{"id":107572,"date":"2023-01-27T07:08:22","date_gmt":"2023-01-27T10:08:22","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/01\/27\/brasil-e-o-pais-que-mais-mata-transexuais-e-travestis-pelo-14o-ano-seguido\/"},"modified":"2023-01-27T07:08:22","modified_gmt":"2023-01-27T10:08:22","slug":"brasil-e-o-pais-que-mais-mata-transexuais-e-travestis-pelo-14o-ano-seguido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/01\/27\/brasil-e-o-pais-que-mais-mata-transexuais-e-travestis-pelo-14o-ano-seguido\/","title":{"rendered":"Brasil \u00e9 o pa\u00eds que mais mata transexuais e travestis pelo 14\u00ba ano seguido"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Eram 4h30 do dia 30 de julho do \u00faltimo ano quando Isabella Yanka, 20, foi assassinada a facadas em Ceil\u00e2ndia, no Distrito Federal. Isabella, que saira de uma festa minutos antes, estava embriagada e indefesa, segundo a investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Levaram quatro dias at\u00e9 que a Pol\u00edcia Civil prendesse um homem de 27 anos, que logo se declarou culpado. A identidade do assassino foi protegida pelos investigadores, mas a hist\u00f3ria da qual ele foi agente entrou para as estat\u00edsticas.<\/p>\n<p>A morte da jovem \u00e9 uma das dezenas computadas pela Antra (Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais) em seu relat\u00f3rio anual.<\/p>\n<p>O levantamento aponta ser o Brasil, pelo 14\u00ba ano consecutivo, o pa\u00eds com maior n\u00famero total de homic\u00eddios de pessoas travestis e transexuais. Segundo ele, 131 indiv\u00edduos foram mortos no pa\u00eds em 2022.<\/p>\n<p>A maioria das v\u00edtimas tinha entre 18 e 29 anos, pr\u00f3ximo \u00e0 expectativa de vida de uma pessoa trans no Brasil, 35 anos.<\/p>\n<p>Apesar disso, a taxa \u00e9 6% menor comparada se comparada ao registrado em 2021, quando houve 140 homic\u00eddios.<\/p>\n<p>Por estado, Pernambuco, com 13, foi o campe\u00e3o de assassinatos. S\u00e3o Paulo, historicamente o estado que re\u00fane o maior n\u00famero de v\u00edtimas, ficou em segundo lugar, com 11, empatado com o Cear\u00e1.<\/p>\n<p>Na toada de Pernambuco e Cear\u00e1, o Nordeste \u00e9 a regi\u00e3o brasileira em que mais se assassinam trans e travestis. No \u00faltimo ano, 40,5% dos casos foram computados na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os dados foram divulgados na tarde desta quinta-feira (26), quando o dossi\u00ea foi entregue ao ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida. Durante esta semana, o ministro recebe v\u00e1rias personalidades trans. O Dia da Visibilidade Trans \u00e9 comemorado no pr\u00f3ximo domingo (29).<\/p>\n<p>O dossi\u00ea tamb\u00e9m ressalta que a maioria dos crimes aconteceu durante a noite, com pessoas que se prostituem para sobreviver.<br \/>Para tra\u00e7ar o mapa da viol\u00eancia, a pesquisa da Antra levou em conta fontes prim\u00e1rias de informa\u00e7\u00e3o, como entidades respons\u00e1veis pela seguran\u00e7a p\u00fablica, Poder Judici\u00e1rio e imprensa. Tamb\u00e9m foram usadas fontes secund\u00e1rias, como redes sociais, relatos testemunhais e institui\u00e7\u00f5es de direitos humanos.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s os brasileiros, mexicanos e norte-americanos s\u00e3o respons\u00e1veis pela maior quantidade de assassinatos de travestis e trans.<\/p>\n<p>No M\u00e9xico, 56 pessoas foram mortas em 2022; nos Estados Unidos, 51.<\/p>\n<p>Segundo o projeto Trans Murder Monitoring (Monitoramento de Assassinatos de Trans, em portugu\u00eas), do total de 4.639 homic\u00eddios catalogados entre janeiro de 2008 e setembro de 2022, 1.741 ocorreram no Brasil. Ou seja, sozinho, o pa\u00eds acumulou 37,5% das mortes mundiais.<\/p>\n<p>Americanos e mexicanos t\u00eam 649 (14%) e 375 (8%) no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Por regi\u00e3o, Am\u00e9rica Latina e Caribe concentram 68% dos assassinados catalogados desde 2008.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise do projeto mostra ainda que, em 2022, 95% dos assassinados em todo o mundo eram pessoas transfemininas. Al\u00e9m disso, pessoas pretas ou pardas representavam 65% das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Bruna Benevides, secret\u00e1ria de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da Antra e respons\u00e1vel pela formula\u00e7\u00e3o do dossi\u00ea, diz que os dados chamam aten\u00e7\u00e3o por continuarem extremamente altos. &#8220;Houve uma pequena varia\u00e7\u00e3o, claro, mas n\u00f3s n\u00e3o acreditamos que isso seja positivo. N\u00e3o h\u00e1 um programa de governo para atacar esse problema, precisamos de a\u00e7\u00f5es conjuntas e estruturadas para ver uma diminui\u00e7\u00e3o cont\u00ednua no n\u00famero de mortos.&#8221;<\/p>\n<p>Benevides afirma que durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a\u00e7\u00f5es para a popula\u00e7\u00e3o trans foram escanteadas.<br \/>No in\u00edcio deste m\u00eas, governo Lula (PT) criou uma secretaria especial LGBTQIA+. A titular da pasta \u00e9 uma travesti, Symmy Larrat, ex-presidente da ABLGT (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Gays, L\u00e9sbicas e Transexuais).<\/p>\n<p>Junto ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, a secretaria LGBT+ articula projetos para prote\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o trans, inclusive com participa\u00e7\u00e3o da Antra e as deputadas Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PDT-MG), as primeiras parlamentares transg\u00eanero da hist\u00f3ria do Congresso Nacional.<\/p>\n<p>&#8220;A realidade de pessoas trans no Brasil \u00e9 preocupante e n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o se estarrecer com esses dados que hoje s\u00e3o mensurados apenas pelos movimentos sociais. Nos \u00faltimos anos, houve conquistas importantes, via Judici\u00e1rio, que garantem maior seguran\u00e7a e direitos a esta popula\u00e7\u00e3o, mas o governo anterior n\u00e3o promoveu as ferramentas necess\u00e1rias para sua execu\u00e7\u00e3o&#8221;, declarou Larrat \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso maior desafio emergencial \u00e9 promover as pontes na pol\u00edtica p\u00fablica para que as normativas legais, que assegurem o acolhimento e justi\u00e7a em caso de transfobia, sejam criadas e implementadas, ampliando a produ\u00e7\u00e3o de dados e, sobretudo, a prote\u00e7\u00e3o das pessoas&#8221;, completou.<\/p>\n<p>O modelo de inclus\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o utilizado pela cidade de S\u00e3o Paulo \u00e9 um que agrada a membros da articula\u00e7\u00e3o trans em Bras\u00edlia. A cidade possui um programa, ligado \u00e0 secretaria de assist\u00eancia social, chamado transcidadania, que promove a reintegra\u00e7\u00e3o social para travestis, mulheres e homens trans em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<\/p>\n<p>O programa oferece aux\u00edlio financeiro e suporte para que essas pessoas voltem \u00e0 escola.<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga Fe Maidel, mulher trans e assessora de coordena\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas para a popula\u00e7\u00e3o LGBTI+ de S\u00e3o Paulo, diz a popula\u00e7\u00e3o trans merece um tratamento mais humanizado.<\/p>\n<p>&#8220;Somos uma minoria em vulnerabilidade com necessidades extremas e diversas. H\u00e1 uma tend\u00eancia de jogar nossas mortes para baixo do tapete. De muitas formas, tentam nos invisibilizar. N\u00e3o h\u00e1 nem dados nacionais confi\u00e1veis sobre essa popula\u00e7\u00e3o&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p>Maidel tamb\u00e9m culpa o governo anterior por elevar o tom contra minorias, assim inflando o \u00f3dio.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas t\u00eam medo do desconhecido. O discurso do governo passado era de que \u00e9ramos pecadores. \u00c9 claro que n\u00e3o \u00e9 isso. Somos pessoas como quaisquer outras. Se tivermos acesso \u00e0 escola, condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de vida e dignidade, teremos um futuro melhor&#8221;, afirma a assessora.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1985998\/brasil-e-o-pais-que-mais-mata-transexuais-e-travestis-pelo-14-ano-seguido?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Eram 4h30 do dia 30 de julho do \u00faltimo ano<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":107573,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-107572","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107572","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=107572"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107572\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/107573"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=107572"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=107572"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=107572"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}