{"id":105846,"date":"2023-01-16T14:08:21","date_gmt":"2023-01-16T17:08:21","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/01\/16\/forcas-de-seguranca-somam-casos-internos-de-lgbtfobia\/"},"modified":"2023-01-16T14:08:21","modified_gmt":"2023-01-16T17:08:21","slug":"forcas-de-seguranca-somam-casos-internos-de-lgbtfobia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/01\/16\/forcas-de-seguranca-somam-casos-internos-de-lgbtfobia\/","title":{"rendered":"For\u00e7as de seguran\u00e7a somam casos internos de LGBTfobia"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; A policial P\u00e1ris Borges Barbosa decidiu entrar para a Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal em 2012. Na \u00e9poca precisou raspar o cabelo. Com o tempo, conseguiu deixar ele crescer, e logo virou alvo de piadas machistas e homof\u00f3bicas.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Cinco anos depois de estar na corpora\u00e7\u00e3o ela assumiu publicamente ser uma mulher transexual \u2013o que fez a situa\u00e7\u00e3o piorar, conta. Foi chamada por colegas de trabalho de &#8220;aberra\u00e7\u00e3o da natureza&#8221;, &#8220;traveco&#8221;, &#8220;falsifica\u00e7\u00e3o de mulher&#8221;. Alguns agentes homens n\u00e3o queriam mais trabalhar na mesma viatura.<\/p>\n<p>A persegui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m vinha em pequenos atos do alto escal\u00e3o, como o engavetamento de pedidos de afastamento para cursar mestrado e doutorado e a demora em ser transferida para a Academia da Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal de Santa Catarina.<\/p>\n<p>Em 2022, quando j\u00e1 estava na academia da PRF, n\u00e3o a liberaram para o doutorado com a justificativa de que haveria impacto no efetivo. No dia seguinte, recebeu a not\u00edcia de que iria com mais cinco colegas para a \u00e1rea operacional.<\/p>\n<p>P\u00e1ris foi a \u00fanica a n\u00e3o ir para a nova fun\u00e7\u00e3o e foi colocada para atender telefone. Dias depois soube que a atitude do superior ocorreu para que n\u00e3o voltasse ao servi\u00e7o de rua e &#8220;manchasse a imagem da corpora\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A fun\u00e7\u00e3o de atendente de telefone foi o ato mais cruel que um superior cometeu contra mim. Falar ao telefone \u00e9 angustiante porque a pessoa que est\u00e1 do outro lado n\u00e3o sabe que eu sou mulher e ao me ouvir me trata com o pronome masculino e come\u00e7a a me chamar de senhor. Eu sa\u00eda todos os dias emocionalmente destru\u00edda&#8221;, disse.<\/p>\n<p>P\u00e1ris chegou ao limite em novembro do ano passado e pediu afastamento por causa das crises de ansiedade. No m\u00eas de dezembro exp\u00f4s os mesmos problemas na C\u00e2mara dos Deputados e teve um processo disciplinar aberto.<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal disse, em nota, que tem sua cultura fundada no acolhimento \u00e0 diversidade, onde se inclui o respeito \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o sexual e \u00e0 identidade de g\u00eanero. Den\u00fancias que tenham como causa a LGBTfobia, o sexismo e a misoginia devem ser levadas \u00e0s inst\u00e2ncias correcionais.<\/p>\n<p>&#8220;[As den\u00fancias] ser\u00e3o investigadas com o rigor que merecem. Investimos nossa comunica\u00e7\u00e3o na linguagem inclusiva e sem aberturas para discursos internos excludentes.&#8221;<\/p>\n<p>A LGBTfobia institucional tem ocorrido de forma silenciosa nas corpora\u00e7\u00f5es. Doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas, afastamentos, abandono de carreira s\u00e3o algumas das marcas deixadas. A Folha mapeou casos em pol\u00edcias militares, civis, na Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal, na Pol\u00edcia Federal, em pol\u00edcias penais e cient\u00edficas e nos Bombeiros.<\/p>\n<p>A antrop\u00f3loga e cientista pol\u00edtica Jacqueline Muniz, professora da gradua\u00e7\u00e3o em seguran\u00e7a p\u00fablica na UFF (Universidade Federal Fluminense), considera que o ambiente dessas corpora\u00e7\u00f5es carrega uma uma ideia de masculinidade e virilidade. Por isso, a LGBTfobia \u00e9 pior dentro delas na compara\u00e7\u00e3o com o resto da sociedade.<\/p>\n<p>As corpora\u00e7\u00f5es s\u00e3o formadas majoritariamente por homens. Levantamento feito pela Folha mostra que 558.749 pessoas fazem parte dos efetivos dos Bombeiros, das per\u00edcias criminais e das pol\u00edcias Militar, Civil, Federal e Rodovi\u00e1ria Federal no pa\u00eds. Desse total, 476.342 s\u00e3o homens, o equivalente a 85%.<\/p>\n<p>&#8220;Existe a constru\u00e7\u00e3o de um hero\u00edsmo. Se voc\u00ea procura apoio terap\u00eautico ainda \u00e9 estigmatizado de maluquinho, problem\u00e1tico. Homem que \u00e9 homem n\u00e3o chora, her\u00f3i que \u00e9 her\u00f3i n\u00e3o sente dor. Tem a constru\u00e7\u00e3o de um hero\u00edsmo irreal&#8221;, afirma Muniz.<\/p>\n<p>Em 2018, um edital da Pol\u00edcia Militar do Paran\u00e1 gerou pol\u00eamica por exigir dos candidatos um grau de masculinidade. &#8220;Capacidade de o indiv\u00edduo em n\u00e3o se impressionar com cenas violentas, suportar vulgaridades, n\u00e3o emocionar-se facilmente, tampouco demonstrar interesse em hist\u00f3rias rom\u00e2nticas e de amor&#8221;, dizia.<\/p>\n<p>Para Muniz, esse problema de invisibilidade nas corpora\u00e7\u00f5es tem consequ\u00eancias e pode agravar doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas.<br \/>Os ataques homof\u00f3bicos vividos por Henrique Harrison na Pol\u00edcia Militar do Distrito Federal resultaram em ansiedade e depress\u00e3o. A op\u00e7\u00e3o para melhorar a sa\u00fade mental foi deixar a corpora\u00e7\u00e3o em mar\u00e7o de 2022.<\/p>\n<p>Harrison conta que deixou claro no primeiro dia do curso de forma\u00e7\u00e3o que \u00e9 gay. Inicialmente, sentiu olhares diferentes. Ao dar um selinho no namorado durante a formatura, em 2019, a situa\u00e7\u00e3o piorou.<\/p>\n<p>Assunto foi o mais comentado nos grupos institucionais. Ele afirma que, depois disso, foi ofendido por colegas e superiores. Um \u00e1udio dizia que ele estava arruinando a imagem de 200 anos da corpora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Harrison diz que foi recusado em alguns batalh\u00f5es porque os superiores n\u00e3o queriam sua presen\u00e7a. Ele tamb\u00e9m levou oito puni\u00e7\u00f5es em quase tr\u00eas anos de corpora\u00e7\u00e3o, uma delas por ter um pelo na sua farda e tamb\u00e9m por postar v\u00eddeo no quarto em que a arma aparecia na c\u00f4moda.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o entrei na corpora\u00e7\u00e3o para ser militante, mas n\u00e3o abri m\u00e3o de mostrar quem sou. Eu sempre vivi em ambientes muito gays, trabalhava em lojas de shopping, tocava em baladas LGBT, vivia numa bolha&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Quando eu entrei na pol\u00edcia me assustei, fui v\u00edtima de todo tipo de intoler\u00e2ncia e adoeci. N\u00e3o h\u00e1 nenhum tipo de suporte, s\u00f3 conselho de agentes falando para eu ficar mais na minha para sofrer menos. Era sempre isso, deixa de ser voc\u00ea que voc\u00ea vai sofrer menos.&#8221;<\/p>\n<p>Harrison pediu asilo nos Estados Unidos e vive de trabalhos informais para se manter.<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Militar do Distrito Federal foi procurada, mas n\u00e3o retornou at\u00e9 a conclus\u00e3o desta edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Presidente da Renosp (Rede Nacional de Operadores de Seguran\u00e7a P\u00fablica &#8211; LGBTI+), o delegado Anderson Cavichioli, disse que se assumir LGBTQIA+ nas corpora\u00e7\u00f5es traz consequ\u00eancias para agentes de seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n<p>&#8220;Dizer-se publicamente LGBTQIA+ significa retalia\u00e7\u00e3o, que voc\u00ea vai ser preterido, que a promo\u00e7\u00e3o n\u00e3o sai, escalas abusivas. N\u00f3s temos v\u00e1rios epis\u00f3dios. N\u00e3o sabemos qual o tamanho da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ dentro das corpora\u00e7\u00f5es porque muitas pessoas n\u00e3o se assumem para se proteger. A din\u00e2mica \u00e9 manter a situa\u00e7\u00e3o em sil\u00eancio para n\u00e3o ser prejudicado&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Ana Paula Ferri trabalha na per\u00edcia criminal de Mato Grosso. Em 2021, ela assumiu ser bissexual e come\u00e7ou a namorar uma colega de trabalho. Desde ent\u00e3o, afirma que passou a sofrer persegui\u00e7\u00f5es: passou a receber menos demandas e foi exclu\u00edda de reuni\u00f5es. Procurada, a per\u00edcia oficial de Mato Grosso n\u00e3o respondeu.<\/p>\n<p>Ao pedir para conversar com o superior, Ferri afirma que recebeu como resposta que a situa\u00e7\u00e3o era algo da sua cabe\u00e7a. Meses depois a Comiss\u00e3o de \u00c9tica do \u00f3rg\u00e3o instaurou um procedimento com base em uma den\u00fancia an\u00f4nima dizendo que ela trocava car\u00edcias com a namorada na corpora\u00e7\u00e3o. Ela nega.<\/p>\n<p>&#8220;Fui trocada de setor ap\u00f3s essa den\u00fancia an\u00f4nima, homof\u00f3bica que nem apresentou provas. Eu tive acesso negado \u00e0s c\u00e2meras para conseguir provar que nada tinha acontecido. Ningu\u00e9m leva para frente o que a gente fala, somos oprimidas, \u00e9 um ambiente machista e homof\u00f3bico&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1982668\/forcas-de-seguranca-somam-casos-internos-de-lgbtfobia?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; A policial P\u00e1ris Borges Barbosa decidiu entrar para a Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal em<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":105847,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-105846","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105846","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=105846"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/105846\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/105847"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=105846"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=105846"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=105846"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}