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Fintech brasileira abre as porteiras do mercado global de commodities aos pequenos produtores rurais

Fintech brasileira abre as porteiras do mercado global de commodities aos pequenos produtores rurais
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AKIN S.A que tem como objetivo conectar o agronegócio nacional ao mundo financeiro por meio de blockchain, tokenização e inteligência de dados, vai acelerar o processo de digitalização no campo

O caminho que levou o empresário Leandro Dias ao comando de uma das fintechs mais inovadoras e promissoras do agronegócio brasileiro dos últimos anos, está longe de ser convencional. Nascido na periferia da zona norte de São Paulo, construiu sua trajetória apoiado nos estudos e na capacidade de enxergar oportunidades onde muitos viam apenas obstáculos. Hoje, aos 37 anos, é CEO da AKIN S.A. desenvolvedora da AgroDeri, conta digital voltada ao agro e que integra Pix, câmbio criptomoedas e fiat, wealth, crédito para insumos, barter de commodities, proteção de preço e hedge sintético.

Para acelerar e acessibilizar essa infraestrutura agrofinanceira há um número maior de pessoas, a empresa anuncia uma nova rodada de investimento em busca da captação de R$ 10 milhões. “Queremos avançar no processo de digitalização no campo com nossas tecnologias, desta forma, vamos construir um ecossistema que provavelmente daqui há uns 12 meses pode estar valendo R$1 bilhão”, projeta o CEO.

A história de Leandro começou com uma bolsa de estudos em uma escola técnica. Ainda jovem, ingressou na carreira militar e tornou-se oficial do Exército Brasileiro. Foi nesse período que investiu intensamente em formação acadêmica, cursando simultaneamente Economia, Administração e Pedagogia.

Após deixar a carreira militar, iniciou uma jornada de uma década no setor financeiro, atuando em instituições bancárias no Brasil e na Europa. A experiência internacional foi complementada por um doutorado em Economia na Espanha e posteriormente um pós-doutorado em Engenharia da Computação. Mas foi a inquietação em relação aos desafios sociais e econômicos que o levou a buscar novos caminhos.

Em 2019, enquanto blockchain e ativos digitais começavam a ganhar espaço no mercado financeiro global, Dias enxergou uma oportunidade de construir uma infraestrutura tecnológica capaz de conectar diferentes mundos. Com recursos próprios, fundou a fintech com uma proposta ousada: desenvolver uma plataforma capaz de integrar pagamentos, crédito, ativos digitais, operações internacionais e gestão de risco em um único ecossistema.

A proposta rapidamente chamou atenção do mercado. “Em 2022, fomos procurados pelo Nubank e recebemos uma proposta de investimento. Na oportunidade adquiriram uma participação em nosso negócio, validando o potencial da tecnologia desenvolvida por nós”, lembrou Dias.

A crise que mudou tudo

O ponto de virada veio em meio à instabilidade geopolítica que desorganizou cadeias de comércio exterior no mundo todo. Um dos investidores-anjo da empresa, exportador de amendoim, viu pagamentos internacionais legítimos travarem quando bancos correspondentes foram desconectados dos trilhos tradicionais de liquidação. Operações que eram rotineiras simplesmente pararam e a sobrevivência da AkinTec, que dependia desses fluxos, entrou em risco.

Foi aí que Dias tomou uma decisão incomum para um empreendedor brasileiro: foi atrás, pessoalmente, de parceiros bancários e de novas formas de viabilizar pagamentos transfronteiriços. “Eu precisava entender, na prática, por que um fluxo de comércio legítimo ficava refém da lentidão e da fragilidade do sistema bancário internacional. Foi nessa busca que enxerguei a infraestrutura cripto como uma camada de liquidação mais rápida e resiliente”, afirma.

Ao mergulhar no universo das finanças descentralizadas, percebeu que ali havia uma oportunidade maior. Aquelas tecnologias podiam resolver não só um problema de pagamento internacional, mas gargalos históricos do agro. Estudando o setor agropecuário a fundo, identificou desafios recorrentes de pequenos e médios produtores: acesso difícil ao crédito, dependência de intermediários e ausência de mecanismos eficientes de proteção contra a oscilação de preços.

Culturas como açaí, castanha, amendoim, cupuaçu e mel poderiam ganhar escala. “Com blockchain, tokenização e finanças descentralizadas, é possível transformar commodities agrícolas em ativos digitais negociáveis globalmente. O produtor passa a acessar crédito, fazer barter, proteger preço em hedge e obter liquidez de forma mais acessível, com inteligência climática, imagens de satélite e análise de risco tornando o crédito mais justo”, destaca o CEO.

Presente e futuro

Hoje a AKIN S.A. tem entre suas parceiras a Cyklo Agritech, uma aceleradora de projetos e startups. Segundo Dias, essa jornada teve início em um momento importante, há pouco mais de um ano, quando a fintech carecia de um contato mais aproximado no agro. “Eu já tinha trabalhado com muitos programas de aceleração, incluindo o do Google, e vi algo diferente na Cyklo e gostei muito do trabalho deles tanto que chamei para meu sócio. Além disso, ter um parceiro que nos dá segurança com experiência e contatos no setor vai acelerar os nossos processos e ampliar as captações”, destacou.

A AKIN firmou recentemente um acordo de capital contingente (facility) de até US$ 20 milhões com o Global Emerging Markets (GEM), grupo de investimentos alternativos sediado em Nova York. O instrumento permite à companhia acessar capital de forma faseada, vinculado a etapas futuras de expansão e à evolução do ecossistema AgroDeri, um modelo de financiamento ainda pouco explorado no agronegócio brasileiro.

“Nossa missão é construir uma nova infraestrutura financeira para o agronegócio: ampliar o acesso a capital, reduzir desigualdades e permitir que pequenos e médios produtores participem de oportunidades antes restritas aos grandes agentes do mercado. É uma visão que começou na periferia de São Paulo e que hoje busca transformar, em escala global, a relação entre o campo e as finanças”, finaliza Dias.

Leandro Dias, CEO da fintech

Célio