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Mornings: em Curitiba, um espaço onde o café da manhã não tem hora para acabar

Mornings: em Curitiba, um espaço onde o café da manhã não tem hora para acabar
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No Mornings, o clima de manhã boa não tem hora para acabar. Localizado no Batel, um dos bairros mais pulsantes de Curitiba, o espaço nasceu do desejo simples, mas ambicioso, de criar um lugar onde o café da manhã fosse protagonista o dia inteiro.

Sem pressa, sem rigidez e sem nada de origem animal. Reduzir o Mornings a um espaço vegano, no entanto, seria pouco. Ele é, antes de tudo, um convite para desacelerar, sentar à mesa e repensar a forma como a gente come, consome e se relaciona com a comida  inclusive em diferentes contextos e datas comemorativas, quando reunir pessoas em torno da mesa ganha ainda mais significado.

O Mornings inaugurou em 19 de setembro de 2019, mas a sua história começou muito antes de se tornar um negócio estruturado. O empório surgiu como um sonho pessoal de Renata Schaitza e Daniel Sandes, idealizadores do projeto.

Renata, vegana desde 2016, começou a testar receitas em casa, movida pela curiosidade e pela vontade de recriar clássicos afetivos do café da manhã sem ingredientes de origem animal. Esses experimentos, que misturavam memória, pesquisa e intuição, acabaram se transformando na base do cardápio que hoje define a identidade da casa.

Desde o início, a escolha foi clara: trabalhar com ingredientes frescos, locais e sazonais, valorizando o simples, o natural e o autêntico. A culinária 100% vegetal não aparece como tendência ou discurso, e sim como parte essencial da crença dos idealizadores. “Acreditamos que a alimentação é um ato revolucionário e transformador, e usamos essa ferramenta para construir, todos os dias, um mundo mais justo, sustentável e inclusivo”, diz Renata Schaitza.

O menu

Na cozinha, o conceito é direto: café da manhã gostoso, sem nada de origem animal. A ideia nunca foi criar um espaço exclusivo para veganos, e sim um lugar plural, onde todos se sintam bem-vindos. Vegetarianos, pessoas com intolerância alimentar, curiosos ou carnívoros convictos dividem as mesas, seja para curtir com a família, para ler um livro ou para networking.

A escolha dos insumos busca fomentar a agricultura familiar, fornecedores locais, empreendedorismo feminino e a comunidade. A castanha-de-caju, utilizada em muitos preparos, vem de cooperativas do Piauí e do Ceará. As frutas vermelhas são orgânicas e vêm da chácara familiar Colina Verde, e o café especial é brasileiro, com torrefação local.

A ideia é trabalhar com ingredientes versáteis que consigam ser transformados e reaproveitados para várias receitas, como a banana, a castanha-de-caju e o tofu. A banana é usada na maioria dos smoothies e cumbucas, além do bolo de banana com especiarias; a castanha-de-caju é base para a produção do famoso requeijão e do queijo; o tofu é servido como tofu mexido e também batido para fazer a maionese.

Quase todos os processos são realizados integralmente dentro do Mornings. O queijo vegano, por exemplo, não é industrializado, mas produzido na casa. Ele passa por todo o processo de fermentação do queijo tradicional, mas usando a castanha-de-caju como base, demorando três dias para ficar pronto. Ele é utilizado no Queijo Quente (R$ 22) e no Bauru (R$ 28). Os pães de fermentação natural são produzidos pela conceituada Padaria Artesanal Maçã.

A ideia para o Grãomelete (R$ 29), campeão de vendas, surgiu em uma viagem para Barcelona. A massa de grão de bico foi desenvolvida na casa, e é uma opção muito saborosa, macia e ideal para quem quer uma opção proteica e sem glúten. Pode levar cogumelos ou tofu mexido.

Viagens, aliás, são uma fonte de inspiração constante para o Mornings, sempre atento às tendências e referências no Brasil e no mundo. De Los Angeles trouxeram alguns conceitos dos restaurantes The Butcher’s Daughter e Little Pine (já fechado). De Rishikesh, no Himalaia indiano, os idealizadores provaram smoothies e cumbucas que serviram de base para algumas das receitas, assim como o Golden Mornings (R$ 14), uma bebida milenar da cultura ayurveda que no Mornings é feita com leite de aveia e especiarias e melado.

Referências pessoais, no entanto, também estão muito presentes no cardápio. Muito da cozinha de casa e da memória afetiva dos sócios são compartilhadas com os clientes. Mas a régua é alta: na hora de trazer um prato novo para o cardápio, se não receber nota acima de 9 de todos os sócios, ele não entra.

Por Lauanda Gomes

Célio

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