{"id":10359,"date":"2021-05-09T11:08:49","date_gmt":"2021-05-09T14:08:49","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/09\/pesadelo-de-macron-piora-com-militares-e-lider-de-ultradireita\/"},"modified":"2021-05-09T11:08:49","modified_gmt":"2021-05-09T14:08:49","slug":"pesadelo-de-macron-piora-com-militares-e-lider-de-ultradireita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/09\/pesadelo-de-macron-piora-com-militares-e-lider-de-ultradireita\/","title":{"rendered":"Pesadelo de Macron piora com militares e l\u00edder de ultradireita"},"content":{"rendered":"<p>A menos de um ano das elei\u00e7\u00f5es presidenciais francesas, duas dezenas de generais aposentados e um grupo de militares da ativa se juntaram na semana passada \u00e0 galeria de assombra\u00e7\u00f5es que perturbam os sonhos do presidente Emmanuel Macron.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Em carta publicada numa revista de ultradireita, amea\u00e7aram intervir contra um &#8220;risco de guerra civil&#8221; que atribuem ao islamismo e ao ativismo antirracista. &#8220;Foi uma intrus\u00e3o nos assuntos civis altamente significativa vinda de oficiais militares franceses que historicamente observavam um pacto de sil\u00eancio sobre quest\u00f5es pol\u00edticas&#8221;, diz o professor de pol\u00edtica francesa da Universidade de Warwick (Reino Unido) James Shields.<\/p>\n<p>Shields tira da manifesta\u00e7\u00e3o at\u00edpica duas conclus\u00f5es. &#8220;Primeiro, ela mostra que o Isl\u00e3 e a quest\u00e3o racial fincaram uma cunha no centro do debate nacional franc\u00eas, na esteira de atrocidades terroristas isl\u00e2micas cometidas na Fran\u00e7a desde 2015&#8221;.<\/p>\n<p>Progressivamente secund\u00e1rios em pa\u00edses como a Alemanha, temas como xenofobia e repulsa \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o continuaram proeminentes na pol\u00edtica francesa, gra\u00e7as principalmente a Marine Le Pen, l\u00edder do partido de ultradireita Reuni\u00e3o Nacional e principal pesadelo de Macron hoje.<\/p>\n<p>De acordo com as pesquisas mais recentes, 1 em cada 4 franceses declara que votar\u00e1 na herdeira de Jean-Marie Le Pen no primeiro turno da elei\u00e7\u00e3o presidencial, em abril de 2022, o que deve lev\u00e1-la mais uma vez ao segundo turno. Mas mudan\u00e7as na opini\u00e3o p\u00fablica em rela\u00e7\u00e3o tanto a Marine Le Pen quanto a Macron fazem analistas discutirem a s\u00e9rio se ela tem chances de se tornar presidente. Alguns acreditam que sim.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que se consolida como rival do presidente, a ultradireitista tem moderado suas mensagens, num processo batizado de &#8220;desdemoniza\u00e7\u00e3o&#8221;. Al\u00e9m de suavizar a ret\u00f3rica, ela expurgou do RN membros prop\u00edcios a &#8220;escorreg\u00f5es&#8221; racistas ou extremistas, afirmam os pesquisadores Antoine Bristielle, Tristan Guerra e Max-Valentin Robert, em an\u00e1lise para o Observat\u00f3rio da Funda\u00e7\u00e3o Jean-Jaur\u00e8s.<\/p>\n<p>Deu resultado: neste ano, 34% dos franceses disseram ter opini\u00e3o &#8220;muito ruim&#8221; sobre Marine Le Pen, o n\u00edvel mais baixo alcan\u00e7ado por ela e uma queda expressiva dos 50% de mar\u00e7o de 2019.<br \/>Isso leva \u00e0 segunda observa\u00e7\u00e3o de Shields sobre a carta dos militares: &#8220;\u00c9 sinal de uma nova milit\u00e2ncia de direita encontrando lugar no espa\u00e7o deixado pelo discurso mais higienizado de Le Pen&#8221;.<\/p>\n<p>A tens\u00e3o pol\u00edtica revelada pela mensagem do grupo de militares encontrou eco na popula\u00e7\u00e3o: 58% disseram apoiar a carta em pesquisa da empresa LCI divulgada na semana passada, e 73% concordaram ainda com a ideia de que o pa\u00eds est\u00e1 se desintegrando.<\/p>\n<p>S\u00e3o resultados que indicam &#8220;um humor p\u00fablico profundamente pessimista e ansioso e uma aceita\u00e7\u00e3o de passos dram\u00e1ticos para proteger as regi\u00f5es mais problem\u00e1ticas do pa\u00eds de descerem ainda mais \u00e0 ilegalidade&#8221;, afirma Shields.<br \/>Nesse ambiente, Marine Le Pen manteve est\u00e1vel sua base de apoio \u201389% de seus apoiadores no \u00faltimo pleito continuam dispostos a eleg\u00ea-la\u2013 enquanto o presidente franc\u00eas viu quase um ter\u00e7o de seus simpatizantes debandar.<\/p>\n<p>&#8220;Macron tem uma necessidade mais urgente de renovar seu &#8216;centro duro&#8217; de apoio se quiser reverter a desvantagem no primeiro turno&#8221;, afirma Shields. Embora ainda n\u00e3o tenha se lan\u00e7ado, \u00e9 apontado como o mais prov\u00e1vel candidato de seu partido Rep\u00fablica em Marcha (LREM).<\/p>\n<p>Nessa renova\u00e7\u00e3o, n\u00e3o poder\u00e1 mais se fiar em sua mensagem de &#8220;nem esquerda, nem direita&#8221; que lhe deu a vit\u00f3ria em 2017, n\u00e3o s\u00f3 porque no exerc\u00edcio do governo ele se inclinou para a direita mas tamb\u00e9m porque esse virou tamb\u00e9m um dos principais slogans de Marine Le Pen.<\/p>\n<p>Outro fantasma com o qual Macron luta \u00e9 o espelho. Suas tentativas de impor reformas \u2013como a da Previd\u00eancia, que detonou protestos em 2019\u2013 lhe pregaram uma imagem de elitista e arrogante.<\/p>\n<p>Foi preciso a revolta inflamada dos coletes amarelos (contra um imposto sobre combust\u00edveis) para que a ficha ca\u00edsse e o presidente tentasse adotar dose maior de humildade. &#8220;O problema \u00e9 que Macron tem muito mais talento para a arrog\u00e2ncia que para a simpatia \u2013e as primeiras impress\u00f5es, como sabemos, podem ser duradouras&#8221;, afirma Shields, citando pesquisa da Odoxa divulgada em dezembro, na qual s\u00f3 28% o consideram pr\u00f3ximo da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m preocupam outros n\u00fameros dessa mesma pesquisa: 57% desaprovam sua gest\u00e3o em geral, 62% consideram que ele administrou mal a pandemia e 74% julgam que deixou a desejar em seguran\u00e7a e policiamento \u2013avalia\u00e7\u00e3o agravada pelos ataques terroristas do ano passado, que fizeram ao menos quatro mortos, entre os quais o professor Samuel Paty, decapitado em Paris, e a brasileira Simone Barreto, degolada em Nice.<\/p>\n<p>Em resposta, Macron fez avan\u00e7ar seu projeto de lei anti-extremismo, que no longo prazo &#8220;quer privar Marine Le Pen dos direitos exclusivos sobre a quest\u00e3o cr\u00edtica de seguran\u00e7a&#8221;, afirma Shields. Tenta assim se antecipar \u00e0 estrat\u00e9gia da advers\u00e1ria de arrastar o debate eleitoral nos campos da viol\u00eancia, da imigra\u00e7\u00e3o e da identidade nacional, que n\u00e3o s\u00e3o o terreno natural do presidente centrista.<\/p>\n<p>Conforme esquentar a campanha de 2022, Marine Le Pen deve elevar o tom anti-imigra\u00e7\u00e3o, enquanto Macron buscar\u00e1 trilhar uma linha mais cautelosa, opina Shields.<\/p>\n<p>Nenhuma pesquisa at\u00e9 agora apontou vit\u00f3ria de Marine Le Pen contra Macron no segundo turno, mas um levantamento do dia 17 de mar\u00e7o fez pipocar mensagens de alerta: o presidente aparece vencendo com 53% \u2013h\u00e1 quatro anos, ele levou dois ter\u00e7os dos votos.<\/p>\n<p>Para o professor de Warwick, a esperan\u00e7a da l\u00edder do RN \u00e9 que um grande n\u00famero de eleitores de centro-esquerda e esquerda, que foram cruciais para a vit\u00f3ria de Macron em 2017, optem pela absten\u00e7\u00e3o. Ele considera improv\u00e1vel que isso seja suficiente para empurrar a balan\u00e7a eleitoral para a ultradireita.<\/p>\n<p>J\u00e1 na an\u00e1lise da Funda\u00e7\u00e3o Jean-Jaur\u00e8s, &#8220;uma vit\u00f3ria final de Marine Le Pen \u00e9 uma possibilidade n\u00e3o desprez\u00edvel&#8221;. Entre os dois principais motivos para isso, os pesquisadores apontam a &#8220;desdemoniza\u00e7\u00e3o&#8221; de Le Pen, que pode ser suficiente para deixar de assustar eleitores resistentes, e a rejei\u00e7\u00e3o crescente de Macron, que pode elevar a absten\u00e7\u00e3o. &#8220;H\u00e1 risco de que eleitores dos candidatos derrotados no primeiro turno se abstenham por detestar tanto Macron quanto Le Pen.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/1802466\/pesadelo-de-macron-piora-com-militares-e-lider-de-ultradireita?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A menos de um ano das elei\u00e7\u00f5es presidenciais francesas, duas dezenas de generais aposentados e<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":10360,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-10359","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10359","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10359"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10359\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10360"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10359"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10359"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10359"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}