{"id":108767,"date":"2023-02-03T22:08:16","date_gmt":"2023-02-04T01:08:16","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/02\/03\/brasileiro-descobre-cerebro-preservado-em-fossil-de-peixe-com-319-milhoes-de-anos\/"},"modified":"2023-02-03T22:08:16","modified_gmt":"2023-02-04T01:08:16","slug":"brasileiro-descobre-cerebro-preservado-em-fossil-de-peixe-com-319-milhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/02\/03\/brasileiro-descobre-cerebro-preservado-em-fossil-de-peixe-com-319-milhoes-de-anos\/","title":{"rendered":"Brasileiro descobre c\u00e9rebro preservado em f\u00f3ssil de peixe com 319 milh\u00f5es de anos"},"content":{"rendered":"<p>Uma pesquisa liderada por um cientista brasileiro, o carioca Rodrigo Figueroa, da Universidade de Michigan (EUA), identificou em um cr\u00e2nio de peixe vertebrado fossilizado h\u00e1 319 milh\u00f5es de anos, o mais antigo c\u00e9rebro preservado no grupo dos peixes \u00f3sseos. O f\u00f3ssil retirado h\u00e1 100 anos de uma mina de carv\u00e3o na Inglaterra cont\u00e9m toda a sua estrutura intacta, as divis\u00f5es, os nervos cranianos e o tecido men\u00edngeo.<\/p>\n<p>O estudo publicado na revista <i>Nature<\/i> nesta quarta-feira, 1\u00ba, pode reestruturar a ideia da evolu\u00e7\u00e3o dos peixes raiados e dar uma nova perspectiva aos bi\u00f3logos sobre a anatomia neural do grupo, que tem hoje alguns modelos utilizados em estudos gen\u00e9ticos evolutivos, como por exemplo, o peixe-zebra.<\/p>\n<\/p>\n<p>O cr\u00e2nio estudado pertence a um animal j\u00e1 extinto que tem o tamanho de um lambari. O Coccocephalus wildi \u00e9 um peixe com nadadeiras raiadas que cont\u00e9m espinha dorsal e barbatanas sustentadas por hastes \u00f3sseas chamadas raios. O material se manteve preservado por causa de um mineral denso que substituiu os tecidos moles do c\u00e9rebro durante a fossiliza\u00e7\u00e3o e resguardou detalhadamente sua estrutura tridimensional.<\/p>\n<\/p>\n<p>A suspeita \u00e9 de que ele tenha sido soterrado por sedimentos ap\u00f3s a morte e por conta da falta de oxig\u00eanio a decomposi\u00e7\u00e3o das partes moles tenham sido desaceleradas.<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;A gente estava tentando analisar a anatomia desses peixes. Est\u00e1vamos fazendo tomografia computadorizada de v\u00e1rios cr\u00e2nios desse tipo de animal e, por acaso, acabamos encontrando esse tipo de preserva\u00e7\u00e3o excepcional&#8221; disse Figueroa.<\/p>\n<\/p>\n<p>A pesquisa faz parte do doutorado de Figueiroa, orientado pelo professor Matt Friedman. Al\u00e9m dos dois, outros pesquisadores da Universidade de Chicago (EUA) e da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, participaram do estudo e tamb\u00e9m assinaram o artigo.<\/p>\n<\/p>\n<p>A tomografia computadorizada (TC) utilizada para examinar o interior do cr\u00e2nio dos peixes permite que a an\u00e1lise dos detalhes na anatomia seja feita sem a destrui\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cime, emprestada a Friedman pelo Manchester Museum, na Inglaterra.<\/p>\n<\/p>\n<p>Al\u00e9m desse empr\u00e9stimo, Figueroa e Friedman trabalham com tomografia computadorizada de cr\u00e2nios f\u00f3sseis de outras esp\u00e9cies de nadadeiras raiadas. Algumas de institui\u00e7\u00f5es brasileiras, como o Centro Paleontol\u00f3gico da Universidade do Contestado (CENPALEO), em Mafra, Santa Catarina.<\/p>\n<\/p>\n<p>Para Figueiroa, a descoberta mostra que, na origem do grupo de peixes raiados, eles j\u00e1 tinham o mesmo tipo de c\u00e9rebro encontrado nos vertebrados atuais, o que inclui humanos e outros animais terrestres. &#8220;Est\u00e1 fazendo essa mudan\u00e7a do que a gente entendia da evolu\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro desse grupo, mostrando que vamos ter de reescrever um pouco a parte de evolu\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro nos livros did\u00e1ticos&#8221;, diz.<\/p>\n<\/p>\n<p>S\u00e3o cerca de 40 mil esp\u00e9cies de peixes com nadadeiras raiadas, que representam metade da diversidade dos animais vertebrados, ou seja, com espinha dorsal, em um grupo que inclui anf\u00edbios, r\u00e9pteis, mam\u00edferos, humanos e diversos peixes. &#8220;\u00c9 bastante importante de ser trabalhado, principalmente quest\u00f5es evolutivas, para tentarmos entender um pouco de como chegamos nesse grupo t\u00e3o diverso e bem sucedido&#8221;, afirma Figueroa.<\/p>\n<\/p>\n<p>O pesquisador explica que o cr\u00e2nio do Coccocephalus foi estudado e publicado nos anos de 1920 e acabou sendo esquecido por um tempo. A amostra chegou a ser perdida e reencontrada novamente nos anos 1970. &#8220;S\u00f3 agora, com essas novas tecnologias, que a gente percebeu que n\u00e3o era s\u00f3 aquela morfologia que a gente estava vendo superficialmente, que era importante&#8221;.<\/p>\n<\/p>\n<p>Apesar da raridade encontrada no f\u00f3ssil vertebrado, este tipo de descoberta \u00e9 mais comum nos animais invertebrados. Em 2021, foi reportada a descoberta do c\u00e9rebro intacto de um caranguejo-ferradura de 310 milh\u00f5es de anos. Tamb\u00e9m h\u00e1 evid\u00eancias de c\u00e9rebros e outras partes do sistema nervoso registradas em esp\u00e9cimes achatados com mais de 500 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<\/p>\n<p><b>O que foi verificado sobre o c\u00e9rebro?<\/b><\/p>\n<\/p>\n<p>Com base na an\u00e1lise, o estudo constata que os nervos cranianos do f\u00f3ssil ficaram intactos dentro da caixa craniana, no entanto somem quando saem do cr\u00e2nio.<\/p>\n<\/p>\n<p>Ao comparar com os c\u00e9rebros de esp\u00e9cimes de peixes modernos da cole\u00e7\u00e3o do Museu de Zoologia da Universidade de Michigan, foi visto que o c\u00e9rebro de Coccocephalus tem um corpo central do tamanho de uma uva-passa com tr\u00eas regi\u00f5es principais que correspondem aproximadamente ao c\u00e9rebro anterior, m\u00e9dio e traseiro em peixes viventes.<\/p>\n<\/p>\n<p>A estrutura do c\u00e9rebro do Coccocephalus indica, segundo a pesquisa, um padr\u00e3o de evolu\u00e7\u00e3o no c\u00e9rebro desses peixes mais complicado do que \u00e9 sugerido pelas esp\u00e9cies viventes sozinhas.<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;Ao contr\u00e1rio de todos os peixes vivos com nadadeiras raiadas, o c\u00e9rebro do Coccocephalus se dobra para dentro,&#8221; disse Figueroa. &#8220;Portanto, este f\u00f3ssil captura um momento importante da evolu\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro destes peixes, antes do surgimento de muitas das caracter\u00edsticas encontradas em esp\u00e9cies viventes&#8221;.<\/p>\n<\/p>\n<p>Comparado aos peixes viventes, o c\u00e9rebro de Coccocephalus se parece mais semelhante com c\u00e9rebros de esturj\u00f5es e peixes esp\u00e1tula, frequentemente chamados de peixes &#8220;primitivos&#8221; porque divergiram de todos os outros peixes vivos com nadadeiras raiadas h\u00e1 mais de 300 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;O pr\u00f3ximo passo \u00e9 tentar encontrar outras esp\u00e9cies desse grande grupo, e at\u00e9 de outros grupos, que tamb\u00e9m tenham esse tipo de preserva\u00e7\u00e3o de tecido mole. Para termos material comparativo que seja mais semelhante em termos de idade com o material do Coccocephalus&#8221;, diz Figueroa. Como o espa\u00e7o entre o Coccocephalus e os vivos \u00e9 muito grande, encontrar f\u00f3sseis que existiram entre as eras pode mostrar como foi a evolu\u00e7\u00e3o dos c\u00e9rebros dos vertebrados ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1988363\/brasileiro-descobre-cerebro-preservado-em-fossil-de-peixe-com-319-milhoes-de-anos?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa liderada por um cientista brasileiro, o carioca Rodrigo Figueroa, da Universidade de Michigan<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":108768,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-108767","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108767","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=108767"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108767\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/108768"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=108767"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=108767"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=108767"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}