{"id":106148,"date":"2023-01-18T06:08:17","date_gmt":"2023-01-18T09:08:17","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/01\/18\/sinto-falta-da-minha-mao-diz-mulher-amputada-apos-dar-a-luz-no-rj\/"},"modified":"2023-01-18T06:08:17","modified_gmt":"2023-01-18T09:08:17","slug":"sinto-falta-da-minha-mao-diz-mulher-amputada-apos-dar-a-luz-no-rj","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/01\/18\/sinto-falta-da-minha-mao-diz-mulher-amputada-apos-dar-a-luz-no-rj\/","title":{"rendered":"&#8216;Sinto falta da minha m\u00e3o&#8217;, diz mulher amputada ap\u00f3s dar \u00e0 luz no RJ"},"content":{"rendered":"<p>(UOL\/FOLHAPRESS) &#8211; A mulher que teve m\u00e3o e punho amputados ap\u00f3s dar \u00e0 luz em um hospital no Rio de Janeiro, diz que a rotina tem sido muito dif\u00edcil nos \u00faltimos tr\u00eas meses. At\u00e9 agora, Gleice Kelly Gomes, 24 busca por respostas para entender o que aconteceu no Hospital da Mulher Interm\u00e9dica de Jacarepagu\u00e1, na zona oeste da cidade. Nesta quarta-feira (18), ela diz que deve participar de reuni\u00e3o com a mediadora da empresa, que teria prometido explica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>&#8220;Sinto falta da minha m\u00e3o. Em apenas tr\u00eas meses, \u00e9 tudo completamente diferente. Nasci de novo, zerei minha vida, estou tendo que me adaptar a fazer tudo e n\u00e3o h\u00e1 nada que vai trazer minha m\u00e3o de volta&#8221;, afirmou Gleice Kelly, fiscal de caixa<\/p>\n<p>A v\u00edtima deu entrada no Hospital da Mulher Interm\u00e9dica de Jacarepagu\u00e1, na zona oeste do Rio de Janeiro, no dia 9 de outubro de 2022, quando estava com 39 semanas. Assim que o beb\u00ea nasceu, no dia 10, de parto normal, a equipe m\u00e9dica identificou uma hemorragia grave na paciente, que precisou ser tratada.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que fizeram um acesso na veia para passar os medicamentos, mas a paciente j\u00e1 estava desacordada. Em menos de 12 horas, o bra\u00e7o de Gleice come\u00e7ou a apresentar complica\u00e7\u00f5es. Primeiro, ficou vermelho, depois come\u00e7ou a inchar muito r\u00e1pido e em seguida, come\u00e7ou a ficar roxo. As dores e o inc\u00f4modo eram relatados para a equipe m\u00e9dica, mas nada foi feito de imediato.<\/p>\n<p>A mulher estava acompanhada do marido e da m\u00e3e, que ouviram que o acesso ficou muito tempo no mesmo bra\u00e7o e por isso estava inchando. &#8220;S\u00f3 quando os dedos j\u00e1 estavam roxos, foi que tiraram o acesso do bra\u00e7o esquerdo, colocaram no pesco\u00e7o e no bra\u00e7o direito&#8221;, disse a paciente. Enquanto o bra\u00e7o de Gleice gerava preocupa\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia, a equipe m\u00e9dica estava preocupada com a hemorragia que precisava ser tratada e com a transfer\u00eancia hospitalar que deveria ser feita, j\u00e1 que no Hospital da Mulher Interm\u00e9dica n\u00e3o tinha CTI.<\/p>\n<p>Quatro dias ap\u00f3s a transfer\u00eancia para a unidade hospitalar de S\u00e3o Gon\u00e7alo, o marido de Gleice recebeu uma liga\u00e7\u00e3o dizendo que ela precisaria amputar a m\u00e3o e o punho.<\/p>\n<p>&#8220;Eles ligaram dizendo que tinham que amputar o antebra\u00e7o da minha esposa, porque n\u00e3o tinha jeito; ela poderia perder a vida ou o bra\u00e7o todo. Eu fiquei chocado, ningu\u00e9m sabia explicar o motivo, ningu\u00e9m saber dizer o motivo de ter chegado a esse ponto&#8221;, disse o profissional de constru\u00e7\u00e3o civil Marcio de Oliveira Barbosa, 29.<\/p>\n<p>&#8220;O QUE SINTO MAIS FALTA \u00c9 A MINHA INDEPEND\u00caNCIA&#8221;<\/p>\n<p>M\u00e3e de duas crian\u00e7as de 8 e 4 anos, Gleice n\u00e3o planejou o terceiro filho, agora com tr\u00eas meses. A rotina de m\u00e3e n\u00e3o lhe seria estranha, n\u00e3o fosse a nova realidade, que demanda adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para trabalhar, ela deixava os filhos com a sogra que, por trabalhar de casa, sempre ajudou a tomar conta das crian\u00e7as. Gleice dava caf\u00e9 da manh\u00e3 e banho nas crian\u00e7as e seguia para o trabalho, de transporte p\u00fablico. As tarefas dom\u00e9sticas, a prepara\u00e7\u00e3o das refei\u00e7\u00f5es e a troca de fraldas sempre foram feitas por ela, at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o tenho como dar banho no meu filho porque ele ainda n\u00e3o est\u00e1 com a coluna firme, s\u00f3 tem tr\u00eas meses, n\u00e3o fica sentado. N\u00e3o tem como dar banho com uma m\u00e3o e passar sab\u00e3o com a outra porque n\u00e3o tenho mais [a m\u00e3o]. \u00c9 uma rotina para mim triste, sacrificante e eu nem posso demonstrar sofrimento porque meu filho de 8 anos j\u00e1 entende as coisas e eu n\u00e3o quero passar para eles que o nascimento do irm\u00e3o me trouxe uma tristeza. At\u00e9 porque a \u00fanica coisa boa disso tudo foi o nascimento do Levi&#8221;, contou Gleice.<\/p>\n<p>O p\u00f3s-parto do terceiro filho acabou sendo muito diferente dos outros dois, j\u00e1 que al\u00e9m da amputa\u00e7\u00e3o, ela ficou em um hospital diferente do rec\u00e9m-nascido.<\/p>\n<p>&#8220;Eu sempre fiz tudo, sempre amamentei. Meu segundo filho mamou por seis meses sem precisar de complemento. Agora, com o Levi, eu n\u00e3o pude amamentar, n\u00e3o pude ver. S\u00f3 vi meu filho quando nasceu e fui transferida logo depois. E s\u00f3 vi porque eu pedi para que me levassem at\u00e9 ele. Depois que fui transferida, tive a m\u00e3o amputada, fiquei cerca de treze dias longe do meu filho, em outro hospital. Ent\u00e3o isso tudo para mim \u00e9 muito novo&#8221;, disse Gleice.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da maternidade, a v\u00edtima enfrenta dificuldade tamb\u00e9m com quest\u00f5es femininas, que antes eram resolvidas de forma muito simples, como o fato de arrumar o pr\u00f3prio cabelo.<\/p>\n<p>&#8220;O que sinto mais falta \u00e9 a minha independ\u00eancia. Sempre andei de coque no cabelo, agora, prender o cabelo \u00e9 um sacrif\u00edcio. Para fazer um rabo de cavalo, tenho que pedir ajuda. Se eu for na rua e a minha pregadeira soltar, vai ser uma dificuldade para prender o cabelo de novo. Sinto falta da minha m\u00e3o. Em apenas tr\u00eas meses, \u00e9 tudo completamente diferente. Nasci de novo, zerei minha vida, estou tendo que me adaptar a fazer tudo e n\u00e3o h\u00e1 nada que vai trazer minha m\u00e3o de volta&#8221;, lamenta.<\/p>\n<p>A v\u00edtima precisa lidar com as suas pr\u00f3prias quest\u00f5es e a dos filhos. O mais velho, por exemplo, tem enfrentado dificuldades para lidar com sua situa\u00e7\u00e3o e falar sobre o assunto, inclusive na escola.<\/p>\n<p>&#8220;Perto desse bra\u00e7o que eu perdi, ele n\u00e3o chega muito perto, n\u00e3o toca. No hospital ficou retra\u00eddo, na escola ficou com dificuldade, chorava, ficava distante, n\u00e3o conseguia ir, foi bem complicado. Na minha alta, eu fui mostrando para ele que o que aconteceu n\u00e3o tem nada a ver com o nascimento do irm\u00e3o, estou dando todo o suporte&#8221;, lembra.<\/p>\n<p>Desde que voltou para casa, Gleice passou a receber uma corrente de apoio da fam\u00edlia. O marido, a sogra, a m\u00e3e e seus irm\u00e3os se revezam para ajudar nas tarefas dom\u00e9sticas, no cuidado com as crian\u00e7as e nas sa\u00eddas quando precisam resolver alguma coisa na rua.<\/p>\n<p>PR\u00d3XIMOS PASSOS<\/p>\n<p>H\u00e1 cinco anos e cinco meses, Gleice trabalha em uma grande rede de supermercado como fiscal de caixa, seu primeiro emprego. De licen\u00e7a-maternidade, ela j\u00e1 pensa na volta, mas agora n\u00e3o sabe qual fun\u00e7\u00e3o vai exercer.<\/p>\n<p>&#8221; Agora, minha rotina tem sido muito dif\u00edcil. N\u00e3o sei se volto a trabalhar, como vai ficar, porque uso as duas m\u00e3os para fazer a retirada do caixa, alguns procedimentos, para ter uma agilidade melhor. N\u00e3o tem como contar dinheiro r\u00e1pido com uma m\u00e3o s\u00f3. N\u00e3o posso perder muito tempo em uma troca de caixa porque supermercado \u00e9 sempre cheio, tem tudo isso. N\u00e3o tenho mais como trabalhar na minha pr\u00f3pria fun\u00e7\u00e3o&#8221;, reflete Gleice.<\/p>\n<p>&#8220;Recebi a liga\u00e7\u00e3o da mediadora dizendo que sente muito pelo acontecido e que s\u00f3 tomou conhecimento dos fatos agora, j\u00e1 que a diretoria fica em S\u00e3o Paulo e o caso tomou uma propor\u00e7\u00e3o muito grande. A Gleice realmente precisa de assist\u00eancia, mas vamos continuar nessa luta at\u00e9 aparecer quem foi o respons\u00e1vel por isso&#8221;, disse a advogada da paciente, Monalisa Gagno.<\/p>\n<p>\u00c0 reportagem, o hospital enviou uma nota dizendo que est\u00e1 prestando todo apoio e est\u00e1 apurando o que aconteceu com a paciente.<\/p>\n<p>&#8220;O hospital declara que est\u00e1 totalmente solid\u00e1rio com a v\u00edtima, e lamenta profundamente o ocorrido. Reitera o empenho em apurar com toda seriedade, transpar\u00eancia e aten\u00e7\u00e3o os procedimentos m\u00e9dicos e hospitalares adotados durante seu atendimento. Para tanto, solicitou ao Comit\u00ea de \u00c9tica M\u00e9dico a coordena\u00e7\u00e3o desses trabalhos. Independente de tal apura\u00e7\u00e3o, o hospital vem mantendo contato com a paciente e seus representantes para prestar todo acolhimento poss\u00edvel e atender suas necessidades, assim como se mant\u00e9m \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para que todos os esclarecimentos necess\u00e1rios sejam realizados&#8221;, diz a nota.<\/p>\n<p>O caso de Glaice agora \u00e9 tamb\u00e9m uma investiga\u00e7\u00e3o policial. Em nota, a Pol\u00edcia Civil disse que a 41\u00aa DP, Tanque, fez o registro como les\u00e3o corporal culposa. &#8220;Testemunhas est\u00e3o sendo ouvidas e os documentos m\u00e9dicos foram requisitados para ajudar a esclarecer o caso&#8221;, disse a institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1983210\/sinto-falta-da-minha-mao-diz-mulher-amputada-apos-dar-a-luz-no-rj?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(UOL\/FOLHAPRESS) &#8211; A mulher que teve m\u00e3o e punho amputados ap\u00f3s dar \u00e0 luz em<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":106149,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-106148","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106148","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=106148"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/106148\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/106149"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=106148"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=106148"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=106148"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}