{"id":10233,"date":"2021-05-08T12:10:55","date_gmt":"2021-05-08T15:10:55","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/08\/pobreza-na-argentina-afeta-quase-6-de-cada-10-criancas\/"},"modified":"2021-05-08T12:10:55","modified_gmt":"2021-05-08T15:10:55","slug":"pobreza-na-argentina-afeta-quase-6-de-cada-10-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/08\/pobreza-na-argentina-afeta-quase-6-de-cada-10-criancas\/","title":{"rendered":"Pobreza na Argentina afeta quase 6 de cada 10 crian\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p>A quadra de futebol da Villa 31, uma das principais favelas de Buenos Aires, est\u00e1 dividida pela metade.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Numa parte, adolescentes jogam bola. Na outra, um grupo de nove crian\u00e7as, todas com m\u00e1scaras e respeitando o distanciamento social, est\u00e1 sentado em roda. Junto com elas, Iv\u00e1n Madariaga, 28, explica como \u00e9 a geografia da Argentina e fala os nomes das prov\u00edncias e da capital.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o sou professor, mas estamos com problemas para seguir com as aulas aqui. Ent\u00e3o decidimos, com outros pais, fazer essa &#8216;escola improvisada&#8217; aqui fora, porque ao ar livre h\u00e1 menos risco de cont\u00e1gio. Cada dia um de n\u00f3s estuda um conte\u00fado e vem passar para eles. Assim n\u00e3o perdem muita coisa&#8221;, diz Madariaga.<\/p>\n<p>As aulas regulares na Argentina foram totalmente suspensas nos primeiros sete meses da pandemia, e o retorno tem sido dif\u00edcil e irregular. Al\u00e9m de os governos federal e da cidade de Buenos Aires discordarem quanto ao retorno presencial \u00e0s escolas, numa disputa que foi parar na Corte Suprema, regi\u00f5es como a da Villa 31 enfrentam a pandemia com mais dificuldades.<\/p>\n<p>A interrup\u00e7\u00e3o das aulas presenciais provocou a evas\u00e3o de estudantes mais vulner\u00e1veis, e a cifra dos que abandonaram a escola \u00e9 de 40% entre os que moram em favelas, assentamentos e bairros pobres.<br \/>Tamb\u00e9m h\u00e1 mais pais desempregados que tiveram de levar os filhos \u00e0s ruas para buscar trabalho, e os pre\u00e7os altos da comida t\u00eam tirado das refei\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as itens importantes. A hora de brincar, em muitos casos, foi devorada pela necessidade de trabalhar em casa para ajudar a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es da Villa 31 s\u00e3o at\u00e9 boas se comparadas \u00e0s de novos assentamentos formados por pessoas que tiveram de sair de suas casas por n\u00e3o conseguirem pagar o aluguel em favelas. Alguns, como o de Guernica, j\u00e1 foram desalojados, ap\u00f3s uma disputa pol\u00edtica, mas muitos ainda permanecem na prov\u00edncia de Buenos Aires e ao sul do pa\u00eds. Neles, n\u00e3o h\u00e1 educa\u00e7\u00e3o nem \u00e1gua limpa, eletricidade ou comida.<br \/>Os n\u00fameros da pobreza v\u00eam crescendo acentuadamente na Argentina desde 2017, durante a administra\u00e7\u00e3o de Mauricio Macri. Os dados mais recentes do Indec, o IBGE argentino, mostram que hoje ela atinge 42% dos argentinos, um aumento de dois pontos percentuais desde a \u00faltima medi\u00e7\u00e3o e de sete em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 anterior, marcando uma pronunciada curva ascendente.<\/p>\n<p>Entre as crian\u00e7as, o dado \u00e9 ainda pior: 57,7% delas s\u00e3o pobres, em um cen\u00e1rio no qual a pandemia as afasta da escola e provoca a perda do emprego de muitos dos pais. H\u00e1, ainda, a situa\u00e7\u00e3o macroecon\u00f4mica, com queda de 9,9% do PIB em 2020, infla\u00e7\u00e3o acumulada de 36,1% neste ano e de 4,8% em mar\u00e7o, mesmo com alguns setores da economia parados. O desemprego chegou a 11%, e mais de 1,1 milh\u00e3o de pessoas perderam o trabalho na crise.<\/p>\n<p>No ano passado, o governo fez uma grande emiss\u00e3o monet\u00e1ria para pagar o IFE (Ingresso Familiar de Emerg\u00eancia) e assim auxiliar fam\u00edlias j\u00e1 inscritas em programas como a Asignaci\u00f3n Universal por Hijo \u2013o Bolsa Fam\u00edlia argentino. Para 2021, por\u00e9m, o governo disse n\u00e3o haver dinheiro para estender o benef\u00edcio, j\u00e1 que emitir mais dinheiro causaria hiperinfla\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, h\u00e1 limites para o congelamento das tarifas de energia e transporte decretado pelo presidente Alberto Fern\u00e1ndez no come\u00e7o da pandemia.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas, o Minist\u00e9rio da Economia passou a debater a necessidade de descongelar a conta de luz e, depois, as de outros servi\u00e7os. Se assim for, o impacto nas fam\u00edlias pobres ser\u00e1 ainda maior.<br \/>Gabriel, 13, vende balas no centro de Buenos Aires. A m\u00e3e dele est\u00e1 na outra esquina, segurando um beb\u00ea. &#8220;N\u00e3o me importo de vir aqui porque gosto de estar na cidade. Mas me d\u00e1 d\u00f3 que minha m\u00e3e tenha que pedir esmola e que o beb\u00ea esteja sentindo frio&#8221;, diz. O pai das crian\u00e7as est\u00e1 no interior, ajudando numa constru\u00e7\u00e3o, e s\u00f3 retorna a cada tr\u00eas semanas. O trabalho informal representa 40% do mercado argentino.<\/p>\n<p>De acordo com dados do Unicef referentes a 2020, 16% dos adolescentes realizam algum trabalho informal no pa\u00eds. Deste total, 46% n\u00e3o o faziam antes da pandemia. &#8220;Este \u00e9 um indicador que mostra que, diante da falta de recursos nas casas, os adolescentes s\u00e3o levados a sair e ajudar&#8221;, afirma Sebasti\u00e1n Waisgrais, especialista em inclus\u00e3o social do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia na Argentina.<\/p>\n<p>Para Agust\u00edn Salvia, soci\u00f3logo da Universidade de Buenos Aires, &#8220;a pandemia agrava a pobreza infantil porque deteriora as condi\u00e7\u00f5es de vida do n\u00facleo familiar, mas a pobreza na Argentina se deve a causas estruturais que v\u00e3o al\u00e9m da crise sanit\u00e1ria&#8221;. Investimentos assistencialistas como o IFE, diz ele, s\u00e3o essenciais em momentos de emerg\u00eancia, assim como a urbaniza\u00e7\u00e3o de bairros pobres, o investimento em moradias e a melhora na cria\u00e7\u00e3o de empregos.<\/p>\n<p>Em geral, os planos de assist\u00eancia social s\u00e3o elogiados por economistas e pela popula\u00e7\u00e3o, porque ajudaram a recuperar a Argentina da crise de 2001, em que o peso sofreu desvaloriza\u00e7\u00e3o e a pobreza atingiu 58,2% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A pesquisa do Unicef tamb\u00e9m aponta que quatro a cada dez lares onde vivem crian\u00e7as passaram a ter redu\u00e7\u00e3o de recursos vindos do trabalho e que 70% deles perderam a metade ou mais da metade de suas remunera\u00e7\u00f5es. &#8220;Existe um amplo consenso de que as ajudas econ\u00f4micas e sociais que o estado brinda s\u00e3o necess\u00e1rias&#8221;, afirma Luisa Brumana, do Unicef Argentina.<\/p>\n<p>No munic\u00edpio de Berazat\u00e9gui, na Grande Buenos Aires, todo s\u00e1bado h\u00e1 uma &#8220;olla popular&#8221; (panela comum) para ajudar moradores e, principalmente, crian\u00e7as. Trata-se de uma tradi\u00e7\u00e3o entre vizinhos de bairros pobres argentinos, . Cada pessoa traz algo para ajudar: carne, massa, arroz, tomates, chorizos, queijo, verduras \u2013o que houver.<\/p>\n<p>&#8220;No inverno, especialmente, ajuda muito. As crian\u00e7as sabem que, naquele dia, v\u00e3o ter uma refei\u00e7\u00e3o quente, uma sopa nutritiva&#8221;, diz Izelina Gald\u00e9z, 42. A &#8220;olla&#8221; se repete em v\u00e1rios bairros e acaba virando um lugar de socializa\u00e7\u00e3o. Neste encontro, cozinheiros e quem organiza a distribui\u00e7\u00e3o utilizam m\u00e1scaras e luvas. O dif\u00edcil \u00e9 as pessoas manterem o distanciamento ou as prote\u00e7\u00f5es faciais corretamente.<\/p>\n<p>&#8220;A gente tenta orientar, mas a fome \u00e9 grande. O que pedimos de verdade \u00e9 que os mais idosos n\u00e3o venham. Que algum parente venha buscar as por\u00e7\u00f5es que preparamos para eles. Mas os meninos com fome, e alegres por estarem juntos aqui, n\u00e3o tem como conter&#8221;, afirma Gald\u00e9z.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/1802293\/pobreza-na-argentina-afeta-quase-6-de-cada-10-criancas?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A quadra de futebol da Villa 31, uma das principais favelas de Buenos Aires, est\u00e1<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":10234,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-10233","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10233","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10233"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10233\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10234"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10233"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10233"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10233"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}