Tem coisa que empresário não pergunta para a IA
Durante décadas, a vantagem competitiva das empresas esteve ligada ao acesso à informação. Hoje, esse diferencial encolheu. Com a inteligência artificial, análises, projeções e relatórios passaram a ser produzidos em poucos segundos. O efeito, porém, foi diferente do esperado. Em vez de tornar as decisões mais simples, a abundância de informações aumentou a necessidade de saber quais delas realmente merecem confiança.
Essa mudança foi tema de um artigo publicado recentemente pelo Fórum Econômico Mundial. O empreendedor social Reese Wong defende que, à medida que a inteligência artificial reduz o custo de produzir conhecimento, cresce o valor de comunidades e relações capazes de oferecer algo que a tecnologia ainda não entrega: contexto, credibilidade e julgamento para decisões complexas.
Para Marcos Koenigkan, presidente do think tank Mercado & Opinião, essa transformação já pode ser percebida entre empresários brasileiros. “A inteligência artificial resolveu o problema do acesso à informação. O desafio agora é decidir o que fazer com ela. E essa continua sendo uma construção humana”.
Na prática, decisões como escolher um sócio, entrar em um novo mercado, adquirir uma empresa ou contratar um executivo dependem de fatores que dificilmente aparecem em relatórios. Histórico, reputação, comportamento e experiências compartilhadas continuam sendo construídos nas relações entre pessoas.
É justamente por isso que espaços de troca entre lideranças continuam relevantes, mesmo em um ambiente onde praticamente qualquer informação pode ser encontrada em segundos. “O empresário não procura apenas respostas. Ele busca perspectivas diferentes para testar as próprias convicções, enxergar riscos que ainda não percebeu e tomar decisões com mais segurança”.
Essa mudança também ajuda a explicar o papel desempenhado pelos think tanks. Em vez de produzir respostas prontas, essas organizações reúnem diferentes experiências para analisar transformações que afetam empresas, mercados e lideranças. “Quando pessoas com trajetórias diferentes analisam o mesmo problema, a qualidade da decisão melhora. Esse é o papel de um think tank: ampliar perspectivas antes que decisões importantes sejam tomadas”.
No ambiente empresarial, a informação deixou de ser um recurso escasso. O que continua raro é a capacidade de interpretar mercados, confrontar visões e transformar conhecimento em discernimento. “Talvez essa seja a maior contradição da inteligência artificial. Quanto mais respostas ela oferece, maior se torna o valor das pessoas capazes de dar sentido a elas”, conclui Koenigkan.
Da Assessoria



