{"id":107387,"date":"2023-01-26T07:08:22","date_gmt":"2023-01-26T10:08:22","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/01\/26\/mpox-ainda-e-problema-de-saude-publica-dizem-especialistas-da-fiocruz\/"},"modified":"2023-01-26T07:08:22","modified_gmt":"2023-01-26T10:08:22","slug":"mpox-ainda-e-problema-de-saude-publica-dizem-especialistas-da-fiocruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/01\/26\/mpox-ainda-e-problema-de-saude-publica-dizem-especialistas-da-fiocruz\/","title":{"rendered":"Mpox ainda \u00e9 problema de sa\u00fade p\u00fablica, dizem especialistas da Fiocruz"},"content":{"rendered":"<p>O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI) da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (\/Fiocruz) e a revista cient\u00edfica <em>The Lancet Regional Health Americas<\/em> lan\u00e7aram hoje (25) edi\u00e7\u00e3o especial do encarte Mpox<em> multinacional nas Am\u00e9ricas: Li\u00e7\u00f5es do Brasil e do M\u00e9xico<\/em>, com artigos sobre a monkeypox ou &#8220;var\u00edola dos macacos&#8221;, como \u00e9 popularmente conhecida. A Mpox \u00e9 uma doen\u00e7a viral e a transmiss\u00e3o entre humanos ocorre principalmente por meio de contato com les\u00f5es de pele de pessoas infectadas.<\/p>\n<p>A editora-chefe da revista, Taissa Vila, destacou que embora esteja caminhando para resolu\u00e7\u00e3o em alguns pa\u00edses, a Mpox ainda \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica em v\u00e1rios lugares do mundo, como as Am\u00e9ricas. Na avalia\u00e7\u00e3o da infectologista Beatriz Grinsztejn, chefe do Laborat\u00f3rio de Pesquisa Cl\u00ednica em HIV\/Aids (LapClin Aids) e presidente eleita da International Aids Society (IAS), \u00e9 importante remeter ao fato de que a Mpox \u201c\u00e9 uma doen\u00e7a negligenciada em termos de pesquisa e de recursos e tratamentos efetivos\u201d, que poderiam ser disponibilizados, evitando ocorr\u00eancia elevada e mortes nos pa\u00edses pobres da \u00c1frica. Beatriz lembrou que somente quando chegou \u00e0 Europa, em meados do ano passado, \u00e9 que a doen\u00e7a chamou a aten\u00e7\u00e3o do mundo, e isso causa vergonha por se ver quantas pessoas lidam com essa doen\u00e7a na \u00c1frica, h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Segundo a infectologista, a caracter\u00edstica de les\u00f5es genitais j\u00e1 estava descrita na epidemia na Nig\u00e9ria, onde a diversidade de op\u00e7\u00e3o sexual das pessoas n\u00e3o \u00e9 aceita. Beatriz Grinsztejn afirmou que a Mpox tem sintonia com as infec\u00e7\u00f5es sexualmente transmiss\u00edveis (IST), o que leva \u00e0 possibilidade de agravamento da doen\u00e7a nessas pessoas. E defendeu o combate ao estigma e \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o sempre. A Mpox \u00e9 mais observada entre homens gays e bissexuais.<\/p>\n<p>Para a professora titular do Departamento de Psicologia Social da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Vera Paiva, cinco \u00e1reas n\u00e3o podem ser ignoradas na pandemia da covid-19 e nas pandemias que vir\u00e3o, sem tampouco ignorar a Mpox. A primeira \u00e9 que estejam associadas a pessoas de segmentos mais vulner\u00e1veis. \u00c9 necess\u00e1rio diferenciar tamb\u00e9m as estruturas do sistema de sa\u00fade; combater mensagens enganosas e imprecisas, a exemplo das <em>fake news<\/em> (not\u00edcias falsas); reduzir a depend\u00eancia a vacinas e tratamentos estrangeiros e solucionar crise de governan\u00e7a em que se desenrola a luta contra as epidemias. \u201cFicou claro que desde a Aids e a covid-19 que esses n\u00e3o s\u00e3o eventos apenas virais\u201d, observou Vera.<\/p>\n<p>Segundo a professora da USP, entre as li\u00e7\u00f5es que n\u00e3o se pode esquecer da covid-19 e outras epidemias \u00e9 que o n\u00famero de mortes e adoecimentos depende da pol\u00edtica de enfrentamento, que as mortes e adoecimentos ocorrem mais em territ\u00f3rios perif\u00e9ricos empobrecidos, que t\u00eam ra\u00e7a, cor, g\u00eanero, que crescem mais onde os governos s\u00e3o negligentes em proteger os direitos humanos ou violam o direito \u00e0 vida e \u00e0 sa\u00fade integral. O crescimento das epidemias confirma marcadores de desigualdade e viola\u00e7\u00e3o de diretos humanos, indicou.<\/p>\n<p>Conforme reiterou Vera Paiva, ser\u00e1 fundamental, diante de qualquer epidemia, que haja combate ao estigma em um primeiro momento, associado \u00e0 infec\u00e7\u00e3o e \u00e0s pessoas de segmentos mais vulner\u00e1veis; combate \u00e0 infodemia (grande fluxo de informa\u00e7\u00f5es que se espalham pela internet sobre um assunto espec\u00edfico) imprecisa e enganosa, n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Mpox, mas a outras epidemias; necessidade de financiamento para o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS); retomada da ideia de quebra de patentes e produ\u00e7\u00e3o de vacinas, acabando com a depend\u00eancia de vacinas e tratamentos estrangeiros. A preven\u00e7\u00e3o deve ser integral para todas as epidemias, pensando nos princ\u00edpios de direitos humanos. \u201cEsse \u00e9 o grande desafio\u201d, manifestou.<\/p>\n<p>A infectologista do INI, Mayara Secco, informou que at\u00e9 o dia 24 de janeiro de 2023, foram confirmados no Brasil 10.711 casos de Mpox, com 11 \u00f3bitos. Os estados mais afetados foram S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro. Em 2022, o INI atendeu 416 casos confirmados no Rio de Janeiro e 402 casos descartados. Neste m\u00eas de janeiro, foram atendidos 32 casos, dos quais 22 foram confirmados, 5 descartados e 5 se encontram em investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para a especialista, a emerg\u00eancia de sa\u00fade ainda representa um desafio para o setor da sa\u00fade e os 22 casos confirmados em janeiro de 2023 significam uma taxa de positividade alta. A an\u00e1lise dos casos confirmados desde o aparecimento do primeiro paciente revela que os homens cis constituem a maior parcela dos afetados, com 87%, contra 5,5% de mulheres cis. A maior parcela dos afetados est\u00e1 na faixa et\u00e1ria de 30 a 39 anos. Dos confirmados, 97% tiveram rela\u00e7\u00e3o sexual 30 dias antes do aparecimento dos primeiros sintomas de Mpox. Entre aos pacientes que confirmaram a Mpox no INI\/Fiocruz, 51% conviviam com HIV e 30% s\u00f3 tinham uma regi\u00e3o do corpo acometida.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a de nomenclatura de monkeypox para Mpox foi anunciada pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) em 28 de novembro de 2022, ap\u00f3s den\u00fancias de discrimina\u00e7\u00e3o e racismo e de not\u00edcia de assassinato de macacos no Brasil. O prazo para que o mundo adote a nova nomenclatura \u00e9 de um ano.<\/p>\n<p>A chefe do Laborat\u00f3rio de Biologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Clarissa Damaso, esclareceu que o <em>monkeypox<\/em> n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a de macacos, nem se trata de uma doen\u00e7a nova ou um v\u00edrus novo, tendo sido descrita em 1958. \u201cO macaco \u00e9 t\u00e3o v\u00edtima como os humanos\u201d.<\/p>\n<p>Clarissa defendeu que a troca de nome para Mpox tem de ser gradual, \u201cporque h\u00e1 uma hist\u00f3ria de pesquisas por tr\u00e1s\u201d, de testes cl\u00ednicos em andamento, inclusive, e de tratamentos e vacinas aprovados. Para a virologista da UFRJ, o que precisa ser debatido e combatido \u00e9 o comportamento humano e n\u00e3o o nome da doen\u00e7a em si, porque acredita que n\u00e3o se conseguir\u00e1 alterar a quest\u00e3o do preconceito da sociedade s\u00f3 mudando o nome da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Ela citou, por outro lado, trocas de nomes com sucesso, entre as quais a S\u00edndrome de <em>Down<\/em>, ou mongolismo, por Trissomia de 21, e a lepra por hansen\u00edase.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1985647\/mpox-ainda-e-problema-de-saude-publica-dizem-especialistas-da-fiocruz?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI) da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (\/Fiocruz) e a<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":107388,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-107387","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=107387"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/107387\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/107388"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=107387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=107387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=107387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}