{"id":10305,"date":"2021-05-08T16:10:22","date_gmt":"2021-05-08T19:10:22","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/08\/pandemia-de-covid-19-coloca-filhos-adultos-e-maes-sob-o-mesmo-teto\/"},"modified":"2021-05-08T16:10:22","modified_gmt":"2021-05-08T19:10:22","slug":"pandemia-de-covid-19-coloca-filhos-adultos-e-maes-sob-o-mesmo-teto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/08\/pandemia-de-covid-19-coloca-filhos-adultos-e-maes-sob-o-mesmo-teto\/","title":{"rendered":"Pandemia de Covid-19 coloca filhos adultos e m\u00e3es sob o mesmo teto"},"content":{"rendered":"<p>Quadros na parede para dar leveza; prateleiras e vasos para dar cor; capricho e cuidado com o lugar de dormir. Aos 65 anos, com tr\u00eas filhos criados, T\u00e2nia Lemos Bastos Momesso se lembra de quanta paci\u00eancia e dedica\u00e7\u00e3o teve ao montar o quarto de cada beb\u00ea que chegava. Agora se pegou ansiosa na tarefa de reformar, decorar e adaptar um c\u00f4modo de sua casa, mas, desta vez, para receber a m\u00e3e.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>&#8220;Foi uma oportunidade para me resgatar como filha, retomar o amor e a aten\u00e7\u00e3o que deixei um pouco de lado ao longo dos anos&#8221;, conta. Ao mesmo tempo, ela deparou com um desafio: o de aprender a ser m\u00e3e da pr\u00f3pria m\u00e3e.<br \/>No\u00eamia Coentro Bastos, 86, sua m\u00e3e, morava a cerca de 10 km de dist\u00e2ncia de sua casa, em S\u00e3o Bernardo do Campo. Nos seis primeiros meses da pandemia, ela vivia na companhia de netos, mas estes tomaram diferentes rumos na vida e ela se viu \u00e0s voltas com a necessidade de mudar. De in\u00edcio a contragosto, foi para a casa de T\u00e2nia e do marido, Luiz.<\/p>\n<p>No\u00eamia, todavia, andava agoniada. T\u00e2nia, ent\u00e3o, percebeu que n\u00e3o bastava arrumar um c\u00f4modo com todo o capricho. Era preciso considerar a hist\u00f3ria de vida da m\u00e3e, seus h\u00e1bitos e o afeto que tinha pelo antigo lar, onde viveu por pouco mais de 15 anos.<\/p>\n<p>Foi assim que surgiu a ideia de levar a m\u00e3e a cada duas semanas \u00e0 casa em que ficaram suas lembran\u00e7as. Durante as visitas, No\u00eamia se apegava com prazer aos quadros e vasos pintados por ela, aos bordados executados manualmente no sof\u00e1 da sala.<br \/>T\u00e2nia come\u00e7ou, aos poucos, a transferir para o outro endere\u00e7o objetos que tinham significado especial para a m\u00e3e. Assim, de pouquinho em pouquinho, T\u00e2nia foi aprendendo a montar e a decorar o quarto que j\u00e1 n\u00e3o era de um beb\u00ea.<\/p>\n<p>Em frente ao c\u00f4modo, voltado para um amplo quintal, ela e o marido plantaram as flores favoritas de No\u00eamia. &#8220;Fa\u00e7o o que posso para amenizar a falta que ela sente do seu lar. Queria que aqui minha m\u00e3e tamb\u00e9m se sentisse em sua pr\u00f3pria casa&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Nestes tempos, ainda mais neste Dia das M\u00e3es, o que mais faz falta a No\u00eamia \u00e9 o almo\u00e7o com a fam\u00edlia num restaurante da vizinhan\u00e7a, sem falar, \u00e9 claro, na presen\u00e7a dos netos.<\/p>\n<p>T\u00e2nia teve de mudar h\u00e1bitos e costumes para voltar a conviver com a m\u00e3e, agora numa fase em que esta requer cuidados. As refei\u00e7\u00f5es, por exemplo, passaram a ser feitas na hora certa. &#8220;Precisei ter disciplina para acompanhar o hor\u00e1rio de medicamentos de minha m\u00e3e e acompanh\u00e1-la nas tarefas di\u00e1rias, para ela se exercitar e se sentir \u00fatil.&#8221;<br \/>O fot\u00f3grafo S\u00e9rgio Fernandes, de 33 anos, 11 dos quais longe do lar materno, tamb\u00e9m vive o reencontro com a m\u00e3e. No seu caso, al\u00e9m de se adaptar \u00e0s tarefas dom\u00e9sticas e \u00e0s novas regras di\u00e1rias, a experi\u00eancia foi surpreendente pela qualidade da rela\u00e7\u00e3o com Neide, que agora tem 72 anos.<\/p>\n<p>&#8220;Morando fora, n\u00e3o tinha percebido como o tempo passou e como n\u00f3s mudamos; juntos, passamos a viver uma nova din\u00e2mica, um novo momento entre m\u00e3e e filho&#8221;, conta. &#8220;Ela virou minha amiga, a ponto de me pedir para comprar camisinha para ela.&#8221;<\/p>\n<p>A vers\u00e3o de Neide, separada h\u00e1 20 anos: &#8220;Ele voltou para casa mais maduro e empenhado. O retorno ocorreu num momento em que n\u00f3s est\u00e1vamos fragilizados com a morte do pai dele, que, em plena pandemia, sofreu um AVC. T\u00ednhamos um ao outro&#8221;.<\/p>\n<p>O filho se mudou para a casa da m\u00e3e e, com ele, levou o cachorro. Whisky, 9, estava acostumado a dormir na cama do dono e sentia-se confort\u00e1vel ao tomar conta dos assentos na antiga resid\u00eancia.<br \/>Nos primeiros dias de vida conjunta, o comportamento canino incomodou um pouco, Neide n\u00e3o nega: &#8220;Demorei para aceitar&#8221;. C\u00e3o e filho foram-se enquadrando \u00e0s regras impostas pela dona do domic\u00edlio.<\/p>\n<p>Para a geriatra Maisa Kairalla, da Unifesp, nestes dias dif\u00edceis, o amparo tornou-se uma estrat\u00e9gia para minimizar os efeitos, f\u00edsicos e ps\u00edquicos, provocados pela pandemia. &#8220;Cuidar um do outro \u00e9 um jeito de sobreviver&#8221;, diz.<\/p>\n<p>N\u00e3o fazia nem tr\u00eas meses que David Gadilho, 28, estava come\u00e7ando a morar com dois amigos em S\u00e3o Paulo quando chegou a quarentena, o que o levou de volta para a casa dos pais, em Cubat\u00e3o (SP). &#8220;Estava come\u00e7ando a me acostumar com a solid\u00e3o positiva, aprendendo a n\u00e3o depender das pessoas. Tive que voltar atr\u00e1s, abandonar coisas que havia conquistado&#8221;, conta ele.<\/p>\n<p>&#8220;Gosto dos meus momentos de sil\u00eancio, mas aqui, na casa da minha m\u00e3e, tive de aprender a lidar com dois volumes: o gritando e o berrando&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Precisei dividir novamente o quarto com o meu irm\u00e3o&#8221;, reclama. Como era previs\u00edvel, reconhece o rapaz, vez ou outra, &#8220;rola um arranca-rabo&#8221;. Nada que m\u00e3e e filho logo n\u00e3o resolvam. &#8220;\u00c9 bom estar ao lado da fam\u00edlia numa situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o complicada como esta.&#8221;<\/p>\n<p>O psicanalista Jorge Forbes explica que nossa vida \u00e9 feita de montar acampamentos e seguir em frente. &#8220;Mas, quando enfrentamos dificuldades, tendemos a regressar para a base&#8221;, diz. &#8220;A m\u00e3e n\u00e3o deserta. \u00c9 com ela que estabelecemos uma rela\u00e7\u00e3o afetiva direta, de receptividade, aberta e sem julgamentos.&#8221;<\/p>\n<p>Forbes afirma que o retorno para casa n\u00e3o ser\u00e1 sentido, nestes tempos pand\u00eamicos, como uma derrota, um recuo, tampouco uma covardia, por\u00e9m como um direito ao afeto da m\u00e3e.<\/p>\n<p>Com a Covid-19, que vem provocando grandes transforma\u00e7\u00f5es, a oportunidade de novas rela\u00e7\u00f5es sociais ganhou impulso. &#8220;Os pap\u00e9is passaram a se confundir. Conceitos in\u00e9ditos vieram \u00e0 tona para legitimar a forma de viver fora de padr\u00f5es manique\u00edstas.&#8221;<\/p>\n<p>Fab\u00edola Natal\u00edcia Francisco, 45, estava em f\u00e9rias na Europa quando o mundo se fechou por causa do coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>De volta ao Brasil, perdeu o emprego, deixou o apartamento na Bela Vista, em S\u00e3o Paulo, e se mudou para a casa da m\u00e3e, em Diadema (SP). &#8220;Foi uma mudan\u00e7a dentro de uma mudan\u00e7a&#8221;, resume. &#8220;Como se eu tivesse ca\u00eddo em outro planeta, tendo de reaprender a conviver com outras pessoas trancadas numa casa. Transferi a minha vida para dentro de um quarto.&#8221;<\/p>\n<p>Em meio \u00e0 trag\u00e9dia, que segue mexendo com a vida de todo o mundo, T\u00e2nia, filha de No\u00eamia, diz ter encontrado na conviv\u00eancia ao lado da m\u00e3e um meio de acalmar o cora\u00e7\u00e3o. &#8220;\u00c9 claro que toda conviv\u00eancia tem suas dificuldades, mas precisamos aprender a abrir m\u00e3o de certas coisas, porque sempre vamos depender de algu\u00e9m em algum est\u00e1gio de nossa vida.&#8221;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1802346\/pandemia-de-covid-19-coloca-filhos-adultos-e-maes-sob-o-mesmo-teto?utm_source=rss-economia&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><br \/>\nNot\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quadros na parede para dar leveza; prateleiras e vasos para dar cor; capricho e cuidado<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":10306,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-10305","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10305","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10305"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10305\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10306"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10305"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10305"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10305"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}