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Como nossos pais

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Quem produziu o anúncio merece ganhar o prêmio da melhor peça publicitária do ano

Nesta celeuma toda causada pelo anúncio [em forma de vídeo] em comemoração aos 70 anos da Volkswagen no Brasil, estou do lado dos que gostaram da produção. Achei o máximo! muito criativo e com todos os ingredientes para emocionar e despertar interesse.

Quem produziu o anúncio merece ganhar o prêmio da melhor peça publicitária do ano. Uma campanha que, de tão perfeita, até confunde o público, com o cenário entremeado com as personagens de Elis e sua filha Maria Rita, as imagens das gerações contemporâneas e a evolução dos carros da Volkswagen.

Casualmente, foi minha filha Vitória, quem me perguntou se eu já tinha visto o vídeo. Eu ainda estava ausente de todos os comentários contra e favoráveis que a campanha estava causando nos veículos digitais.
É sim, um pouco surreal. De repente você está olhando para Elis Regina, que morreu em 19 de janeiro de 1982, ao vivo e a cores, cantando a bela canção de Belchior, Como Nossos País. Enquanto ela dirige uma Kombi antiga, trocando olhares com sua filha Maria Rita, que conduz uma Kombi de última geração.

O vídeo foi produzido através de inteligência artificial. A princípio você fica na dúvida de qual é o principal objetivo do anúncio. Elis está ali, cantando com sua filha. Mas a mensagem começa a se configurar de forma profusa, exatamente como a música do Belchior, pela automatização entre o velho e o novo, o antes e o agora. A Volkswagen evoluindo com as gerações.
“Apesar de termos feito tudo que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”. Mas só que, agora, em 2023, nossa Kombi é automática e alimentada por eletricidade, o que transmite uma mensagem de sustentabilidade.

Na verdade, quando os anos passam, a maioria de nós percebe que, pelo menos um pouco, somos como nossos pais, mesmo nossos ídolos não sendo os mesmos. Meu pai, era nordestino e tinha preferência por Luiz Gonzaga, que, digamos, era um cara raiz em termos musicais. Eu [apesar de também apreciar Luiz Gonzaga] gosto mais do Belchior que é um nordestino mais Pop.

Nos 60, 70 e 80, o mundo estava em constante transformação de costumes. A calça boca de sino estava perdendo espaço para o Jeans. Os jovens da época, ainda sob o regime da repressão dos militares, sonhavam com a revolução, queriam a abertura democrática e votar para presidente. E havia uma discussão polêmica sobre o uso da pílula anticoncepcional.
Dante de Oliveira, um jovem deputado de Mato Grosso, apresentou a emenda da Diretas Já e, a Ditadura, que já agonizava, foi para a UTI. Os anos passaram, veio o alvorecer democrático e o povo enfim, pode votar para presidente da República.

E assim caminha a humanidade… Esse tumulto todo em função de uma anúncio bem elaborado, usando a evolução da tecnologia em favor de algo sublime, é porque, atualmente, tudo se transforma em polêmica. Em questões de Direita e Esquerda. Talento, inteligência e criatividade, ficam em planos inferiores.

Nunca se cultuou tanto a mediocridade, a arrogância, a ausência de polidez, em detrimentos de valores plácidos da cultura, delineada em seus segmentos da arte, como a boa música, as danças, o teatro e etc. e tal.
Mas, parafraseando o insigne Belchior “Viver é melhor que sonhar e eu sei que o amor é uma coisa boa”.

Por José Vieira do Nascimento é jornalista, pós graduado em Comunicação e editor do jornal Mato Grosso do Norte.

Email:mtnorte@terra.com.br

Célio

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