{"id":113260,"date":"2023-03-06T15:08:10","date_gmt":"2023-03-06T18:08:10","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/03\/06\/por-que-a-tv-globo-aposta-cada-vez-mais-em-remakes-como-pantanal-e-renascer\/"},"modified":"2023-03-06T15:08:10","modified_gmt":"2023-03-06T18:08:10","slug":"por-que-a-tv-globo-aposta-cada-vez-mais-em-remakes-como-pantanal-e-renascer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/03\/06\/por-que-a-tv-globo-aposta-cada-vez-mais-em-remakes-como-pantanal-e-renascer\/","title":{"rendered":"Por que a TV Globo aposta cada vez mais em remakes como &#8216;Pantanal&#8217; e &#8216;Renascer&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Antes de lan\u00e7ar um olhar enviesado para remakes como se eles fossem apenas sinal de que falta criatividade \u00e0 ind\u00fastria do audiovisual, \u00e9 preciso notar que quem paga a conta do neg\u00f3cio busca antes de mais nada reduzir os riscos de investimento com hist\u00f3rias que j\u00e1 tiveram boa bilheteria no passado.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Enquanto o cinema de Holllywood se desdobra em franquias que prolongam a vida \u00fatil de personagens ic\u00f4nicos, de &#8220;Vingadores&#8221; a &#8220;Top Gun&#8221;, a Globo decidiu voltar ao universo rural de Benedito Ruy Barbosa apenas dois anos depois de uma releitura de &#8220;Pantanal&#8221;, no mesmo hor\u00e1rio.<\/p>\n<p>Vem a\u00ed &#8220;Renascer&#8221;, originalmente feita pela pr\u00f3pria emissora em 1993. O ano de 2024 reserva ainda outro repeteco na Globo \u2013uma nova vers\u00e3o de &#8220;Elas por Elas&#8221;, de Cassiano Gabus Mendes, exibida em 1982 como novela das sete, agora para a faixa das seis.<\/p>\n<p>N\u00e3o que seja incomum, nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas, a emissora revisitar antigos folhetins, mas isso \u00e9 recurso normalmente adotado nas faixas das 18h e 19h e, raramente, no cora\u00e7\u00e3o do hor\u00e1rio nobre, \u00e0s 21h30, quando o esfor\u00e7o de apostar em novos argumentos \u00e9 maior.<\/p>\n<p>Desde 1970, quando &#8220;Irm\u00e3os Coragem&#8221; pretendia dar \u00e0 Globo o cartaz de nova era na telenovela brasileira, a emissora produziu s\u00f3 dois remakes para a vaga, sendo que 36 anos separam o primeiro t\u00edtulo \u2013&#8221;Selva de Pedra&#8221;, de Janete Clair, em 1986, ainda exibida \u00e0s 20h30\u2013 de &#8220;Pantanal&#8221;.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m lembrar que a produ\u00e7\u00e3o de &#8220;Pantanal&#8221; embutia o contexto de uma repara\u00e7\u00e3o de contas com o autor, j\u00e1 que a saga dos Le\u00f4ncios fora recusada pela emissora em 1990 e fizera hist\u00f3ria na concorr\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;Renascer&#8221; n\u00e3o disp\u00f5e do pretexto e foi inclusive o folhetim que a Globo bancou para trazer o autor de volta da Rede Manchete, dando-lhe pela primeira vez espa\u00e7o na faixa nobre, com grava\u00e7\u00f5es em loca\u00e7\u00f5es naturais, na Bahia, e n\u00e3o na cidade cenogr\u00e1fica do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Foi um tapete vermelho estendido justamente pela consagra\u00e7\u00e3o de &#8220;Pantanal&#8221; na Manchete, emissora que faliu nove anos depois da Juma de Cristiana Oliveira virar on\u00e7a.<\/p>\n<p>\u00c9 leg\u00edtimo dizer que &#8220;Renascer&#8221; foi consequ\u00eancia de &#8220;Pantanal&#8221;, sina que se repete agora. A hist\u00f3ria de Jos\u00e9 Inoc\u00eancio, pai de quatro filhos que fez pacto com a sorte ao p\u00e9 de um majestoso jequitib\u00e1 em Ilh\u00e9us, regi\u00e3o onde constr\u00f3i um imp\u00e9rio como fazendeiro de cacau, j\u00e1 vem sendo reescrita por Bruno Luperi, neto de Barbosa e respons\u00e1vel pela releitura de &#8220;Pantanal&#8221;.<\/p>\n<p>Aos 34 anos, ele \u00e9 apontado como figura essencial no \u00eaxito do remake que descortinou a telenovela a um p\u00fablico jovem ainda resistente ao g\u00eanero e devolveu a audi\u00eancia do hor\u00e1rio ao patamar dos 30 pontos. \u00c9 um n\u00edvel que n\u00e3o fora atingido por &#8220;Amor de M\u00e3e&#8221; ou &#8220;Um Lugar ao Sol&#8221;, suas antecessoras, nem pela sucessora, &#8220;Travessia&#8221;, ainda no ar.<\/p>\n<p>Questionado sobre at\u00e9 que ponto o sucesso de &#8220;Pantanal&#8221; determinou a escolha por &#8220;Renascer&#8221;, o diretor da TV Globo e afiliadas, Amauri Soares, fez uma explana\u00e7\u00e3o da curadoria que profissionais da emissora realizam para definir os projetos da casa, sempre pautados por pesquisas que identificam prefer\u00eancias e comportamento do p\u00fablico.<\/p>\n<p>Para ele, atribuir a decis\u00e3o apenas ao \u00eaxito de &#8220;Pantanal&#8221; reduz a import\u00e2ncia e o trabalho da curadoria. Jornalista de forma\u00e7\u00e3o e atento \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o dos resultados de pesquisas como as do IBGE e do Pnad, Soares reconhece, no entanto, que as chances de acerto com hist\u00f3rias fora do eixo urbano s\u00e3o maiores.<\/p>\n<p>&#8220;Sab\u00edamos que &#8216;Pantanal&#8217; seria um sucesso. A gente tem hist\u00f3rico de sucesso com novelas n\u00e3o urbanas, mas se fosse para repetir o sucesso de &#8216;Pantanal&#8217;, encomendaria ao Z\u00e9 [Luiz Villamarim, diretor de teledramaturgia] &#8216;Pantanal 2&#8242;&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Esta seria uma aposta mais excepcional para a faixa das nove da Globo, mas conv\u00e9m valorizar a import\u00e2ncia do universo rural. Autores como Walther Negr\u00e3o e o pr\u00f3prio Ruy Barbosa sempre ressaltaram que todos, mesmo os habituados \u00e0 cidade, guardam mem\u00f3ria afetiva do campo, onde v\u00e1rias fam\u00edlias t\u00eam raiz.<\/p>\n<p>&#8220;As novelas rurais t\u00eam hist\u00f3rico de sucesso por v\u00e1rios motivos. Um deles, que \u00e9 muito importante, e lembre-se que a gente trabalha com representa\u00e7\u00e3o da sociedade, \u00e9 que as hist\u00f3rias t\u00eam conex\u00e3o muito afetiva com as pessoas. N\u00f3s temos uma parcela muito significativa de quem comp\u00f5e as regi\u00f5es urbanas com um hist\u00f3rico muito recente de passado rural, ou da gera\u00e7\u00e3o imediatamente anterior, ou da pr\u00f3pria pessoa.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Parte dessa conex\u00e3o do brasileiro com o campo \u00e9 muito forte. Quando a gente vem com uma novela assim, essa conex\u00e3o se ativa. Mas n\u00e3o se engane. O que faz a novela ter sucesso ou n\u00e3o \u00e9 a qualidade da hist\u00f3ria. Se tivermos uma hist\u00f3ria que se passa no ambiente rural e a hist\u00f3ria n\u00e3o for boa, n\u00e3o ser\u00e1 sucesso&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Um saudosismo mesmo inconsciente do sossego caipira funciona como escapismo da neurose do asfalto, onde s\u00e3o computados os principais marcadores de audi\u00eancia mensurados pela Kantar Ibope Media, cuja mostra ocupa apenas as 15 regi\u00f5es metropolitanas de maior consumo do pa\u00eds. Mato Grosso do Sul, estado onde se passou &#8220;Pantanal&#8221; e que servir\u00e1 a &#8220;Terra Bruta&#8221;, t\u00edtulo da sucessora de &#8220;Travessia&#8221;, de Walcyr Carrasco, n\u00e3o \u00e9 uma delas.<\/p>\n<p>Logo, quem mora em Aquidauana, em Mato Grosso do Sul, ou Ilh\u00e9us, na Bahia, n\u00e3o ver\u00e1 escapismo em cena, j\u00e1 que aquele \u00e9 seu cen\u00e1rio real. Ele pode at\u00e9 celebrar o fato de estar representado, ou criticar a imagem que a TV faz dele, mas n\u00e3o \u00e9 a sua audi\u00eancia que ditar\u00e1 a venda de an\u00fancios, j\u00e1 que as regi\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o no mapa da mostra de audi\u00eancia nacional.<\/p>\n<p>Em um momento no qual a fragmenta\u00e7\u00e3o da audi\u00eancia faz v\u00eddeos atravessarem telas de diferentes tamanhos por v\u00e1rios meios de transmiss\u00e3o, essa premissa vira um ant\u00eddoto para frear a desidrata\u00e7\u00e3o da hegemonia da TV Globo.<\/p>\n<p>A emissora que desprezou o potencial de &#8220;Pantanal&#8221; em 1990 produziu a seguir quatro novelas rurais na faixa nobre em dez anos. Foi de &#8220;Renascer&#8221; a &#8220;O Rei do Gado&#8221;, n\u00e3o ao acaso hoje em reprise no Vale a Pena Ver de Novo, passando por &#8220;Terra Nostra&#8221; e &#8220;Esperan\u00e7a&#8221; \u2013com imigra\u00e7\u00e3o e lavoura. Todas de Ruy Barbosa, que adoeceu no meio da \u00faltima, em 2003.<\/p>\n<p>A Globo escalou ent\u00e3o Walcyr Carrasco para encerrar o enredo e s\u00f3 voltaria a esse universo 13 anos depois, com &#8220;Velho Chico&#8221;, outra sinopse de Barbosa, demorando outros cinco anos para refazer &#8220;Pantanal&#8221;.<\/p>\n<p>Pela primeira vez falando oficialmente sobre a escolha por &#8220;Renascer&#8221;, o diretor de teledramaturgia da Globo, Jos\u00e9 Luiz Villamarim, explica \u00e0 Folha a op\u00e7\u00e3o pela hist\u00f3ria, em entrevista por email.<\/p>\n<p>&#8220;&#8216;Renascer&#8217;, para mim, \u00e9 das mais lindas novelas que a TV Globo j\u00e1 exibiu. Teremos o olhar do Brasil profundo, um pa\u00eds rural, com suas belezas e tradi\u00e7\u00f5es. Mas haver\u00e3o quest\u00f5es culturais ainda muito atuais. A\u00ed entra o olhar de renova\u00e7\u00e3o de nossos autores \u2013o talento e capacidade de respeitar trama, mas com adapta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias no texto, trazendo-o para contemporaneidade.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Isso, por si, j\u00e1 traz um grande frescor&#8221;, continua, e &#8220;s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel porque h\u00e1 anos investimos no times de autores, que trazem novos olhares.&#8221;<\/p>\n<p>Villamarim fala cal\u00e7ado na bem-sucedida atualiza\u00e7\u00e3o de costumes de &#8220;Pantanal&#8221;, que deu outra dimens\u00e3o, por exemplo, \u00e0 humilha\u00e7\u00e3o e supera\u00e7\u00e3o de Maria Bruaca, personagem que foi de Angela Leal em 1990 e de Isabel Teixeira em 2022.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o ambiental da hist\u00f3ria tomou outro tom para o enredo e para o p\u00fablico, sem falar na oportunidade de inserir novos assuntos, como o racismo, inexistente no original.<\/p>\n<p>Embora apenas &#8220;Renascer&#8221; e &#8220;Elas por Elas&#8221; estejam certos para 2024, a Globo estuda mais possibilidades de revival entre as sinopses em avalia\u00e7\u00e3o para novelas. Villamarim e Soares batem na tecla de que n\u00e3o h\u00e1 regras nem limites na escolha, desde que o script fa\u00e7a jus a uma s\u00e9rie de crit\u00e9rios valorizados pela emissora.<\/p>\n<p>A altern\u00e2ncia tem\u00e1tica e de cen\u00e1rios \u00e9 um deles. \u00c9 o que Soares chama de modula\u00e7\u00e3o. Mesmo nos per\u00edodos em que a Globo mal escapava do eixo Rio-S\u00e3o Paulo para contar melodramas, muitas novelas se valeram de cidades do interior fict\u00edcias para reproduzir um microcosmo do pa\u00eds, como a Asa Branca de &#8220;Roque Santeiro&#8221;, de Dias Gomes.<\/p>\n<p>Agora mesmo h\u00e1 um exemplo do formato no ar com &#8220;Mar do Sert\u00e3o&#8221;, passado em algum lugar do Nordeste chamado de Canta Pedra.<\/p>\n<p>&#8220;Refletir sobre o Brasil profundo sempre foi uma preocupa\u00e7\u00e3o. Nunca deixamos de se interessar por hist\u00f3rias rurais, \u00e9 a quest\u00e3o da oportunidade, da disponibilidade do que tem na curadoria&#8221;, afirma Soares.<\/p>\n<p>&#8220;Remake \u00e9 um recurso que comp\u00f5e o nosso portf\u00f3lio. N\u00e3o h\u00e1 uma pol\u00edtica de remakes&#8221;, continua. No organograma que funciona hoje na Globo, ele representa a TV aberta que encomenda produ\u00e7\u00f5es aos Est\u00fadios Globo, segmento comandado por Ricardo Waddington, que produz obras para a emissora e a plataforma de streaming Globoplay.<\/p>\n<p>&#8220;Quando os Est\u00fadios Globo olham as hist\u00f3rias dispon\u00edveis, h\u00e1 as novas e as que j\u00e1 foram feitas para serem recontadas. A gente avalia tudo junto. Existe uma curadoria que busca as melhores hist\u00f3rias. Quando tem a proposta de trazer uma hist\u00f3ria de volta, ela \u00e9 avaliada&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Soares admite que a Globo tem &#8220;pelo menos dois remakes definidos e vai avaliar outros&#8221;. &#8220;Se forem adequados, podem entrar ou n\u00e3o&#8221;, afirma, sem antecipar quais. &#8220;A gente n\u00e3o tem cota, limite ou meta.&#8221;<\/p>\n<p>Recentemente, a Globo renovou direitos do nome &#8220;Cora\u00e7\u00e3o Alado&#8221;, novela de Janete Clair de 1980. A autora \u00e9 campe\u00e3 de inspira\u00e7\u00e3o para novas vers\u00f5es de folhetim, com seis t\u00edtulos. O n\u00famero foi alcan\u00e7ado agora por Ruy Barbosa, com &#8220;Renascer&#8221;. Ele viu remakes de &#8220;Cabocla&#8221;, &#8220;Sinh\u00e1 Mo\u00e7a&#8221;, &#8220;Meu Pedacinho de Ch\u00e3o&#8221; e &#8220;Para\u00edso&#8221;, al\u00e9m de &#8220;Pantanal&#8221;.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de dois revivals na mesma temporada j\u00e1 ocorreu em outros momentos da hist\u00f3ria da Globo, mas nunca foi pr\u00e1tica das faixas mais nobres, a chamada &#8220;novela tr\u00eas&#8221;, originalmente &#8220;novela das oito&#8221; e h\u00e1 pelo menos duas d\u00e9cadas a &#8220;das nove&#8221;.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 1998, terminava a segunda vers\u00e3o de &#8220;Anjo Mau&#8221;, adapta\u00e7\u00e3o de Maria Adelaide Amaral para o cl\u00e1ssico de Cassiano Gabus Mendes de 1976, na faixa das 18h. Em outubro do mesmo ano, estreava no hor\u00e1rio &#8220;Pecado Capital&#8221;, matriz de 1975 de Janete Clair, refeita por Gl\u00f3ria Perez.<\/p>\n<p>&#8220;Irm\u00e3os Coragem&#8221;, outro t\u00edtulo de Janete Clair, foi refeito em 1995, logo depois de &#8220;A Viagem&#8221;, reescrita em 1994 a partir da vers\u00e3o da pr\u00f3pria Ivani Ribeiro exibida em 1975 pela TV Tupi. A miscel\u00e2nea de &#8220;Inferno&#8221; de Dante com Alan Kardec, ali\u00e1s, est\u00e1 sempre cotada a uma nova leitura.<\/p>\n<p>Atemporal, o enredo que consola o luto com hist\u00f3rias de outra vida ap\u00f3s a morte \u00e9 campe\u00e3 de audi\u00eancia em reprises, seja no Vale a Pena Ver de Novo, seja no canal Viva, cujo sucesso no ranking de TV paga \u00e9 o melhor ind\u00edcio de que o p\u00fablico adora espanar mofo de hist\u00f3rias antigas.<\/p>\n<p>&#8220;Remake \u00e9 um recurso a mais. Remake sempre fez parte do nosso porf\u00f3lio e de qualquer est\u00fadio&#8221;, assegura Soares. &#8220;As hist\u00f3rias que se mant\u00eam relevantes s\u00e3o reaproveitadas. Sempre gosto de falar dos &#8216;Vingadores&#8217;. Quantos voc\u00ea j\u00e1 viu? A Disney vai continuar fazendo remakes deles a vida inteira porque a hist\u00f3ria \u00e9 relevante e vai sendo atualizada.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Quem acompanha a hist\u00f3ria da Globo sabe que remakes s\u00e3o tradi\u00e7\u00e3o. Tivemos anos com mais produ\u00e7\u00f5es do que hoje, ent\u00e3o por que n\u00e3o recontar hist\u00f3rias?&#8221;, endossa Villamarim, falando de &#8220;Elas por Elas&#8221;.<\/p>\n<p>A trama de Gabus Mendes, diz, chega nesse olhar, com humor, protagonismo feminino e mist\u00e9rio que costuram a trama. &#8220;Recebemos uma releitura muito boa e temos personagens ic\u00f4nicos na dramaturgia, como o M\u00e1rio Fofoca [vivido por Lu\u00eds Gustavo], que at\u00e9 hoje est\u00e1 no imagin\u00e1rio.&#8221;<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ada no efeito de &#8220;Pantanal&#8221; e de outras releituras. Quem assistiu \u00e0 primeira vers\u00e3o gosta de comparar, avaliar ou rejeitar, em envolvimento parecido com o da releitura de &#8220;\u00c9ramos Seis&#8221;, a mais refeita da hist\u00f3ria da TV nacional.<\/p>\n<p>As novas vers\u00f5es flertam com a mem\u00f3ria dos mais velhos, encontrando a surpresa de quem nunca viu, em contraste cuja repercuss\u00e3o ganhou propor\u00e7\u00f5es maiores nas redes sociais. As apostas sobre quem ser\u00e1 o novo M\u00e1rio Fofoca j\u00e1 movimentam conversas do novo &#8220;Elas por Elas&#8221;.<\/p>\n<p>A seguran\u00e7a de encontrar em um remake o mesmo sucesso da vers\u00e3o original tem l\u00e1 contratempos, como a resist\u00eancia dos mais nost\u00e1lgicos sobre mudan\u00e7as da vers\u00e3o atual.<\/p>\n<p>A iniciativa de refazer &#8220;Pantanal&#8221; gerou debates antes da estreia, porque a Globo talvez n\u00e3o conseguisse superar a repercuss\u00e3o da Manchete ou porque poderia dar \u00e0 obra um acabamento de mais qualidade gra\u00e7as aos recursos atuais. At\u00e9 a d\u00favida sobre cenas de nudez foi assunto.<\/p>\n<p>Mas o eco s\u00f3 se deu porque a produ\u00e7\u00e3o honrou premissas da hist\u00f3ria original e n\u00e3o decepcionou.<\/p>\n<p>Refazer um cl\u00e1ssico tem vantagens, mas o risco do \u00f4nus \u00e9 alto e equivale ao valor afetivo do repert\u00f3rio no p\u00fablico. Releituras de &#8220;Irm\u00e3os Coragem&#8221;, &#8220;Pecado Capital&#8221; e &#8220;Selva de Pedra&#8221;, de Janete Clair, n\u00e3o encontraram o aplauso de quem viu os originais, e n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil vencer a resist\u00eancia de plateia conservadora como o da TV.<\/p>\n<p>Quanto maior o sucesso do original, maior o peso da releitura. Muitos rejeitaram &#8220;Dona Flor e Seus Dois Maridos&#8221;, hit do cinema nacional que a Globo produziu como miniss\u00e9rie.<\/p>\n<p>Com &#8220;Renascer&#8221;, j\u00e1 se discute como a nova vers\u00e3o poderia melhorar o que na \u00e9poca j\u00e1 foi elogiado, a come\u00e7ar pelo olhar do diretor Luiz Fernando Carvalho, que fugiu do padr\u00e3o Globo para recriar \u00e2ngulos e fotografia na ocasi\u00e3o. O diretor se valeu da figura\u00e7\u00e3o em Ilh\u00e9us para mostrar lavadeiras que cantavam \u00e0 beira do rio. Eram memor\u00e1veis as cenas de Marcos Palmeira amassando cacau.<\/p>\n<p>&#8220;Antes de topar qualquer sinopse, tem um olhar muito atento e afetivo ao Brasil, de sintonia com a sociedade e dialogo com o momento&#8221;, afirma Soares. &#8220;N\u00e3o existe f\u00f3rmula. Se existisse f\u00f3rmula, Hollywood n\u00e3o floparia. O trabalho mistura camadas de percep\u00e7\u00e3o e sensibilidade, \u00e9 a grande beleza.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Fama<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/celebridades\/1996963\/por-que-a-tv-globo-aposta-cada-vez-mais-em-remakes-como-pantanal-e-renascer?utm_source=rss-fama&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Antes de lan\u00e7ar um olhar enviesado para remakes como se<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":113261,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-113260","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fama-e-tv"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/113260","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=113260"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/113260\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/113261"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=113260"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=113260"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=113260"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}