Bem-vindo(a). Hoje é Guarantã do Norte - MT

Ataque aéreo de forças da Etiópia deixa 64 mortos na região do Tigré

Ataque aéreo de forças da Etiópia deixa 64 mortos na região do Tigré
Compartilhe!

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em meio a um conflito que se prolonga há meses na Etiópia, um ataque aéreo de forças do governo a um mercado na terça (22) deixou ao menos 64 mortos e 180 feridos em Togoga, na província do Tigré.

O levantamento provisório foi elaborado pela população e por líderes locais, que também acusam o Exército etíope de impedir o acesso de socorristas à região para transferir feridos a um hospital em Mekele, capital da província ao Norte do país. Até esta quinta (24), 73 feridos haviam sido encaminhados para o centro médico, e, de acordo com testemunhas, dezenas de vítimas seguem sob os escombros.

O conflito teve início em novembro do último ano, quando o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed Ali, anunciou uma ofensiva militar contra a Frente de Libertação dos Povos do Tigré (FLPT), partido nacionalista que governa a região do Tigré. Ele justificou a medida acusando as tropas adversárias de atacar uma base militar do governo para roubar armas e outros equipamentos bélicos.

Desde então, a província é palco de uma série de enfrentamentos armados que, segundo estimativas da ONU (Organização das Nações Unidas), já levaram 350 mil pessoas à beira da fome e milhões a abandonar suas casas rumo a outros países, em especial o Sudão.

O Exército etíope confirmou o ataque de terça, mas disse que a operação mirava combatentes ligados às autoridades do Tigré, versão contrariada por testemunhas, para quem apenas civis estavam no mercado.

Em comunicado enviado ao governo da Etiópia nesta quinta, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Ned Price, condenou o ataque e pediu que o governo libere o acesso dos socorristas à região. “Negar atenção médica com urgência às vítimas que necessitam é cruel e inaceitável”, afirmou no documento.

A porta-voz da ONU Stephane Dujarric disse que o secretário-geral da organização, o português António Guterres, está profundamente consternado. “Solicitamos acesso à área para avaliar a situação e ver como podermos prestar assistência. A situação na região é muito, muito difícil.”​

O papa Francisco também expressou preocupação com os enfrentamentos armados e pediu fraternidade. “As diferenças étnicas e de lutas por poder se transformaram em um sistema”, declarou o pontífice.

É em meio a esse cenário que, na segunda (21), os etíopes votaram para eleger novos parlamentares e líderes regionais. O pleito estava marcado inicialmente para agosto de 2020, mas foi adiado em razão da pandemia de Covid-19, que matou 4.292 pessoas no país até esta quarta (24), de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins.

A eleição, cujos resultados ainda não foram divulgados, deve se prolongar pelos próximos meses, já que 20% dos distritos eleitorais do país não puderam realizar a votação devido a fatores como violência ou problemas logísticos. Os habitantes dessas regiões devem votar em 6 de setembro.

Na província do Tigré, onde segue o conflito mais grave, a votação também não foi realizada nos 38 distritos eleitorais, e o governo nacional ainda não divulgou uma nova data.

O Partido da Prosperidade, legenda do atual primeiro-ministro, é o favorito para obter a maioria dos votos. Ainda assim, a figura do premiê tem sido questionada desde o início dos conflitos no Tigré, especialmente por Abiy Ahmed ter ganho o Prêmio Nobel da Paz em 2019 com uma defesa contra a guerra.

Os enfrentamentos armados colocam em xeque também o discurso de privilegiar o sentimento nacional em detrimento das disputas étnicas, que o premiê adotou ao assumir o posto em abril de 2018. A eleição de Abiy Ahmed, membro da etnia omoro -a maior do país- foi vista como uma perda de poder relativo pelos tigrínios, já que a Frente de Libertação dos Povos do Tigré governou o país por cerca de três décadas.

Foram as eleições, aliás, que acenderam a faísca entre o governo de Abiy Ahmed e a FLPT. Os opositores não aceitaram o adiamento do pleito em 2020 e mantiveram seus próprios processos, que elegeram Debretsion Gebremichael como líder local em setembro -a Etiópia é dividida em nove regiões administrativas que, em tese, teriam autonomia. O governo central, porém, não reconheceu a legalidade do processo.

As ofensivas militares dos últimos meses fizeram aumentar as acusações de que Abiy Ahmed está perseguindo o povo do Tigré por motivações étnicas. O governo já vinha sendo acusado de demitir oficiais tigrínios de postos proeminentes no país.

Notícias ao Minuto Brasil – Mundo
Read More

LIVE OFFLINE
track image
Loading...