{"id":108332,"date":"2023-02-01T13:08:13","date_gmt":"2023-02-01T16:08:13","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/02\/01\/putin-traz-os-80-anos-da-batalha-de-stalingrado-para-a-guerra-da-ucrania\/"},"modified":"2023-02-01T13:08:13","modified_gmt":"2023-02-01T16:08:13","slug":"putin-traz-os-80-anos-da-batalha-de-stalingrado-para-a-guerra-da-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/02\/01\/putin-traz-os-80-anos-da-batalha-de-stalingrado-para-a-guerra-da-ucrania\/","title":{"rendered":"Putin traz os 80 anos da Batalha de Stalingrado para a Guerra da Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<p>IGOR GIELOW (FOLHAPRESS) &#8211; Oitenta anos e meros 380 km separam as realidades encaradas por Vladimir Putin nesta quinta (2), quando o presidente russo comandar\u00e1 o evento de anivers\u00e1rio da vit\u00f3ria sovi\u00e9tica sobre os nazistas em Stalingrado enquanto suas tropas buscam um avan\u00e7o estrat\u00e9gico em Bakhmut, no leste da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Ningu\u00e9m sabe o tom do discurso de Putin na atual Volgogrado, a cidade \u00e0s margens do rio Volga no russo original, mas paralelos for\u00e7ados entre o hero\u00edsmo quase suicida do regime de Josef St\u00e1lin em 1943 e a agress\u00e3o n\u00e3o provocada ao vizinho em 2022 quase certamente estar\u00e3o na ordem do dia.<\/p>\n<p>O l\u00edder sacralizou o calend\u00e1rio de eventos da Grande Guerra Patri\u00f3tica, como a Segunda Guerra Mundial \u00e9 chamada em sua linha do tempo russa, que come\u00e7a em 1941 com a invas\u00e3o dos alem\u00e3es na maior ofensiva da hist\u00f3ria. At\u00e9 ent\u00e3o, St\u00e1lin e Adolf Hitler, o nazista em marcha desde de 1939, eram desconfiados aliados.<\/p>\n<p>E n\u00e3o h\u00e1 data maior do que o 2 de fevereiro de 1943, quando o marechal Friedrich Paulus desobedeceu a Hitler e entregou-se aos sovi\u00e9ticos. Ele e outros 91 mil prisioneiros simbolizavam a maior derrota at\u00e9 ent\u00e3o da Alemanha nazista \u2013e o acionamento do rolo compressor comunista que s\u00f3 iria parar sobre a chancelaria em Berlim, pouco mais de dois anos depois.<\/p>\n<p>Foi o ponto de virada da guerra, ainda que Hollywood compreensivelmente busque vender que a honra foi do Dia D, liderado pelos Aliados ocidentais em 6 de junho de 1944. N\u00e3o para os russos. Nas estradas que d\u00e3o em Volgogrado, assim chamada desde a desestaliniza\u00e7\u00e3o em 1961, o antigo nome voltou a figurar e placas comemorativas, al\u00e9m de valer oficialmente em seis feriados militares.<\/p>\n<p>J\u00e1 h\u00e1 sinais da liga\u00e7\u00e3o que dever\u00e1 ser feita por Putin, que tem gosto por vis\u00f5es peculiares da hist\u00f3ria. Segundo o jornal Kommersant, o partido governista R\u00fassia Unida foi orientado a estabelecer uma ponte direta entre o esfor\u00e7o pago em sangue h\u00e1 80 anos e o incerto n\u00famero de baixas russas agora -que o Ocidente coloca em torno de 100 mil, entre mortos e feridos, ante talvez o mesmo contingente ucraniano.<\/p>\n<p>Putin e seu governo t\u00eam descrito, desde o in\u00edcio da guerra, o governo de Kiev como neonazista, visando um p\u00fablico dom\u00e9stico suscet\u00edvel \u00e0 mem\u00f3ria hist\u00f3ria: 70% dos russos perderam algum parente no conflito entre 1941 e 1945. A ret\u00f3rica baixou um pouco ao longo de 2022, mas o presidente voltou \u00e0 carga na sexta (27), dia internacional de lembran\u00e7a do Holocausto.<\/p>\n<p>\u00c9 um desprop\u00f3sito pol\u00edtico, que se aproveita do fato de que h\u00e1 setores da pol\u00edtica e das for\u00e7as ucranianas com inspira\u00e7\u00e3o neonazista, o que tem resson\u00e2ncia na elite russa.<\/p>\n<p>Mesmo detalhes como o emprego por Kiev de cruzes que lembram a ins\u00edgnia alem\u00e3 da Segunda Guerra em seus tanques ou o fato de que blindados germ\u00e2nicos ser\u00e3o usados contra os russos agora integram guerra de propaganda. De seu lado, os ucranianos comparam frequentemente Putin a Hitler.<\/p>\n<p>Nada disso, contudo, deveria tisnar a lembran\u00e7a do que ocorreu no sul da R\u00fassia em 1943. Os n\u00fameros brutais de Stalingrado se imp\u00f5e como sombra sobre toda a hist\u00f3ria do combate, sendo amplamente considerada a batalha mais sangrenta j\u00e1 travada.<\/p>\n<p>As estimativas mais recentes colocam em at\u00e9 850 mil o n\u00famero de baixas alem\u00e3s, talvez metade de mortos. J\u00e1 os sovi\u00e9ticos pagaram com 1,3 milh\u00e3o de baixas, 480 mil de soldados mortos e talvez mais 200 mil de civis falecidos -metade de sua popula\u00e7\u00e3o pr\u00e9-guerra, hoje em cerca de 1 milh\u00e3o de pessoas.<\/p>\n<p>S\u00e3o dados inconfi\u00e1veis, mas que d\u00e3o a propor\u00e7\u00e3o da hecatombe que ser\u00e1 relembrada por Putin. No auge do embate, no fim de 1942, havia cerca de 1 milh\u00e3o de soldados de cada lado de uma \u00e1rea ex\u00edgua \u00e0s margens do Volga. &#8220;Rattenkrieg&#8221;, a guerra dos ratos como diziam os alem\u00e3es, todos se esgueirando por ru\u00ednas, esgotos, esconderijos.<\/p>\n<p>Tais condi\u00e7\u00f5es horrorosas serviram a filmes sobre a batalha, como os muito bons &#8220;Stalingrado&#8221; alem\u00e3o (1993) e russo (2013), e o aguado pan-ocidental &#8220;C\u00edrculo de Fogo&#8221; (2001). Livros s\u00e3o ainda mais numerosos, com a obra-prima do historiador brit\u00e2nico Antony Beevor, &#8220;Stalingrado &#8211; O cerco fatal&#8221; (Ed. Record, fora de cat\u00e1logo), \u00e0 frente.<\/p>\n<p>No centro da trag\u00e9dia, a soberba de Hitler e a rixa pessoal entre o ditador nazista e o tirano sovi\u00e9tico. Stalingrado, antiga Tsar\u00edtsin at\u00e9 ser renomeada em 1925 para homenagear o chefe do Kremlin (cidade de St\u00e1lin, em russo), era uma etapa apenas intermedi\u00e1ria de uma campanha mais importante.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s varrer a Ucr\u00e2nia em 1941, os nazistas estavam postados nas frentes hoje ocupadas pelos homens de Putin e Volodimir Zelenski, capitaneados pelo 6\u00ba Ex\u00e9rcito, uma for\u00e7a de elite ent\u00e3o com 330 mil soldados. Mas Moscou e Leningrado (S\u00e3o Petersburgo hoje) n\u00e3o ca\u00edram.<\/p>\n<p>Para piorar, o esfor\u00e7o de guerra j\u00e1 cobrava seu pre\u00e7o e o petr\u00f3leo necess\u00e1rio para prosseguir, retirado da aliada Rom\u00eania, estava se tornando escasso. A solu\u00e7\u00e3o em Berlim foi investir tudo na tomada dos campos petrol\u00edferos sovi\u00e9ticos do C\u00e1ucaso, da Tchetch\u00eania ao Azerbaij\u00e3o.<\/p>\n<p>A ofensiva Estojo Azul come\u00e7ou em 28 de junho, e avan\u00e7ou t\u00e3o rapidamente que Hitler achou correto dividir suas for\u00e7as: os homens de Paulus iriam tomar Stalingrado, enquanto divis\u00f5es de tanques rumariam aos campos de petr\u00f3leo de Baku. Isso se provou fatal, apesar do aparente sucesso inicial alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 30 de setembro, Hitler personalizou a coisa, dizendo que a Alemanha nunca deixaria a cidade com o nome do inimigo. Em mais 15 dias, teria 90% da Stalingrado em ru\u00ednas sob seu controle, mas fracassou em ver a contraofensiva sovi\u00e9tica. Ela apostou em cercar a cidade, atacando as mais fracas posi\u00e7\u00f5es de aliados menos capazes do Reich alem\u00e3o, como romenos, italianos e h\u00fangaros na retaguarda.<\/p>\n<p>Quando percebeu a trag\u00e9dia em curso, Paulus pediu para fazer uma retirada t\u00e1tica que poderia ter salvo suas for\u00e7as. Hitler n\u00e3o s\u00f3 disse n\u00e3o como o promoveu de general a marechal-de-campo, em outras palavras exigindo vit\u00f3ria ou morte.<\/p>\n<p>O resultado, celebrado por todos l\u00edderes sensatos no Ocidente at\u00e9 aqui, foi a destrui\u00e7\u00e3o do 6\u00ba Ex\u00e9rcito e o fim do avan\u00e7o nazista a leste. Haveria ainda muita viol\u00eancias pela frente, mas a guerra estava perdida para Berlim -o pr\u00f3prio Hitler colocaria Stalingrado como o marco fatal de seu regime no fim de 1944.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/1987456\/putin-traz-os-80-anos-da-batalha-de-stalingrado-para-a-guerra-da-ucrania?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>IGOR GIELOW (FOLHAPRESS) &#8211; Oitenta anos e meros 380 km separam as realidades encaradas por<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":108333,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-108332","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108332","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=108332"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/108332\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/108333"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=108332"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=108332"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=108332"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}