{"id":109479,"date":"2023-02-08T18:08:16","date_gmt":"2023-02-08T21:08:16","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/02\/08\/numero-de-medicos-passa-de-500-mil-no-pais-mas-ma-distribuicao-e-desafio\/"},"modified":"2023-02-08T18:08:16","modified_gmt":"2023-02-08T21:08:16","slug":"numero-de-medicos-passa-de-500-mil-no-pais-mas-ma-distribuicao-e-desafio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/02\/08\/numero-de-medicos-passa-de-500-mil-no-pais-mas-ma-distribuicao-e-desafio\/","title":{"rendered":"N\u00famero de m\u00e9dicos passa de 500 mil no pa\u00eds, mas m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 desafio"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PUALO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Levantamento feito pela AMB (Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira) e pela USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) aponta que o Brasil alcan\u00e7ou a marca de 562.229 m\u00e9dicos inscritos nos 27 CRMs (Conselhos Regionais de Medicina). A taxa nacional \u00e9 de 2,6 profissionais por 1.000 habitantes, mas h\u00e1 grande desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos pelos estados.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>O dado, de janeiro de 2023, consta no estudo Demografia M\u00e9dica Brasileira, lan\u00e7ado nesta quarta-feira (8). A coordena\u00e7\u00e3o \u00e9 do professor doutor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, M\u00e1rio Scheffer.<\/p>\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o com 2000, quando havia 219.896 m\u00e9dicos no pa\u00eds, o n\u00famero de profissionais mais do que dobrou. No mesmo per\u00edodo, a popula\u00e7\u00e3o brasileira cresceu cerca de 27%.<\/p>\n<p>Entre 2010 -quando o pa\u00eds tinha 1,63 m\u00e9dicos por grupo de 1.000 habitantes- e 2023, 251.362 novos profissionais passaram a atuar no Brasil, gra\u00e7as \u00e0 abertura de cursos e de vagas de gradua\u00e7\u00e3o em medicina, segundo o levantamento.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo com o aumento expressivo no n\u00famero de m\u00e9dicos nos \u00faltimos anos, est\u00e1 mantida uma concentra\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos nas capitais, nos grandes centros. Essa desigualdade se sobrep\u00f5e a outra desigualdade. A for\u00e7a de trabalho m\u00e9dico est\u00e1 cada vez mais concentrada em servi\u00e7os privados que atendem a menor parcela da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 a soma da desigualdade geogr\u00e1fica com a cr\u00edtica entre o p\u00fablico privado num sistema de sa\u00fade, que faz com que mesmo num pa\u00eds onde teremos um milh\u00e3o de m\u00e9dicos em curto prazo, continuar\u00e3o os vazios existenciais em raz\u00e3o da estrutura do sistema de sa\u00fade&#8221;, diz o pesquisador.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">ONDE EST\u00c3O OS M\u00c9DICOS<\/span><\/p>\n<p>Apesar do crescimento, a desigualdade segue a tend\u00eancia dos \u00faltimos anos. Com taxa por mil habitantes de 3,39, o Sudeste concentra a maior parte dos m\u00e9dicos, seguido pelas regi\u00f5es Centro-Oeste (3,10) e Sul (2,95).<\/p>\n<p>O Norte e o Nordeste possuem densidade de m\u00e9dicos por 1.000 habitantes abaixo da m\u00e9dia nacional -1,45 e 1,93 respectivamente. Com exce\u00e7\u00e3o da Para\u00edba (2,81), os estados das duas regi\u00f5es possuem taxas abaixo de 2,4.<\/p>\n<p>Das 27 unidades da federa\u00e7\u00e3o, 11 t\u00eam densidade de m\u00e9dicos por 1.000 habitantes acima da taxa nacional (2,41) e, 16 est\u00e3o abaixo.<br \/>Acre (1,41), Amazonas (1,36), Maranh\u00e3o (1,22) e Par\u00e1 (1,18) possuem as menores taxas.<\/p>\n<p>A maior parte da popula\u00e7\u00e3o m\u00e9dica est\u00e1 nas capitais, onde a densidade por 1.000 habitantes \u00e9 de 6,13 -1,14 nas regi\u00f5es metropolitanas e 1,84 nos interiores. As capitais dos 26 estados e o Distrito Federal concentram 50.916.038 pessoas.<\/p>\n<p>Nas demografias m\u00e9dicas publicadas em 2018 e 2020, o Sudeste tamb\u00e9m foi a regi\u00e3o com mais m\u00e9dicos por grupo de mil habitantes -taxa de 2,81 e 3,15 respectivamente -e o Norte com menos profissionais -densidade de 1,16 e 1,30 respectivamente.<\/p>\n<p>&#8220;Quando falamos em vazios existenciais, imaginamos que isso s\u00f3 acontece na regi\u00e3o Norte, no Amazonas, nas popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas. N\u00e3o! Isso acontece em S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m. A nossa pesquisa tem aspectos qualitativos, muito mais do que quantitativos, o que nos remete a um grande equ\u00edvoco. N\u00f3s podemos imaginar que nosso problema \u00e9 s\u00f3 de quantidade de m\u00e9dicos, de distribui\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos. Mas temos um problema qualitativo, que \u00e9 a m\u00e1 qualidade da forma\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos, afirma C\u00e9sar Eduardo Fernandes, presidente da AMB.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s abrimos muitas escolas de medicina, de qualidade duvidosa e n\u00e3o vemos nenhum controle. A responsabilidade \u00e9 do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. Se autoriza a forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica numa cidade que n\u00e3o tem condi\u00e7\u00e3o de formar m\u00e9dico, deve ser respons\u00e1vel pela qualifica\u00e7\u00e3o desse m\u00e9dico. Ela deve ser atestada e comprovada. N\u00f3s na AMB defendemos que o m\u00e9dico que vem de fora para trabalhar aqui precisa do revalida. Por que n\u00e3o fazemos o mesmo com o nosso egresso de medicina? Nosso problema n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de mais profissionais, mas de m\u00e9dicos qualificados e resolutivos&#8221;, conclui Fernandes.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">COMPARA\u00c7\u00c3O COM OUTROS PA\u00cdSES<\/span><\/p>\n<p>O \u00edndice brasileiro de m\u00e9dicos por 1.000 habitantes \u00e9 menor do que a m\u00e9dia dos pa\u00edses avaliados pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento (3,73).<\/p>\n<p>Os indicadores s\u00e3o altos na Gr\u00e9cia (6,16), \u00c1ustria (5,45), Noruega (5,18), Espanha (4,58), It\u00e1lia (4,13) e Austr\u00e1lia (3,83), entre outros.<br \/>O percentual brasileiro \u00e9 maior do que o registrado na China (2,24), \u00cdndia (0,90), \u00c1frica do Sul (0,79) e Indon\u00e9sia (0,63), e compat\u00edvel com Coreia do Sul (2,51), Estados Unidos (2,64) e Canad\u00e1 (2,77), por exemplo.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">PROJE\u00c7\u00d5ES<\/span><\/p>\n<p>Em dois anos, o Brasil dever\u00e1 ter uma taxa de 2,91 m\u00e9dicos por 1.000 habitantes, quase tr\u00eas vezes a registrada em 1980 (0,94).<\/p>\n<p>Em 2035, mais de um milh\u00e3o de m\u00e9dicos estar\u00e3o em atividade no Brasil -com densidade de 4,43 por 1.000 habitantes. Segundo o levantamento, mulheres mais jovens dever\u00e3o prevalecer. A desigualdade tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Entre 2009 e 2022, o n\u00famero de mulheres evoluiu de cerca de 133.000 para aproximadamente 260.000, ou seja, quase dobrou.<br \/>Entre os homens, o crescimento foi de 43%, em m\u00e9dia.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">M\u00c9DICOS ESPECIALISTAS<\/span><\/p>\n<p>Em junho de 2022, 321.581 m\u00e9dicos brasileiros tinham pelo menos um t\u00edtulo de especialista, o que correspondia a 62,5% do total de 514.215 profissionais (dados de junho) em atividade no pa\u00eds. Os demais 192.634 (37,5%) eram generalistas.<\/p>\n<p>Os dados mostram que, no mesmo per\u00edodo, o pa\u00eds tinha 438.239 t\u00edtulos em especialidades e 495.716 registros de m\u00e9dicos titulados.<\/p>\n<p>Para M\u00e1rio Scheffer, apesar do aumento de 85% no n\u00famero de especialistas, a desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o torna-se um problema.<\/p>\n<p>&#8220;Eles n\u00e3o est\u00e3o mal distribu\u00eddos em rela\u00e7\u00e3o ao territ\u00f3rio, mas tamb\u00e9m concentrados em servi\u00e7os privados que atendem a menor parte da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 urgente a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de maior atra\u00e7\u00e3o e fixa\u00e7\u00e3o de especialistas no SUS. Tamb\u00e9m h\u00e1 um crescimento importante dos m\u00e9dicos sem especializa\u00e7\u00e3o. \u00c9 um dado que precisa ser discutido, uma vez que n\u00e3o haver\u00e1, pelo menos no cen\u00e1rio atual, uma oferta de capacidade de formar especialistas. O n\u00famero de vagas em resid\u00eancia m\u00e9dica \u00e9 insuficiente. H\u00e1 uma defasagem em rela\u00e7\u00e3o ao grande n\u00famero de rec\u00e9m-formado de egressos das escolas m\u00e9dicas e dos cursos de medicina&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Cl\u00ednica m\u00e9dica, pediatria, cirurgia geral, ginecologia e obstetr\u00edcia, anestesiologia, ortopedia e traumatologia, medicina do trabalho e cardiologia representam, juntas, mais da metade (55,6%) do total de registros de especialistas.<\/p>\n<p>O sexo masculino \u00e9 maioria em 36 das 55 especialidades m\u00e9dicas, e o feminino est\u00e1 em 19 delas.<\/p>\n<p>Em urologia, neurocirurgia e ortopedia e traumatologia os homens s\u00e3o mais de 90%.<\/p>\n<p>As mulheres s\u00e3o minoria em todas as especialidades cir\u00fargicas, mas dominam a dermatologia -8.236 m\u00e9dicas, que correspondem a 77,9% dessa \u00e1rea.<\/p>\n<p>Elas tamb\u00e9m ocupam mais espa\u00e7o na pediatria (75,6%), alergia e imunologia e endocrinologia e metabologia (ambas com 72,1%).<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de homens e mulheres \u00e9 equilibrada nas especialidades de nutrologia, medicina f\u00edsica e reabilita\u00e7\u00e3o, e gastroenterologia.<\/p>\n<p>Neste ano, pela primeira vez, o CFM (Conselho Federal de Medicina) lan\u00e7ou a pr\u00f3pria demografia m\u00e9dica.<\/p>\n<p>De acordo com a plataforma, disponibilizada \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em geral na segunda (6), o Brasil encerrou 2022 com 545.481 m\u00e9dicos e taxa de 2,56 por mil habitantes. O dado exclui profissionais acima de 80 anos e com inconsist\u00eancias cadastrais no CFM.<\/p>\n<p>Em 1990, o pa\u00eds tinha 162.234 m\u00e9dicos; No ano de 2000, foram contabilizados 239.730 profissionais; em 2010, 343.764, e em 2020, 504.935.<\/p>\n<p>&#8220;Em 2010, a propor\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos por mil habitantes era de 1,76. O pa\u00eds nunca teve tantos m\u00e9dicos em atividade. Isso ocorreu por uma combina\u00e7\u00e3o de fatores: mant\u00e9m-se forte a taxa de crescimento do n\u00famero de profissionais, h\u00e1 consistente aumento de novos registros, mais entradas do que sa\u00eddas de profissionais do mercado de trabalho e um perfil jovem (com baixa m\u00e9dia de idade) e maior longevidade profissional&#8221;, afirmou o presidente do CFM, Jos\u00e9 Hiran Gallo.<\/p>\n<p>O levantamento do CFM tamb\u00e9m apontou desigualdade na distribui\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos.<\/p>\n<p>O Sudeste ainda concentra a maior parte dos m\u00e9dicos. A taxa por mil habitantes \u00e9 de 3,22, seguido pelas regi\u00f5es Sul (2,82), Centro-Oeste (2,74), Nordeste (1,75) e Norte (1,34) &#8211; o c\u00e1lculo considerou a distribui\u00e7\u00e3o de registros m\u00e9dicos pelo pa\u00eds (546.497). S\u00e3o profissionais que possuem endere\u00e7o e registro no CRM em mais de um local.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1989731\/numero-de-medicos-passa-de-500-mil-no-pais-mas-ma-distribuicao-e-desafio?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PUALO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Levantamento feito pela AMB (Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira) e pela USP<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":109480,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-109479","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109479","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=109479"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/109479\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/109480"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=109479"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=109479"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=109479"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}