{"id":103378,"date":"2022-12-29T11:08:12","date_gmt":"2022-12-29T14:08:12","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/12\/29\/repressao-politica-explode-na-russia-apos-guerra-da-ucrania\/"},"modified":"2022-12-29T11:08:12","modified_gmt":"2022-12-29T14:08:12","slug":"repressao-politica-explode-na-russia-apos-guerra-da-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/12\/29\/repressao-politica-explode-na-russia-apos-guerra-da-ucrania\/","title":{"rendered":"Repress\u00e3o pol\u00edtica explode na R\u00fassia ap\u00f3s Guerra da Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; A repress\u00e3o pol\u00edtica na R\u00fassia, que vinha acumulando musculatura adicional desde 2020, explodiu ap\u00f3s a invas\u00e3o promovida por Vladimir Putin na Ucr\u00e2nia e a consequente rea\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica \u00e0 guerra.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio anual da ONG OVD-Info, que monitora viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e oferece assist\u00eancia legal a v\u00edtimas, houve de 14 de janeiro a 14 de dezembro houve 20.467 deten\u00e7\u00f5es pol\u00edticas no pa\u00eds. Destas, 19.478 eram relacionadas a protestos contra o conflito ou as For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o da repress\u00e3o fica mais clara quando o dado \u00e9 comparado com o total de pris\u00f5es registradas desde que a ONG foi fundada, em 2011. De l\u00e1 at\u00e9 2021, foram pouco mais de 40 mil deten\u00e7\u00f5es consideradas pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros se referem tanto a manifestantes presos na rua por algumas horas e liberados, a maioria absoluta, quanto a pessoas perseguidas judicialmente. A ONG conta ao todo 8.500 casos administrativos abertos, uma modalidade mais branda e que raramente leva \u00e0 cadeia, e 378 criminais. Ao menos 11 pessoas foram condenadas por trai\u00e7\u00e3o, podendo ficar d\u00e9cadas presas.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o mais vis\u00edvel, com policiais descendo o sarrafo nos manifestantes, ficou evidente neste ano quando Putin invadiu o vizinho, em 24 de fevereiro.<\/p>\n<p>A partir dali, houve algumas ondas de protestos contra a guerra, que por uma lei aprovada ap\u00f3s seu come\u00e7o tem de ser chamada na m\u00eddia de &#8220;opera\u00e7\u00e3o militar especial&#8221;, sob pena de puni\u00e7\u00e3o, ainda que o pr\u00f3prio presidente tenha incorrido em ato falho e chamado a coisa pelo nome semana passada. Ela foi 1 das 22 aprovadas pelo Parlamento para instrumentalizar a repress\u00e3o.<\/p>\n<p>A m\u00eddia sofreu em especial. Ve\u00edculos cl\u00e1ssicos da democracia russa, como o jornal Novaia Gazeta, dirigido pelo Nobel da Paz Dmitri Muratov, tiveram de fechar e migrar para opera\u00e7\u00f5es na nuvem, baseadas em outros pa\u00edses. H\u00e1 pelo menos 17 senten\u00e7as passadas, diz o relat\u00f3rio, contra jornalistas. Uma editora da TV estatal teve de fugir do pa\u00eds ap\u00f3s protestar em rede nacional.<\/p>\n<p>A mais famosa ONG de direitos humanos russa, a Memorial, foi declarada ilegal e liquidada. Ali, o problema maior foi a defesa de direitos LGBTQIA+ na repressiva Tchetch\u00eania \u2013atos contra uma nova lei criminalizando o Kremlin chama de &#8220;propaganda gay&#8221; s\u00e3o respons\u00e1veis por boa parte das outras pris\u00f5es no ano.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia compareceu. &#8220;Pessoas foram jogadas no asfalto, espancadas com cassetetes, estranguladas, tiveram a cabe\u00e7a batida contra a parede, as m\u00e3os torcidas e algemadas&#8221;, afirma o relato, que descreve alguns casos emblem\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Aos poucos, Putin conseguiu controlar a situa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque h\u00e1 apoio popular \u00e0 sua guerra, ainda que ele pare\u00e7a ter mais a ver com apatia do que com entusiasmo. Segundo levantamento de novembro do Centro Levada, \u00f3rg\u00e3o independente de pesquisa de opini\u00e3o p\u00fablica, 79% dos russos apoiam o presidente e 74%, as a\u00e7\u00f5es das For\u00e7as Armadas na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>&#8220;Putin erigiu um Estado-fortaleza, com elementos de totalitarismo, for\u00e7ando parte da sociedade a dividir responsabilidade pela guerra&#8221;, afirma Andrei Kolesnikov, importante comentarista pol\u00edtico que trabalhava para o Centro Carnegie de Moscou.<\/p>\n<p>Trabalhava, no passado, pois o centro fechou as portas ap\u00f3s 28 anos de produ\u00e7\u00e3o intelectual sobre a vida russa por ordem do Kremlin, em abril. S\u00f3 neste ano, 176 ONGs, pessoas e institui\u00e7\u00f5es foram tachadas de &#8220;agentes estrangeiros&#8221;, geralmente por receber financiamento externo e sempre por posi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica a Putin, e boa parte parou de trabalhar.<\/p>\n<p>Isso dito, houve espasmos de rea\u00e7\u00e3o p\u00fablica ao longo do ano. O mais importante ocorreu em setembro, quando o presidente decretou a mobiliza\u00e7\u00e3o de 320 mil reservistas para tentar sanar o problema que lhe custou a captura de Kiev em fevereiro: falta de pessoal.<\/p>\n<p>Houve protestos, com as respectivas pris\u00f5es e repress\u00e3o policial, em diversas regi\u00f5es da R\u00fassia. Putin, que viu sua popularidade cair um pouco com a rea\u00e7\u00e3o, acelerou o processo e logo decretou a mobiliza\u00e7\u00e3o encerrada. Novamente, a situa\u00e7\u00e3o se acalmou e hoje o r\u00e1pido treinamento dessas for\u00e7as tem causado preocupa\u00e7\u00e3o na c\u00fapula ucraniana.<\/p>\n<p>A guerra exacerbou um processo que tinha ganhado corpo em 2020, na aurora da pandemia de Covid-19. \u00c9 algo de longo prazo, o que condiz com os 23 anos de Putin no poder.<\/p>\n<p>Inicialmente, em 2000, o presidente trouxe renova\u00e7\u00e3o, jovialidade e acenos de integra\u00e7\u00e3o ao Ocidente. Se viu rejeitado, no que n\u00e3o deixa de ter raz\u00e3o, e passou a trabalhar um projeto de reconstru\u00e7\u00e3o nacional altamente personalista. Reelegeu-se em 2004, mas n\u00e3o mudou a Constitui\u00e7\u00e3o para ficar por mais termos naquele ponto.<\/p>\n<p>Preferiu ver eleito um sucessor aliado, Dmitri Medvedev, que lhe esquentou a cadeira enquanto dava as cartas do escrit\u00f3rio de primeiro-ministro. At\u00e9 a\u00ed, a dureza do regime foi direcionada para os oligarcas rivais e para o controle da TV. A m\u00eddia seguiu relativamente livre, com sites e jornais cr\u00edticos.<\/p>\n<p>Isso mudou a partir dos primeiros grandes protestos contra Putin, em 2012, contr\u00e1rios \u00e0 sua volta ao poder num sistema eleitoral n\u00e3o necessariamente fraudulento, mas ossificado a ponto de inviabilizar oposi\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja consentida.<\/p>\n<p>Em 2017, o blogueiro chamado Alexei Navalni tratou de denunciar a corrup\u00e7\u00e3o do Estado, promovendo protestos gigantes em diversas cidades a partir de uma base difusa, na internet. Isso continuou de forma intermitente at\u00e9 que, no fim de 2020, ele foi envenenado e teve de ser levado para a Alemanha.<\/p>\n<p>A pris\u00e3o de Navalni, sob acusa\u00e7\u00e3o de violar uma condicional ao voltar em janeiro de 2021, gerou uma nova onda de protestos \u2013reprimida. Ele foi devorado pelo sistema judicial russo, que acumulou acusa\u00e7\u00f5es contra o ativista e em mar\u00e7o o condenou a nove anos de cadeia. S\u00f3 neste ano, ele passou 90 dias em solit\u00e1rias, diz o OVD-Info, que conta 23 casos criminais contra seus aliados.<\/p>\n<p>Navalni n\u00e3o \u00e9 um l\u00edder popular, nem nunca foi. Nos sonhos do Ocidente, deixaria a cadeia para desafiar Putin pela Presid\u00eancia, algo hoje t\u00e3o ilus\u00f3rio quanto achar que a elite iria derrubar o presidente assim que ele mandou os tanques para Kiev. Ainda assim, seu mart\u00edrio judicial o tornou um s\u00edmbolo do estado das coisas.<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, passado o 2018 em que se reelegeu novamente e celebrou o sucesso da Copa do Mundo no seu pa\u00eds, Putin inclinou-se \u00e0 rigidez. Em 2020, enfim mudou a lei para poder disputar elei\u00e7\u00f5es que podem o manter no cargo at\u00e9 2036 e acirrou a repress\u00e3o at\u00e9 o ponto atual.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/1977188\/repressao-politica-explode-na-russia-apos-guerra-da-ucrania?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; A repress\u00e3o pol\u00edtica na R\u00fassia, que vinha acumulando musculatura adicional<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":103379,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-103378","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103378","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=103378"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103378\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/103379"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=103378"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=103378"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=103378"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}