{"id":104433,"date":"2023-01-06T16:08:10","date_gmt":"2023-01-06T19:08:10","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/01\/06\/chico-buarque-celebra-bom-tempo-em-primeiro-show-apos-posse-de-lula-no-rio\/"},"modified":"2023-01-06T16:08:10","modified_gmt":"2023-01-06T19:08:10","slug":"chico-buarque-celebra-bom-tempo-em-primeiro-show-apos-posse-de-lula-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/01\/06\/chico-buarque-celebra-bom-tempo-em-primeiro-show-apos-posse-de-lula-no-rio\/","title":{"rendered":"Chico Buarque celebra &#8216;bom tempo&#8217; em primeiro show ap\u00f3s posse de Lula, no Rio"},"content":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) &#8211; Na primeira apresenta\u00e7\u00e3o carioca da turn\u00ea &#8220;Que tal um samba?&#8221;, no Vivo Rio, Chico Buarque, ao lado da artista convidada M\u00f4nica Salmaso, reafirmou, de maneira ainda mais convicta, o que o show anunciava desde a estreia em Jo\u00e3o Pessoa, em setembro de 2022: uma celebra\u00e7\u00e3o ao que se aponta ali como um &#8220;bom tempo&#8221; vindouro, &#8220;depois de tanta mutreta&#8221;, &#8220;tanta cascata&#8221;, &#8220;tanta dem\u00eancia&#8221; e &#8220;uma dor filha da puta&#8221;.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Em seu repert\u00f3rio e cen\u00e1rio, o espet\u00e1culo observa a grandeza da exist\u00eancia brasileira: do amor em suas mil formas, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, do meio ambiente, da cultura e a da arte, e mesmo das contradi\u00e7\u00f5es que sustentam muito disso. &#8220;Diversos a\u00e7oites\/ Doces lundus&#8221;, como ele canta em &#8220;Bancarrota Blues&#8221;.<\/p>\n<p>Nesse contexto de &#8220;desafogo&#8221; e &#8220;devaneio&#8221;, Chico lembrou Gal Costa e Mi\u00facha, -irm\u00e3 do artista, morta em 2018\u2013 e espetou Paulo Guedes e a ju\u00edza Monica Ribeiro Teixeira, que recentemente questionou que ele fosse autor de &#8220;Roda viva&#8221;. E, com Salmaso, cantou com vontade o verso-exorta\u00e7\u00e3o de &#8220;Maninha&#8221;: &#8220;Um dia ele vai embora, maninha\/ Para nunca mais voltar&#8221;.<\/p>\n<p>O show foi o primeiro da turn\u00ea depois da posse de Luiz In\u00e1cio Lula da Sila, do PT, de quem Chico \u00e9 um apoiador hist\u00f3rico. O roteiro deixa evidente a afinidade entre o pa\u00eds defendido pelo presidente e o exposto nas can\u00e7\u00f5es do compositor. A noite come\u00e7ou \u00e0s 21h57, com Salmaso no palco, cantando sozinha a infanto-revolucion\u00e1ria &#8220;Todos Juntos&#8221;, do repert\u00f3rio de &#8220;Saltimbancos&#8221;. &#8220;Todos juntos somos fortes\/ Somos flecha e somos arco\/ Todos n\u00f3s no mesmo barco\/ N\u00e3o h\u00e1 nada pra temer&#8221;, diz a letra. O princ\u00edpio da democracia, enfim.<\/p>\n<p>Antes de Chico subir ao palco, Salmaso passeia por can\u00e7\u00f5es que tratam do amor entre duas mulheres, com fim tr\u00e1gico devido ao preconceito, caso de &#8220;Mar e Lua&#8221;, ou que visam das amea\u00e7as ao meio ambiente ou, pela met\u00e1fora, aos que trazem beleza ao mundo, com &#8220;Passaredo&#8221;. Com &#8220;Beatriz&#8221;, Salmaso celebrou o artista. A cantora tamb\u00e9m anuncia: &#8220;O pescador me confirmou\/ Que o passarinho lhe cantou\/ Que vem a\u00ed bom tempo&#8221;, diz a can\u00e7\u00e3o &#8220;Bom Tempo&#8221;.<\/p>\n<p>Em &#8220;Paratodos&#8221;, louvor \u00e0 m\u00fasica popular brasileira, Chico finalmente apareceu no palco. Entrou para cantar: &#8220;Vou na estrada muitos anos\/ Sou um artista brasileiro&#8221;.<\/p>\n<p>A can\u00e7\u00e3o \u00e9 senha para o cruzamento dessa trajet\u00f3ria pessoal com a hist\u00f3ria mais larga do pa\u00eds. Chico \u00e9 o &#8220;cantor atormentado\/ Herdeiro sarar\u00e1&#8221; que testemunha a viol\u00eancia que corta de v\u00e1rias formas o processo de miscigena\u00e7\u00e3o brasileiro &#8211; como retratado em &#8220;Sinh\u00e1&#8221;, parceria sua com Jo\u00e3o Bosco.<\/p>\n<p>\u00c9, aos 78 anos, um &#8220;velho Francisco&#8221; de viv\u00eancias acumuladas, como o personagem de sua can\u00e7\u00e3o. Vai fundo no mais pessoal, na paternidade, ao cantar as filhas em &#8220;As Minhas Meninas&#8221;, para logo depois, com o aux\u00edlio preciso e belo de Salmaso, expor outra experi\u00eancia, na maternidade amarga de &#8220;Uma Can\u00e7\u00e3o Desnaturada&#8221;. Seu Rio de Janeiro \u00e9 lembrado em &#8220;Dois Irm\u00e3os&#8221; e &#8220;Futuros Amantes&#8221;, em sequ\u00eancia, apontando para o eterno al\u00e9m da cidade. A capital aparece tamb\u00e9m como triste cen\u00e1rio do horror racista de &#8220;As Caravanas&#8221;.<\/p>\n<p>A banda que acompanha Chico e Salmaso \u00e9 formada por Luiz Claudio Ramos, respons\u00e1vel pelos arranjos, guitarra e viol\u00e3o, Jo\u00e3o Rebou\u00e7as, no piano, Jorge Helder, no baixo ac\u00fastico e el\u00e9trico, Jurim Moreira, na bateria, Chico Batera, na percuss\u00e3o, Bia Paes Leme, nos teclados e vocais, e Marcelo Bernardes nos sopros.<\/p>\n<p>Nos arranjos, que t\u00eam como refer\u00eancia os originais, a busca pela beleza \u00e9 o efeito expressivo maior \u2013ora explorando toda a banda, ora em forma\u00e7\u00f5es menores, como &#8220;Beatriz&#8221;, feita em piano e viol\u00e3o. H\u00e1 espa\u00e7o para outras texturas sonoras no tecido do show. Bia assume o tri\u00e2ngulo de &#8220;Tipo Um Bai\u00e3o&#8221; e Marcelo Bernardes se posta ao lado de Chico Batera, ambos tocando atabaques, em &#8220;Sinh\u00e1&#8221; -com forte efeito sonoro e c\u00eanico.<\/p>\n<p>Salmaso usa a voz com o rigor e expressividade musical de instrumentista -seu di\u00e1logo com os sopros de Marcelo Bernardes em &#8220;Passaredo&#8221; atesta isso. O repert\u00f3rio aproveita inteligentemente m\u00fasicas feitas para duas vozes, na qual a cantora rende tanto no terreno do lirismo, caso de &#8220;Imagina&#8221;, de Chico com Tom Jobim, ou &#8220;Sem fantasia&#8221;, como no da mal\u00edcia, em &#8220;Biscate&#8221;.<\/p>\n<p>Cenicamente, o show tem a mesma frequ\u00eancia emocional, pol\u00edtica e filos\u00f3fica das can\u00e7\u00f5es. Com duas paredes de canh\u00f5es nas laterais, a ilumina\u00e7\u00e3o de Maneco Quinder\u00e9, como os arranjos instrumentais, prende-se \u00e0 tarefa de real\u00e7ar a beleza da m\u00fasica que se faz ali. O cen\u00e1rio de Daniela Thomas apresenta proje\u00e7\u00f5es de fotos de 19 fot\u00f3grafos brasileiros da fauna, da flora e, sobretudo do povo brasileiro em situa\u00e7\u00f5es de festa e luta. Uma continua\u00e7\u00e3o da carga simb\u00f3lica da diversidade que subiu a rampa do Planalto no dia 1\u00ba de janeiro.<\/p>\n<p>O compositor fez uma homenagem a Gal Costa com &#8220;Mil Perd\u00f5es&#8221;, can\u00e7\u00e3o sua gravada pela baiana em 1983. Enquanto cantava, uma foto da cantora era projetada ao fundo do cen\u00e1rio. A plateia reagiu com palmas assim que viu a imagem, e aplaudiu efusivamente ao fim da m\u00fasica.<\/p>\n<p>O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, tamb\u00e9m foi lembrado, em &#8220;Assentamento&#8221;, que Chico comp\u00f4s na d\u00e9cada de 1990 para o movimento. A can\u00e7\u00e3o tem versos como: &#8220;Quando eu morrer\/ Cansado de guerra\/ Morro de bem\/ Com a minha terra\/ Cana, caqui\/ Inhame, ab\u00f3bora\/ Onde s\u00f3 vento se semeava outrora&#8221;.<\/p>\n<p>Na reta final do espet\u00e1culo, Chico fez piada com a recente senten\u00e7a da ju\u00edza que questionou que &#8220;Roda Viva&#8221; fosse uma can\u00e7\u00e3o sua. O compositor pedia na Justi\u00e7a que Eduardo Bolsonaro removesse uma postagem na qual usava a m\u00fasica, al\u00e9m de pagar uma indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais.<\/p>\n<p>&#8220;Com instrumentistas desse naipe eu tenho que caprichar \u00e9 muito meu viol\u00e3ozinho&#8221;, disse Chico, logo depois de apresentar a banda sobre a base instrumental de &#8220;Bancarrota Blues&#8221;. Ele continuou: &#8220;Posso ratear, esquecer uma parte de uma letra. Pensei em instalar um teleprompter. Mas a\u00ed podem dizer, se eu n\u00e3o sei as letras, n\u00e3o sei tocar, que eu n\u00e3o sou o autor: &#8216;Prova que \u00e9 sua?'&#8221;. A plateia riu.<\/p>\n<p>Em seguida, lembrou a hist\u00f3ria que circulou nas redes de direita dizendo que ele comprava suas m\u00fasicas. Depois de afirmar que n\u00e3o admitia a acusa\u00e7\u00e3o de que comprava m\u00fasicas, cantou &#8220;mas posso vender&#8221;, retomando a letra de &#8220;Bancarrota Blues&#8221;.<\/p>\n<p>Ao fim da can\u00e7\u00e3o, que tem como mote exatamente o verso &#8220;mas posso vender&#8221;, que se repete ao longo de toda a letra, ele arrematou: &#8220;Essa tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 minha. \u00c9 do Paulo Guedes&#8221;.<\/p>\n<p>Depois de se despedirem com &#8220;Que Tal Um Samba?&#8221;, can\u00e7\u00e3o que d\u00e1 t\u00edtulo ao show e resume sua alma solar, Chico e Salmaso voltaram ao palco para o bis sob o coro da plateia de &#8220;Ol\u00ea, ol\u00ea, ol\u00ea, ol\u00e1, Lula, Lula&#8221;. Chico fez o L com os dedos e dedicou &#8220;Maninha&#8221;, que cantaria a seguir, \u00e0 sua irm\u00e3 Mi\u00facha: &#8220;que se estivesse aqui estaria fazendo o L tamb\u00e9m&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Jo\u00e3o e Maria&#8221; encerrou o show, em mais um belo dueto de Salmaso e Chico. Uma can\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter infantil, como a &#8220;Todos Juntos&#8221; da abertura. O futuro, portanto, como princ\u00edpio e fim do show. Um futuro do qual as can\u00e7\u00f5es do Chico certamente n\u00e3o dar\u00e3o conta, mas que n\u00e3o se pode dar ao luxo de dispens\u00e1-las. Sobretudo porque seguem carregando mais perguntas do que respostas. &#8220;Que Tal Um Samba?&#8221;, por exemplo.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1979615\/chico-buarque-celebra-bom-tempo-em-primeiro-show-apos-posse-de-lula-no-rio?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) &#8211; Na primeira apresenta\u00e7\u00e3o carioca da turn\u00ea &#8220;Que tal um<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":104434,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-104433","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104433","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=104433"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/104433\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/104434"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=104433"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=104433"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=104433"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}