 17h30 \u00e0s 18h30. Ele precisa voltar at\u00e9 as 22h, a menos que tenha justificativa de trabalho.<\/p>\n<p>&#8220;Passo o dia todo procurando emprego, as pessoas olham a gente de lado. A pessoa n\u00e3o fala que \u00e9 porque voc\u00ea \u00e9 negro, imigrante, mas a gente sabe, a gente sente pela forma como a pessoa olha, como a pessoa trata e isso dificulta&#8221;, relata.<\/p>\n<p>O angolano deixou os pais e seis irm\u00e3os no pa\u00eds de origem, mas diz n\u00e3o se arrepender.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 fiz muitas entrevistas, estou muito frustrado porque a gente sente que sabe fazer o trabalho. Eu trabalhava, tinha sal\u00e1rio, uma casa, d\u00e1 aquela tristeza no cora\u00e7\u00e3o. Penso que \u00e9 s\u00f3 uma fase e que daqui a pouco passa&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ele conta que outro jovem que tamb\u00e9m est\u00e1 no centro de acolhimento fala cinco l\u00ednguas, mas s\u00f3 consegue trabalhos como ajudante de cozinha e de limpeza.<\/p>\n<p>&#8220;Os outros meninos falam para ele que aqui precisa se conscientizar e ter um emprego pequeno, abaixo da forma\u00e7\u00e3o porque \u00e9 negro, imigrante. Ele fica muito triste&#8221;, finaliza.<\/p>\n<p>Paulo Ingl\u00eas, doutor em sociologia e estudos africanos e vice-reitor para \u00c1rea de Investiga\u00e7\u00e3o e P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o da Universidade Jean Piaget, em Angola, critica o sistema pol\u00edtico de seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Formalmente \u00e9 uma democracia, mas \u00e9 um sistema autorit\u00e1rio&#8221;, diz. Ele tamb\u00e9m afirma que os servi\u00e7os p\u00fablicos s\u00e3o prec\u00e1rios, e que a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica deteriorou-se nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>&#8220;Depois da sa\u00edda do presidente Jos\u00e9 Eduardo dos Santos, que esteve no poder por 37 anos, pensou-se que o novo presidente, Jo\u00e3o Louren\u00e7o, abriria mais o sistema econ\u00f4mico e democr\u00e1tico, mas fechou mais ainda&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>&#8220;Na sua maioria s\u00e3o os jovens que est\u00e3o a sair de Angola. Al\u00e9m da facilidade da l\u00edngua, h\u00e1 certa proximidade cultural, j\u00e1 que eles consomem mais produtos brasileiros do que portugueses, de vestu\u00e1rio e alimenta\u00e7\u00e3o a novelas, filmes e reality shows&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O vice-reitor tamb\u00e9m diz que h\u00e1 repress\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es, com repres\u00e1lias que chegam a pris\u00e3o e morte.<\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m de tudo isso, uma das promessas do novo presidente era o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, mas na verdade a corrup\u00e7\u00e3o continua. Nas estruturas do estado est\u00e3o principalmente as pessoas que pertencem ao partido no poder, que tem estado no poder h\u00e1 48 anos&#8221;.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/2000682\/numero-de-angolanos-em-abrigos-dispara-em-sao-paulo?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; O n\u00famero de imigrantes em situa\u00e7\u00e3o de rua atendidos pela<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":115056,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-115055","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115055","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=115055"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/115055\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/115056"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=115055"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=115055"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=115055"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}